[[legacy_image_257858]] Ponta da Praia, em Santos, é a representação da multiplicação dos peixes – e moluscos e demais frutos do mar. Dali, partem para as mesas de consumidores ávidos pela iguaria. Tudo isso sob o olhar atento de simpáticas garças, sejam de verdade ou não. Bem-vindos ao Mercado de Peixes de Santos: um autêntico paraíso para quem ama pescado. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O espaço inaugurado em 2020 é o sucessor do antigo centro de compras inaugurado em 1982 e que tinha como marca sua arquitetura em estilo modernista, elaborado pelo arquiteto Antonio Carlos Quintas. Dos 15 antigos boxes, o número subiu para 20, acompanhados de dois de temperos, um de gelo e um restaurante no mezanino, o Paru, do chef Dário Costa. Mas o que impressiona mesmo no local é o incessante movimento de consumidores ávidos por tainhas, sardinhas, corvinas, salmões, pernas-de-moça e camarões, entre outras espécies. Entre alguns gritos e esforços para chamar a atenção, os permissionários tentam, literalmente, vender seu peixe. “O Mercado passou para a Secretaria de Empreendedorismo, Economia Criativa e Turismo de Santos há dois anos. Mais do que um centro de compras, é um ponto turístico. Hoje, é uma atração para quem mora em Santos e quem vem de fora”, afirma a chefe do Departamento de Equipamentos e Atrações Turísticas da pasta, Kuka Herrador. Ela lembra que o local recebe, em média, 300 pessoas por dia e são comercializadas cerca de 10 toneladas de pescados. Na Semana Santa, no entanto, esse número sobe para 15 ou 16 toneladas. “O Mercado de Peixes veio agregar à toda estrutura arquitetônica da Ponta da Praia. Ficou mais moderno e confortável, pensando nos clientes e também nos permissionários. Foi planejado e desenvolvido para isso, com mobilidade, refeitório para funcionários, banheiros e área administrativa, por exemplo”. Novo tempero à vida São cerca de 140 pessoas trabalhando todos os dias no Mercado de Peixes em diferentes funções. Um deles é Marcelo Lio, de 22 anos, que trabalha com a avó em uma das barracas de temperos. Entre pacotes de “Edu Guedes” (tomate, salsinha, cebolinha, alho, cebola, pimentão vermelho) e “Ana Maria Braga” (tomate, salsinha, cebolinha, açafrão, alho e cebola), ele celebra a mudança de vida ocorrida há dois anos, quando perdeu o emprego em um mercado e embarcou em um sonho em família. “Para a gente, é uma segurança estar aqui. É nossa (a permissão) e ninguém tira”. Ao lado dali, Silvana Pimenta dos Santos atendia pacientemente a um cliente em outro box. Egressa da Rua do Peixe, ela esbanja simpatia a cada venda. “A mudança foi boa para a gente. Representou segurança e mais higiene. Os clientes também são diferentes”, constata. [[legacy_image_257859]] Clientes aprovam Se quem trabalha gosta do novo Mercado, quem compra também dá seu aval. É o que acontece com o casal Otília Rosa, de 65 anos, e Roberto Bueno, de 70. Eles vêm de Praia Grande para adquirir o pescado desejado. “A qualidade aqui é fora de série. Comprar aqui é bem melhor mesmo. Dá vontade de levar tudo”, frisa ela. A aposentada Hortência Martinho, de 71 anos, por sua vez, sai do Bairro Aparecida vez por outra para garantir um pescado de qualidade. “O peixe aqui é mais fresco do que nos mercados, onde a gente compra, geralmente, congelado. Os preços variam. Na Semana Santa, são mais salgados. Mas, aqui, tem toda qualidade”, endossa. Se o odor característico de um local onde peixes são vendidos está lá, os cuidados com os pescados vendidos se sobressaem. A limpeza é constante, assim como a conservação em gelo. Tudo isso numa jornada que começa ainda na madrugada, com a aquisição dos pescados que serão vendidos a partir das 7 horas, com portas abertas ao público. É assim na vida de Poliana Andrade, uma das permissionárias, há muito tempo. “Trabalho há 25 anos com isso. Já vi gente comprando mais de 100 kg de peixe. E a interação com os demais permissionários é tranquila. Cada um faz o seu, mas, se um precisar, todos ajudam”. No endereço da Ponta da Praia, um grande M se destaca na entrada, na palavra Mercado. Mas poderia ser de majestoso - como a imagem do Rei Pelé que “vigia” o local, na parede em frente. Isso, até as garças concordam. Preferência do Rei Pelé amava peixe - e não se tratava apenas do Alvinegro. De acordo com Alex Vieira, do Box do Santista, o Rei era abastecido regularmente de pescados, seja pelo seu empresário Pepito Fornos ou, mais recentemente, por sua esposa, Márcia Aoki, que iam à Ponta da Praia para garantir o peixe real. “Ele mandou uma vez para o Pepito um áudio gritando ao fundo: ‘Alex, me dá meu peixe, não me deixe passar fome’”, conta Alex Vieira, aos risos. A origem O Mercado de Peixes José Augusto Alves foi inaugurado em 16 de janeiro de 1982 na Praça Almirante Gago Coutinho, também na Ponta da Praia. O prédio recebeu o nome do ex-presidente da Cooperativa Mista de Pesca Nipo-Brasileira, então um dos maiores comerciantes de pescados da região.