[[legacy_image_265585]] Foram sete cirurgias desde que um tumor gigante foi encontrado, no ano passado, na cabeça do pequeno Davi Lucas Ferreira da Conceição, de 8 anos. Embora benigno, o craniofaringioma cresceu rápido e passou de 40 centímetros³ no cérebro do menino, que mora em Santos. As intervenções para a retirada do tumor deixaram sequelas na criança. E uma mãe desolada. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Viviane Alves Ferreira, de 29 anos, só quer retirar o filho do hospital e levá-lo para a casa. Mas sabe das dificuldades que terá para adaptar o imóvel ainda em construção, no Morro do Tetéu, à realidade da criança. Davi não anda, perdeu a fala e é incapaz de se alimentar sozinho. A mãe, que tem outros três filhos, precisa de ajuda para terminar, adaptar e equipar a casa. [[legacy_image_265586]] “Consegui construir uma parte com muita dificuldade. Ficaram faltando os quartos e o banheiro. E para o Davi voltar para casa, essa parte tem que estar pronta”, diz Viviane, que precisa usar o banheiro da vizinha. Ela largou o emprego para cuidar do filho, que possui convênio médico pela empresa onde o pai trabalha e está internado no Hospital Ana Costa. Além da casa, ela se preocupa com outros itens que serão indispensáveis para tratar Davi, como cadeira de rodas, de banho e uma cama. “A cadeira de rodas é especial para o momento dele, precisa ter cinto”, explica. Prima de Davi, a vendedora Suzana Silva Amorim, de 23 anos, acompanhou o garoto desde que ele descobriu o tumor e ajuda como pode. “Montei uma vaquinha (virtual) para arrecadar dinheiro para terminar a casa”, explica ela, que também organiza rifas. [[legacy_image_265587]] HistóricoDe acordo com Suzana, a criança sentia dores de cabeça com muita frequência desde 2019. Passou por diversos médicos, fez exames de sangue, mas ninguém descobria a razão das dores. Até que Davi começou a vomitar e emagrecer muito. Por isso, em abril do ano passado, a família insistiu para que o menino fosse internado no Hospital Ana Costa. “Fizeram uma tomografia, que acusou um líquido no cérebro e viram alguma coisa de estranho. No dia seguinte, fizeram ressonância que acusou o tumor, só que já estava grande para uma criança de 7 anos (na época)”, relata a sobrinha de Viviane. De acordo com ela, dois dias depois a família foi informada de que seria necessário colocar um dreno na cabeça de Davi, pois estava acumulando um líquido no cérebro. Uma semana após a internação, ele precisou passar por uma cirurgia de oito horas para retirar o tumor. “Foi bem invasiva. A minha família ficou na porta do hospital fazendo oração, jejuando, louvando. Para a graça de Deus, deu tudo certo. A recuperação dele foi um pouco difícil, mas a única sequela foi a perda da visão do olho esquerdo”, resume. RetornoSeis meses após a cirurgia, Davi fez outra ressonância. “Acusou que o tumor estava grande de novo”, conta Suzana, dizendo que até o médico ficou surpreso, pois a equipe esperava que crescesse em três anos. “Em dezembro, estava com 21 centímetros³, em fevereiro foi para 30 e poucos. Foi crescendo, até que chegou a um ponto de estar com cerca de 40 cm³ e ele sentiu dor de cabeça. Levamos no hospital e não deixaram mais sair pela gravidade”, explica sobre a internação que aconteceu em março deste ano. Davi foi submetido a outra cirurgia, mas desta vez menos invasiva. “Optaram a fazer a cirurgia pelo nariz, só que não deu certo. O cérebro dele sangrou duas vezes, estancaram, fecharam, tentaram de novo e não deu certo”. O menino precisou ser intubado e, uma semana depois, passar por uma nova cirurgia. “Tiraram de 50 a 60% do tumor. Então ainda tem uma porcentagem grande, só que ele começou a ter muitas complicações no pós-cirúrgico, como convulsões”, explica Suzana, dizendo que depois ainda precisaram colocar outro dreno. Foi a partir daí que Davi teve sequelas. “Os médicos falam que a gente tem que esperar o tempo dele para fechar o diagnóstico do que parou, do que ele perdeu. Mas, no momento, não está falando, nem andando e nem comendo”. A família pretende seguir com os cuidados em casa e tem fé que o menino irá se recuperar. “Infelizmente ele vai ir para casa acamado e, com o tempo, eu tenho fé em Deus que ele vai voltar a ser o Davi como ele sempre foi”, diz a mãe do menino. “Davi é uma criança maravilhosa, amorosa, empática, doce, uma criança de luz”, finaliza a prima. Quem quiser ajudar pode doar por meio da vaquinha ou entrar em contato com Suzana pelo telefone (13) 98873-2054. O tumorSegundo divulgação feita pela neurocirurgiã pediátrica Raquel Rodrigues, de São Paulo, o craniofaringioma é considerado um tipo de tumor benigno do sistema nervoso central. As teorias do que causaria um craniofaringioma ainda estão em estudo, mas existe uma forte corrente de médicos de que acreditar que ele tem origem de restos embrionários de uma estrutura que existe no cérebro do bebê em desenvolvimento na barriga da mãe (a bolsa de Rathke). Por algum motivo estes restos embrionários não são eliminados como deviam e estas células futuramente poderiam dar origem ao tumor, o que explicaria a ocorrência em crianças. Para os adultos outras teorias estão em estudo, que incluiriam transformações nas células normais daquela região do cérebro que poderiam dar origem ao tumor.