[[legacy_image_126614]] Com apenas 10 anos, o pequeno Miguel Santos Peres inspirou o piloto Lewis Hamilton na vitória do GP de São Paulo de fórmula 1. Pouco antes de correr, o inglês publicou uma foto do menino com cateter de oxigênio e kimono de karatê nas redes sociais dizendo que Miguel seria a inspiração do dia, acompanhado da frase: “Quando você absolutamente se recusa a desistir”. A mensagem foi uma surpresa para a família que vive em Santos e deixou o carateca muito feliz. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Morador do bairro Caruara, na Área Continental de Santos, Miguel ganhou visibilidade mundial com o post do piloto, que possui mais de 25 milhões de seguidores. Desta forma, a família soube da ‘homenagem’ por meio de um amigo. “Quando eu mostrei, Miguel ficou muito feliz porque ele gosta muito de carrinho, assiste fórmula 1, gosta da velocidade e da aventura”, enfatiza a mãe do carateca, Samara Santos, de 47 anos. Em conversa com A Tribuna, ela conta que Miguel superou diversos obstáculos para hoje ser uma criança ativa. Apesar de nascer saudável, o menino começou a apresentar sintomas ainda com seis meses e chegou a ser desenganado pelos médicos com um ano de idade. Hoje, ele faz tratamento para um pré-diagnóstico de insuficiência de surfactante, desta forma, utiliza cateter de oxigênio 24h por dia. No entanto, Miguel não deixa que isso o impeça de praticar até outros esportes. “Faz pilates, anda de bicicleta, brinca de skate e o sonho dele é um dia conseguir surfar”, destaca Samara. A mãe relembra que os primeiros sintomas de Miguel foram muitos vômitos aos seis meses, após o processo de desmame. Porém, quando tinha um ano e três meses, a criança teve um episódio de bronquiolite e, dois meses depois, apresentou uma broncopneumonia. Desta forma, quando o menino completou um ano e oito meses, Samara procurou uma alergista, que indicou que a família procurasse um hospital, pois o quadro era grave. “Fui no mesmo dia que ela falou. Cheguei no hospital e o Miguel ficou internado por um ano em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Não sabiam o que o Miguel tinha e nesse tempo ele ficou desenganado, várias coisas aconteceram e ele ficou à beira da morte”. A criança saiu da unidade hospitalar com traqueostomia e sonda nasoenteral. No entanto, a família continuou com tratamento sem receber diagnóstico por cerca de quatro anos. Em 2016, Miguel voltou a ficar abatido e um pneumologista constatou que ele estava com hipertensão pulmonar grave. Ao buscarem atendimento na capital paulista, os pais de Miguel conseguiram que ele tivesse uma avaliação e, por meio de uma biopsia intercostal, eles receberam o pré-diagnóstico de insuficiência de surfactante. “A médica iniciou um tratamento que perdura até hoje com algumas modificações durante o tempo. Mas não é um um diagnóstico fechado, a gente ainda tem vários caminhos para percorrer”, conta Samara. KaratêCom o tratamento, Miguel foi apresentado ao karatê por uma amiga. “Era bem debilitado, mas ele começou”, explica a mãe, dizendo que o primeiro contato foi aos cinco anos de idade. Neste período, o menino participou de campeonatos, incluindo a competição da foto compartilhada por Hamilton. [[legacy_image_126615]] “O karatê mudou a nossa vida e aumentou a autoestima do Miguel. Ele começou a se conhecer mais, ter mais firmeza com o corpo e isso deu a ele uma nova vida. Miguel ama muito o karatê”, enfatiza, dizendo que a criança passou a se desenvolver em diversos aspectos, mas precisou se afastar do esporte por conta da pandemia de covid-19, já que recebeu prescrições médicas sérias para não se expor até ser vacinado contra o coronavírus. Desta forma, o menino acompanha as novidades esportivas pelas redes sociais e a publicação do heptacampeão mundial serviu como incentivo. “O Miguel ficou torcendo por ele (Hamilton) e foi incrível quando ele ganhou. Meu filho está bem feliz com tudo isso que está acontecendo, fala para os amigos, não vê a hora de voltar para o karatê, pegou os carrinhos e fica fazendo até barulho”, finaliza Samara.