[[legacy_image_210701]] Não ficou pedra sobre pedra. Porém, mesmo após o fim das obras de demolição, que completa uma semana nesta quarta-feira (28), o Clube Atlético Santista, ícone da Cidade e que por décadas marcou a esquina da Rua Carvalho de Mendonça com o Canal 3, continua mais sólido do que nunca, só que na memória de quem viveu parte de sua história. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios Esse é o caso do ator Walmir Wagner de Andrade, de 53 anos. Suas grandes amizades, que duram até hoje, foram feitas quando ele começou a frequentar o clube, aos 5 anos de idade. “Todo domingo a gente estava lá. O primeiro baile que eu fui, aos 15 anos, foi lá, e eu ia todos domingos até acabar. Chamava-se Central Park. Depois que acabou, chegamos a ir em bailes de outros clubes, mas o do Atlético foi o que mais marcou”, relembra. A turma de amigos de Walmir se reúne todo final de ano para celebrar a amizade e os tempos da Domingueira no Atlético Santista, que acontecia no salão de vidro onde hoje funciona uma concessionária de veículos. O apelido dado por quem frequentava o local, segundo ele, era Salão de Vida. [[legacy_image_210702]] Melhor Carnaval O Carnaval, para o ator, era o melhor da Cidade. “Era uma época boa, o pessoal ia para se divertir mesmo. O Carnaval do Atlético era o melhor, a gente fazia todos os passinhos de dança”. O ator lembra que tanto ele como os amigos se sentiram tristes quando souberam que o clube seria demolido. “Um clube maravilhoso, não existiu nenhum igual”, ressalta. A demolição foi pedida em abril pelo proprietário do terreno, informa a Prefeitura de Santos. Nasceu lá Já para o empresário Pedro Ivo Paiva de Almeida, de 37 anos, a história com o Atlético vai mais além: seus pais se conheceram lá, quando eram jovens. Ele cresceu por lá e garante que conhecia cada metro quadrado do famoso clube onde iniciou sua vida esportiva. [[legacy_image_210703]] “Temos um elo com essas pessoas que frequentavam o Atlético. Aos 8 anos, comecei a jogar basquete lá, onde treinei até os 12. Mas mesmo assim nunca deixei de frequentar o clube. A gente conhecia o lugar na palma da mão”. Até hoje, ele mora no mesmo local, a uma distância de duas quadras do Atlético Santista. Além de sua família, ele conta que conhece outras quatro famílias que também se formaram no clube e que sente como se tivesse perdido um ente querido com a demolição. “É mais do que dó de ver o clube assim, é como se tivesse morrido um ente querido. Onde as crianças irão brincar hoje? Aonde os nossos idosos irão se quiserem jogar um carteado, um tamboréu, fazer uma hidroginástica, ler o jornal? As pessoas não sabem o tamanho do clube”, desabafa. Mais lembranças Pedro relembra que, durante as semanas da demolição, chegou a subir nos escombros do que um dia foi o Clube Atlético Santista, que chegou a dar palco para artistas como Tim Maia e Jorge Bem Jor. “Eu dizia para as pessoas: ‘você não sabe o que eu estou sentindo, deixa eu quieto aqui’. Meu sonho era ganhar na Mega Sena e comprar o clube, juro por Deus. Nossa porta iria ficar aberta 24 horas”. [[legacy_image_210704]] Acidente No último mês, parte da estrutura de madeira que sustentava o telhado do Clube Atlético Santista desabou, deixando três homens que trabalhavam na demolição feridos. No entanto, todas as vítimas foram socorridas conscientes e orientadas pelo Corpo de Bombeiros. Na ocasião, o arquiteto responsável pela obra, Gustavo Nunes, informou que quatro funcionários atuavam no momento do acidente. “A estrutura treliçada de madeira ruiu”, afirmou. Com o acidente, o trecho da Rua Carvalho de Mendonça, que segue para o cruzamento com a Rua Luiz de Camões, chegou a ficar interditado para a passagem de veículos.