[[legacy_image_89675]] O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve a condenação de um médico cardiologista que atende em Santos, no litoral de São Paulo, pelo crime de importunação sexual. O cardiologista Walter Nei Nascimento atua na área há mais de 50 anos e é acusado de abusar de duas pacientes durante consultas médicas. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Na última decisão, a 9ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo negou o provimento ao recurso de apelação da defesa do médico. Na prática, significa que o órgão considerou haver provas suficientes para o lado da acusação e para manutenção da sentença em primeiro grau. Uma das denunciantes, de 19 anos, deve receber R\$ 10 mil em multa, por danos morais. A outra vítima já foi indenizada. Os abusos O TJ-SP disse que o processo tramita em segredo de justiça, e que não poderia passar detalhes. Porém, A Tribunateve acesso à sentença da juíza Elizabeth Lopes de Freitas, da 4ª Vara Criminal de Santos. O documento diz que o cardiologista de 79 anos molestou uma das pacientes dele dentro do consultório, no bairro Encruzilhada, em Santos, em maio de 2017. No caso da outra vítima, ocorrido no mesmo ano, o documento afirma que o médico tentou constrangê-la, com violência, para que tivesse relações sexuais. No primeiro caso, a vítima, que na época tinha 56 anos, relatou ter ido ao consultório para entregar exames de rotina. O médico analisou as avaliações e, ao se despedir da paciente, deu a volta pela mesa e a segurou pelos braços. O médico deu um beijo na mulher, a impediu de sair, e ainda lambeu a orelha dela. No segundo caso, a vítima, que é deficiente auditiva e na época tinha 19 anos, fazia exames para poder passar por cirurgia pela terceira vez. Ela afirmou que teve que tirar a blusa e o sutiã, e colocar um avental com uma abertura na frente. O médico, então, ofereceu ajuda para a paciente descer da maca, pegou a mulher pelo braço, a abraçou e colocou as mãos nos seios dela. Ele também tentou beijá-la, porém foi empurrado. A paciente começou a se vestir, mas o médico disse que ela poderia se trocar na frente dele, e ainda tentou tirar o avental da cirurgia. A vítima gritou, terminou de se vestir e saiu rapidamente do consultório. Versão do médico Em Juízo, o acusado negou as práticas e relatou que há 18 anos não pode ter relações sexuais, porque passou por cirurgia de câncer de próstata. Também informou ser hipertenso e que os remédios que toma diminuem a libido. O médico ainda afirmou ter 52 anos de medicina e que nunca teve nenhuma queixa de pacientes. A reportagem procurou pela defesa do médico, mas o advogado disse que não comentaria as decisões judiciais.