[[legacy_image_82659]] Após ser colocada no rótulo da vacina contra a covid-19 da Janssen, a síndrome de Guillain-Barré ganhou repercussão e se tornou preocupação para muitas pessoas. No entanto, o médico infectologista de Santos, Ricardo Leite Hayden, de 68 anos, tranquiliza a população sobre o assunto: “A porcentagem é baixíssima e proporcionalmente menor do que outras vacinas usadas há anos, como a da gripe”, destaca. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Em entrevista à A Tribuna, o médico afirma que a síndrome deve ser vista e tratada de forma responsável, mas enfatiza a importância da vacinação coletiva para frear a circulação do coronavírus. “Os benefícios são significativamente maiores que os riscos apresentados”, relata Hayden. De acordo com o infectologista, a síndrome de Guillain-Barré atinge progressivamente os nervos periféricos do corpo, provocando geralmente formigamento nas extremidades acompanhado de dor leve, causando fraqueza: “A pessoa pode começar a ter dificuldade motora e ascendente a partir dos nervos periféricos do pé e das pernas. Pode ser ascendente ou não”, esclarece. O quadro, portanto, não é causado apenas por vacinas, já que a síndrome pode ser desenvolvida a partir de doenças infectocontagiosas, como ‘obra’ do próprio vírus. “Em epidemia de dengue, zika, chikungunya e até em epidemia de gripe. Tratei muitos pacientes de hepatite c e alguns também desenvolvem esse tipo de síndrome”, ressalta. No entanto, o profissional explica que a síndrome é tratável: “É possível fazer o uso de imunoglobulinas na forma de medicamentos e também há uma técnica que pode ser adotada nos bancos de sangue ou hemonúcleos”. Segundo Hayden, a técnica chamada plasmaférese faz uma espécie de ‘filtragem’ do plasma da pessoa: “E as substâncias que podem provocar a síndrome podem ser retiradas com essa técnica e tecnologia”. Desta forma, com apoio de fisioterapia, é possível uma recuperação total. Pós-vacina Na visão do médico, falta um pouco mais de orientação dos profissionais de saúde ao público no momento da aplicação do imunizante. “Sobre reportar-se a unidade de saúde caso sinta algo, pois há pessoas absolutamente qualificadas para atender qualquer evento da vacina”, explica. Desta forma, Hayden relata que a população deve se atentar a sinais e entrar em contato com algum hospital caso sinta algum evento adverso. “Qualquer agravo de qualquer natureza com respeito à vacina precisa ser atendido prontamente e reportado às autoridades de saúde do município”, destaca o médico. Segundo o infectologista, os sinais da síndrome chegam em forma de formigamento, dor e eventualmente limitação de movimentação de pés e pernas. Porém, ele relembra que nos Estados Unidos foram registrados 100 casos em 12 milhões de vacinados. “O que a gente tem de informação a respeito disso mostra que tem uma porcentagem que chega no máximo a alguma coisa de 0,01 a 0,1%”, enfatiza. Os casos costumam aparecer cerca de duas semanas após a vacinação, com predomínio no sexo masculino com a faixa etária a partir de 50 anos. No entanto, há casos reconhecidos um pouco mais tardiamente, de 30 a 40 dias após a aplicação do imunizante. De acordo com o médico, a síndrome pode ser desenvolvida após outras vacinas, mas aparecem de forma mais repetida na da Janssen: “Segundo as agências que cuidam desse tipo de atendimento é como uma possível associação, sem estabelecer se há uma relação causal”. De forma rara, também aconteceram alguns casos após a vacina da AstraZeneca, mas segundo Hayden, foram de um a dois casos reportados no mundo inteiro. “O que se tem ligado é que são os imunizantes que possivelmente usam os vírus vetores de resfriado na formulação”, relata. Para o profissional, é essencial que as pessoas conheçam sobre a síndrome de Guillain-Barré e a ‘ligação’ em relação aos imunizantes contra a covid-19 para incentivar a vacinação e frear a disseminação do coronavírus. “Eu sozinho e vacinado não consigo ter o efeito protetivo, para isso, os demais também precisam estar vacinados. É o efeito somativo que pode diminuir ou parar a circulação do vírus”, finaliza.