[[legacy_image_91229]] O Conselho Regional de Medicina (Cremesp) tornou inativo o registro profissional do médico Walter Nei Nascimento, nesta sexta-feira (13). Conforme apurado por A Tribuna, o órgão levou 16 dias para deixar de permitir o exercício da profissão de Nascimento, desde a publicação do acórdão que confirmava a condenação do cardiologista, no fim de julho deste ano. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Segundo o portal do Cremesp, o registro de Nascimento está "interditado cautelarmente" desde esta sexta-feira. A expressão é utilizada quando o Conselho avalia que o médico deve perder, temporariamente, o direito de exercer a medicina. Em nota enviada nesta sexta, o Cremesp confirmou que o médico está interditado cautelarmente e que avalia cada uma das denúncias contra o profissional individualmente. Ainda segundo o Conselho, informações sobre sindicâncias e processos ético-profissionais são sigilosas e disponibilizadas somente às partes envolvidas ou a seus procuradores. Nascimento já havia deixado de realizar consultas pela Unimed Santos, plano pelo qual atendia. Na última quarta-feira (11), a Cooperativa disse não ter como excluí-lo como médico cooperado sem o parecer dos órgãos competentes. Protesto contra penalidade 'branda' Representantes do movimentos feminista da Baixada Santista protestaram, nesta sexta, ao prédio onde funciona a sede do Conselho Nacional de Medicina, por considerarem branda a pena estipulada para o cardiologista, resumida ao pagamento de multas, após condenação em segundo grau pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Um grupo de 11 pessoas repudiou a forma como a mulher é colocada em um lugar de silenciamento e subserviência", diz a nota do coletivo. A representante do coletivo feminista Maria Vai com as Outras, Dida Dias esteve no protesto nesta sexta e orienta parece que mulheres que tenham sido abusadas por outros médicos também denunciem. "Na medida que uma tem coragem pra denunciar, outras vítimas também aparecem", reflete Dida. O advogado criminalista Paulo de Jesus concorda com o grupo e também considera branda a pena ser apenas pagamento de multa. "As leis no Brasil só são pensadas considerando aumento de casos, não de forma global. A Lei Maria da Penha surge com um caso, a Lei do Stalking, também. Não pensamos o crime de maneira geral", afirma. "A palavra da vítima, em casos de abuso, tem de ser muito valorizada. Mas a pandemia ajudou a esconder esses casos, porque acompanhantes não são permitidos durante os exames", conclui Jesus, que considera importante, para a vítima e para o médico, ter pessoas que presenciem possíveis situações de abuso. As denúncias A Tribuna teve acesso ao acórdão do processo de duas vítimas, cujas denúncias resultaram na condenação do médico na Justiça. O profissional foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e deverá pagar indenização de R\$ 10 mil a uma delas. A sentença, da juíza Elizabeth Lopes de Freitas, da 4ª Vara Criminal de Santos, afirma que o cardiologista molestou uma de suas pacientes, de 56 anos, dentro do consultório, no bairro Encruzilhada, em Santos, em maio de 2017. O médico deu um beijo na mulher, a impediu de sair, e ainda lambeu a orelha dela. No caso da outra vítima, ocorrido no mesmo ano, o documento mostra que o médico tentou constrangê-la, com violência, para que tivessem relações sexuais. Ela afirmou que teve que tirar a blusa e o sutiã, colocar um avental com uma abertura na frente e foi pega pelo braço. Ele a abraçou, colocou as mãos nos seios dela, e ainda tentou beijá-la. Outras duas mulheres que também disseram ser vítimas do cardiologista procuraram pela reportagem nesta semana. Na denúncia mais recente, feita em junho deste ano, uma mulher de 53 anos registrou boletim de ocorrência contra o médico, em que diz que teve os seios apalpados. A máscara dela teria sido removida e Nascimento a teria tentado beijar a força pelo menos três vezes. Outra vítima ouvida pela reportagem, com 66 anos, disse em entrevista à A Tribuna que o episódio envolvendo ela e Nascimento ocorreu em novembro de 2015. O médico teria pedido para que ela removesse o sutiã, colocou as mãos nas pernas dela, e tentou beijá-la. Outro lado Em Juízo, o acusado negou as práticas das duas vítimas que o processaram e relatou que há 18 anos não pode ter relações sexuais, porque passou por cirurgia de câncer de próstata. Também informou ser hipertenso e que os remédios que toma diminuem a libido. O médico ainda afirmou ter 52 anos de medicina e que nunca teve nenhuma queixa de pacientes. A reportagem procurou pela defesa de Walter Nei Nascimento, mas o advogado do profissional respondeu, ao longo desta semana, que não comentaria as acusações. Nesta sexta-feira, A Tribuna conseguiu contato. [[legacy_image_91230]]