Trecho próximo à praia no Canal 4, da Avenida Siqueira Campos, entre Embaré e Boqueirão: há queixas (Vanessa Rodrigues/ AT) Marca registrada de Santos, os canais que deságuam no mar têm sido alvo de reclamações de moradores e comerciantes, especialmente mais perto da orla. Queixas ouvidas por A Tribuna na quinta-feira se referem ao mau cheiro das galerias, recorrente e mais forte após dias chuvosos. É o que diz a comerciante Rafaella Souza, de 39 anos. Ela, que trabalha em um quiosque ao lado do Canal 6, na Ponta da Praia, conta que o mau cheiro incomoda os clientes. “As pessoas chegam a ir para o outro lado porque não conseguem comer. O cheiro vem forte e isso nos preocupa, até porque trabalhamos com comida.” O odor não atrapalha só os comerciantes, mas também quem gosta de frequentar a praia. “O cheiro é bem desagradável, tanto para nós, moradores, quanto para os turistas. Na praia, queremos sentir apenas o cheiro do mar”, diz o pigmentador Kauã Karasiak, de 39 anos. O aposentado Márcio Lucena, de 56 anos, afirma que é possível sentir o mau cheiro em todos os canais. O odor mudou a rotina de suas caminhadas diárias. “Estou indo cada vez mais longe (dos canais) para não sentir esse cheiro, que é muito ruim”, revela. Até quem é de fora estranha o cheiro. É o caso da cuidadora de idosos Maria José Martins, de 67 anos. Ela, que é de Martinópolis, no Interior de São Paulo, e está em Santos para visitar uma amiga, relata ter sentido cheiro desagradável ao passar próximo ao Canal 4. “Percebi desde o dia em que cheguei aqui. É uma pena.” Ações Em nota, a Prefeitura de Santos disse haver ações voltadas à limpeza dos canais. Uma delas, o Programa Detecta, com apoio da Sabesp, para combater a contaminação dos canais com esgoto clandestino. Segundo o Município, no ano passado houve 527 vistorias em imóveis e se identificaram 34 irregularidades de responsabilidade da concessionária de água e esgoto — 31 de redes saturadas e uma de rede radial extravasando — e 19 relacionadas a equipamentos e outras irregularidades de imóveis particulares — nove de esgoto na rede pluvial e duas de caixa de gordura vencidas. Neste ano, fizeram-se cerca de 300 vistorias, com 72 notificações para a Sabesp corrigir problemas como esgoto na rede pluvial (21), redes saturadas (17) e radiais extravasando (três). A Prefeitura emitiu 31 intimações à empresa. Ainda conforme a Prefeitura, em um ano e meio de programa, coletaram-se 332 amostras de água das galerias de águas pluviais que deságuam nos canais. Elas acusaram a presença de poluentes oriundos de casas e comércios. De forma complementar, o Município está reinstalando dez barreiras flutuantes nos canais de drenagem, para barrar resíduos descartados irregularmente, a fim de que não cheguem ao mar. Ainda: exceto aos domingos, a Secretaria de Prefeituras Regionais limpa os canais, com raspação e capinação manuais e com desassoreamento mecanizado, baseado em vistorias técnicas ou depois de fortes chuvas ou ressacas. Sabesp A Sabesp, em nota, afirma atuar em conjunto com a Prefeitura em vistorias nas galerias de águas pluviais, a fim de providenciar reparos, quando necessário. Informa, porém, que as inspeções nas galerias e nos canais de drenagem da água da chuva não cabem à empresa. “As instalações do sistema de esgotamento sanitário de Santos funcionam de forma adequada, com os esgotos coletados sendo devidamente direcionados ao tratamento”, menciona. Para contato e pedido de vistorias, a Sabesp mantém os números 0800-055-0195, com ligação gratuita, e o WhatsApp (11) 3388-8000, só para mensagens de texto. Serviço A população pode registrar problemas ou pedir serviços na Ouvidoria Pública Municipal, de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. Contatos: o telefone 162, o site santos.sp.gov.br/ouvidoria ou, pessoalmente, no Paço Municipal (Praça Visconde de Mauá, s/nº, térreo, das 10h às 16h). A Prefeitura ressalta que é proibido despejar resíduos nas praias, nos passeios, jardins e logradouros públicos, nos canais e terrenos. A multa pode variar de R\$ 150,00 a R\$ 1 mil. Rafaella: clientes se distanciam (Vanessa Rodrigues/AT) Kauã quer só o cheiro do mar (Vanessa Rodrigues/AT) Márcio caminha em outro ponto (Vanessa Rodrigues/AT) “Uma pena”, diz Maria, do Interior (Vanessa Rodrigues/AT)