O edifício é protegido pelo Condepasa, com com Nível de Proteção 2 (Alexsander Ferraz/AT) O Edifício Enseada, localizado na Avenida Bartolomeu de Gusmão, na Ponta da Praia, em Santos, é um dos prédios mais marcantes da orla da cidade. Construído na década de 1950, ele leva a assinatura de João Artacho Jurado, que não tinha formação acadêmica, mas se destacou como empreendedor e projetista. De frente para o mar e com estrutura imponente, o edifício se tornou referência na arquitetura residencial santista. O prédio é protegido pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa) com Nível de Proteção 2 (NP-2). (veja fotos mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a Prefeitura de Santos, "o NP-2 corresponde à proteção integral do patrimônio construído em seus aspectos externos, aplicável a imóveis que possuem relevância histórica, cultural, artística, arquitetônica ou urbanística". Na prática, isso significa que devem ser preservadas as características externas do edifício, como volumetria, fachadas, cobertura e elementos construtivos ou decorativos que compõem sua arquitetura. Intervenções são possíveis, desde que respeitem essas características. Com 15 andares e 228 apartamentos, o Enseada surgiu em um período de forte crescimento imobiliário. A cidade passava por um processo de verticalização, e a construção de prédios altos começava a mudar de forma definitiva a paisagem da orla. A expansão da Ponta da Praia Na década de 1950, Santos vivia uma fase de desenvolvimento acelerado. A Ponta da Praia começava a se consolidar como área residencial valorizada, e o Edifício Enseada teve papel importante nessa transformação. Um prédio que virou atração Implantado em frente à baía, o prédio foi projetado para aproveitar ao máximo a vista para o mar e a ventilação natural. A localização privilegiada foi um dos fatores que contribuíram para seu sucesso e para a valorização do entorno. No livro Artacho Jurado - arquitetura proibida, de Ruy Eduardo Debs Franco, há o relato de histórias contadas por moradores segundo as quais, nos primeiros anos após a inauguração, navios que chegavam à barra de Santos reduziam a velocidade para que passageiros fotografassem o prédio. -edifício enseada em santos (1.504309) Arquitetura pensada para convivência O Enseada não foi concebido apenas como um prédio de apartamentos. A proposta de Artacho Jurado era oferecer um modelo de moradia que incentivasse o convívio entre os moradores. O edifício conta com 11 elevadores, um número expressivo para a época, além de áreas comuns amplas, jardins e espaços destinados à convivência social. Essa preocupação com ambientes compartilhados antecipou características que hoje são comuns em condomínios modernos. Internamente, o edifício também se destaca pela organização espacial em torno de um vazio central vertical, que estrutura a circulação e cria um efeito visual de profundidade. Elementos como escadas helicoidais, galerias internas e aberturas zenitais na cobertura reforçam o caráter plástico e experimental da arquitetura. A fachada apresenta elementos decorativos e uma composição que se destaca na paisagem da orla, reforçando a identidade própria do prédio. Seu tamanho e sua presença visual chamam atenção até hoje entre as construções da região. A ligação de Artacho Jurado com Santos começou em 1939 (Reprodução) Quem foi Artacho Jurado João Artacho Jurado nasceu em 1907 e construiu carreira como empreendedor no setor imobiliário. Apesar de não ter cursado arquitetura, desenvolveu projetos por meio de sua empresa, a Monções Construtora e Imobiliária S/A, trabalhando com apoio técnico de profissionais habilitados para atender às exigências legais. Sua ligação com Santos começou em 1939, quando venceu o concurso para projetar a Feira do Centenário da Cidade de Santos, evento que marcou sua projeção profissional. Além do Edifício Enseada, Artacho Jurado também deixou no Município outro exemplar residencial associado ao seu nome: o Edifício Verde Mar, reforçando a presença do autor na paisagem urbana santista. Na década de 1940, com o crescimento industrial e urbano de São Paulo e o início do processo de verticalização da cidade, Jurado ingressou no mercado imobiliário e na construção civil. Sua atuação foi marcada por ousadia estética e por uma visão voltada ao mercado. Durante décadas, seus edifícios foram alvo de críticas de arquitetos mais tradicionais. Com o passar do tempo, porém, passaram a ser reconhecidos como parte importante da história da arquitetura brasileira.