[[legacy_image_356237]] As obras de drenagem que estão sendo feitas na Rua João Pessoa, em Santos, têm levado motoristas que trafegam por essa via a rotas alternativas, que dificilmente seriam adotadas não fossem as interdições viárias. Novas rotas levam a novos cenários urbanos, que exibem comércios diferentes e que impressionam. Um deles fica no número 89 da Rua Doutor Cochrane, quase esquina com a João Pessoa, no Paquetá. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A placa diz: marcenaria artesanal. A fachada chama atenção porque evidencia um cuidado visual que contrasta com o restante da quadra, onde a poeira dos caminhões ofusca os imóveis fechados ou destinados a atividades retroportuárias, oficinas e depósitos. O interior da loja chama atenção ainda mais. Logo na entrada, uma placa: “Toda conquista começa com a decisão de tentar”. A proprietária da MDR Designer Rústicos é Ana Virgínia de Souza, de 53 anos, que sempre conquistou novos espaços quando decidiu tentar. Já foi operadora de caixa, faxineira e manicure, e há quatro anos resolveu montar no imóvel da família uma pequena marcenaria, onde ela e os filhos Diego e Danilo confeccionavam móveis e objetos sob encomenda. “Vendíamos sempre pelas redes sociais, mas notei que alguns clientes queriam visitar a loja, ver o material e o que produzíamos aqui. Então, coloquei a marcenaria mais para o fundo da loja e abri espaço para um mostruário”. Pronto: estava montada a loja que chama a atenção de quem passa pela Doutor Cochrane. [[legacy_image_356238]] RecicladosNo showroom estão objetos rústicos feitos com madeira reciclada, mas com opções para todos os ambientes de uma casa ou loja: banquinhos estofados, mesa com cadeiras, sofá, floreiras, prateleiras de parede e de chão, divisórias, balcão, porta-temperos e todo tipo de objeto que sai das mãos de Ana Virgínia. “É um trabalho prazeroso, e estou fazendo cursos para me aperfeiçoar”. A marcenaria também recebe encomendas maiores, como dormitório, móveis para sala e estantes, tudo feito na parte do fundo da loja. “Usamos madeira reciclada, mas se o cliente pede madeira de lei ou pinus, a gente compra e faz também.” BelezaApesar do movimento pesado de caminhões que passam na rua e da natureza das atividades vizinhas ligadas ao retroporto, Ana Virgínia diz encontrar beleza no ambiente. “Não tem lugar feio ou bonito. A beleza é a gente que faz.” O movimento do caixa é feito pelas vendas on-line e pelas presenciais também, especialmente de marinheiros que desembarcam para conhecer a região e sempre acabam comprando no comércio local. Para dar conta dos pedidos, a artesã já tentou capacitar moradores em situação de rua que ficam na quadra onde está a loja. “Alguns até começaram a aprender e trabalhar, mas acabam faltando ou não cumprindo as obrigações. Eu sozinha não consigo tirá-los dessa situação. Acho que, se houvesse um olhar diferente para esse público, conseguiríamos, sim.”