No encontro em Santos, que foi até este sábado (13), foi apresentado panorama da situação atual, prognósticos e medidas para frear o problema (Matheus Tagé/AT/Arquivo) Das embalagens de alimentos aos aparelhos eletrônicos, o plástico está presente em todos os momentos da vida moderna. Mas os mesmos materiais que facilitam o cotidiano também dão origem a uma preocupação invisível: os microplásticos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Diante de um problema que especialistas consideram impossível de eliminar a curto prazo, pesquisadores reunidos no 1º Simpósio Internacional de Microplásticos em Ecossistemas Aquáticos (Simpea), em Santos, no litoral de São Paulo, discutiram soluções para reduzir a poluição e aprender a conviver com o material de forma sustentável. “Se há um poluente hoje que representa as atividades humanas, esse poluente é o plástico”, destaca o professor e pesquisador da Unifesp e da Unisanta, Camilo Dias Seabra Pereira. O plástico permanece no ambiente entre 100 a mais de 450 anos. Ao longo do tempo, ele se fragmenta em partículas menores que cinco milímetros: o microplástico, que já foi encontrado em rios, oceanos, solo, organismos marinhos e até no corpo humano. Diretor-presidente do Instituto EcoFaxina, William Rodriguez Schepis explica que, por atuar como transportadores de contaminantes, o microplástico absorve poluentes e se concentra em organismos vivos, como os peixes, por exemplo, chegando ao ser humano. Já há pesquisas que apontam impactos negativos na saúde em médio e longo prazos, notadamente no sistema endócrino e no metabolismo. Apesar dos avanços científicos, os especialistas ressaltam que ainda há muitas lacunas sobre os impactos do microplástico na saúde humana. “Ainda existem muitas perguntas sem resposta”, afirma Lukas Kurzweig, pesquisador da Universidade de Ciências Aplicadas de Dresden, na Alemanha. Problema global Kurzweig alerta que o alcance da contaminação é global. “O que observamos é que o lixo plástico continua se degradando em partículas cada vez menores e nós realmente não conseguimos mais controlar isso”. Para o pesquisador alemão, como não é possível abrir mão do plástico, o caminho passa pela redução de uso desnecessário e pela adoção de alternativas mais sustentáveis, como embalagens biodegradáveis. Seabra avalia que políticas públicas podem ajudar a ampliar o acesso a essas soluções sustentáveis. “É uma questão de, talvez, o governo começar a subsidiar outro tipo de material que possa substituir o plástico, com preços competitivos”, sugere. Schepis, por sua vez, destaca a recuperação de áreas degradadas, a ampliação do saneamento básico e a adoção de medidas que impeçam a chegada de resíduos e efluentes aos estuários, como ações essenciais para combater não apenas a poluição por microplástico, mas também de outros tipos de poluentes. Origem Desenvolvido no início do século 20 e popularizado a partir da década de 1920, o polímero revolucionou vários setores da sociedade. Segundo estimativas da agência ambiental da ONU, a produção global de plástico pode alcançar 1,1 bilhão de toneladas até 2050, caso as tendências atuais sejam mantidas.