Surfista se assustou com mancha escura na praia de Santos (Arquivo pessoal/Dario Chemerinski) Uma mancha escura com espuma esverdeada que surgiu no mar entre os canais 1 e 2, em Santos, litoral de São Paulo, no domingo (7), chamou a atenção de quem passava pela orla ou estava na praia. A mancha, que durou até terça-feira (8), pode causar dúvidas sobre a qualidade da água e os riscos ambientais que ela oferece. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O economista e surfista Dario Chemerinski, de 63 anos, mora há três anos no bairro Pompeia e costuma surfar entre três e quatro vezes por semana. Mas, no domingo, decidiu ficar fora da água. “Evitei pegar ondas esse dia todo. Fiquei assustado de ver os surfistas tão perto da mancha”, contou. Ele observou o mar entre 16h e 17h e notou que, além da coloração estranha, havia uma espuma verde se formando. “Não era um cheiro forte ou fedido, mas era diferente. Lembrava algo vegetal, meio amargo”, disse Dario. Segundo ele, a mancha permaneceu visível durante todo o dia e chegou a se deslocar com a correnteza, alternando entre os canais 1 e 2. O economista também afirmou que nunca tinha visto algo parecido. “Foi a pior mancha nesses três anos em que moro aqui. Há um mês, teve muita alga, mas nada como isso.” O que diz um especialista Para entender o fenômeno, A Tribuna conversou com o biólogo marinho Eric Comin, que explicou que o aparecimento desse tipo de espuma pode ter causas tanto naturais quanto antrópicas, quando são provocadas por ação humana. “Muitas vezes, isso acontece quando há ressaca. A agitação das ondas promove a separação de materiais, como gorduras naturais presentes em organismos marinhos e vegetais”, explicou. Segundo o especialista, esse processo é chamado de flotação, uma reação físico-química que separa partículas sólidas de diferentes densidades, formando a espuma. “Também pode ser resultado da floração de algas, estimulada por condições climáticas e oceanográficas — o que é comum no verão”, contou o biólogo. Porém, ele alertou que a presença de efluentes e matéria orgânica pode acelerar esse tipo de fenômeno. “O esgoto é um dos principais agentes potencializadores. Ele pode causar redução de oxigênio na água e provocar a morte de organismos marinhos. A gente ama o mar, mas também precisa estar atento. Não dá para arriscar sem saber o que está ali”, acrescentou. Órgão responsável O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), responsável por fiscalizar e monitorar manchas no mar, informou que não recebeu comunicado algum a respeito da situação, e os grupos que o Ibama integra para monitoramento de incidentes com óleo na Baixada Santista também não tiveram a ocorrência relatada.