[[legacy_image_308802]] Depois de dois alunos serem diagnosticados com coronavírus, a mãe de uma aluna da Unidade Municipal de Ensino (UME) Professor Pedro Crescenti relata estar com medo de mandar a filha para a escola por conta da falta de cuidados preventivos que os funcionários estão tomando para evitar a disseminação do vírus. A UME, que fica na Avenida Brigadeiro Faria Lima, no Rádio Clube, atende crianças da pré-escola até o ensino fundamental I. A Reportagem entrou em contato com a mãe de uma aluna na terça-feira (31) e a dona de casa de 39 anos diz que a filha é asmática o que faz com que tenha medo de levá-la para a escola. “Um filho de uma amiga passou mal e ficou internado. Chegou a ser entubado e ficou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Inclusive, o próprio irmãozinho dele, de 6 meses, também acabou contraindo. Fiquei sabendo que ele fez o exame e constatou que era covid-19 e outra criança, também da mesma escola, está com a doença. É uma vizinha aqui”, conta. A dona de casa relata que a diretoria da escola demorou dias para notificar os pais sobre os casos de covid na unidade. Quando questionada pela mãe sobre as medidas sanitárias que seriam adotadas, ela relembra ter sido informada pela administração que apenas recomendariam o uso do álcool em gel e o uso de máscaras seriam por conta dos responsáveis orientarem as crianças. “Eu fui na escola para dar um recado da mãe do menino, para avisar que a criança estava internada, e a outra mãe que teve a filha com o Covid agora foi na escola. Foi passado que nada poderia ser feito, porque dois casos não é surto. Isso que foi falado na escola”, ressalta. Como mãe de uma criança com problema respiratório, a dona de casa teme que mais crianças estejam contaminadas e sejam assintomáticas, causando a transmissão do vírus na unidade. “As crianças têm contato com outras crianças e se eles (administração da escola) não fizeram o papel deles, como fica?”. Foi nesta terça-feira (31) que os pais foram alertados sobre a doença com uma placa no portão da unidade, comenta a mulher. Aviso que só foi colocado após as mães discutirem com a diretoria. Por conta disso, e de uma pintura que irá acontecer na unidade durante a semana, ela cita ter assinado uma declaração de que a filha não frequentaria as aulas neste período. Cresceram em 243% o número de casos de covid em menores de idade em cidades da Baixada Santista em outubro, em comparação à setembro. “Além da covid, estão fazendo uma pintura na escola com todas as crianças na escola. O cheiro de tinta é muito forte, minha filha é asmática, então prefiro deixar ela em casa. Ela já tem um problema de saúde, tanto que eu mesma por conta levei ela no médico e fiz o teste (de covid). Graças a Deus, deu negativo, mas corremos o risco”. Prefeitura nega A Secretaria de Educação (Seduc) de Santos esclareceu que, de acordo Programa Saúde na Escola, não há necessidade de suspensão de aulas na UME Pedro Crescenti em decorrência de casos de covid-19. Sobre os casos abordados, a Seduc reforçou que foram registrados dois casos recentemente: o primeiro caso, relatado à equipe gestora da UME no dia 25 de outubro, com a entrega de relatório médico e notificado aos setores competentes, e o segundo caso chegou ao conhecimento da escola na última segunda-feira (30). “Quanto aos cuidados necessários face às duas notificações isoladas, a UME vem seguindo as medidas informadas no protocolo divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde, como por exemplo, a disponibilização de álcool em gel nas dependências da escola, sabonete líquido, papel toalha, entre outros”, ressaltou em nota. A Seduc também informou ter realizado uma reunião na terça-feira (31), entre os pais de alunos, supervisora de ensino e a equipe gestora da unidade. Nela, a secretaria disse que foi reforçado que é facultado aos pais o uso de máscaras faciais pelos seus filhos nas dependências da escola. Bem como, nas reuniões semanais, feitas com funcionários, equipe de limpeza e professores, onde a Administração relatou que a equipe está sendo relembrada sobre os protocolos sanitários, assim como a orientação de que sejam evitadas aglomerações. Já sobre a pintura da escola, a Seduc rebateu que está sendo seguido um cronograma de manutenção das escolas, porém a pintura tem sido realizada prioritariamente aos finais de semana. “Quando há necessidade de realizar o serviço nos horários das aulas, os alunos são realocados em outras salas, para maior segurança”. Sobre a reclamação da mãe de uma aluna, a Seduc destacou que até a última terça-feira nenhuma mãe havia relatado possíveis transtornos causados pelo suposto cheiro da tinta dentro da unidade.