Núcleo Vila Nova de Jornada Ampliada tem sido alvo de reclamações de pais após problemas envolvendo o cuidado de crianças e alunos (Divulgação/Prefeitura e Arquivo Pessoal) A administradora do Núcleo Vila Nova de Jornada Ampliada (extensão da UME José Bonifácio), em Santos, é novamente alvo de reclamação após problemas envolvendo o cuidado das crianças na unidade. A mãe Simone Roza está processando a entidade e fez um boletim de ocorrência (BO) contra a Associação de Amor à Criança Arcanjo Rafael, responsável pelo núcleo, depois de seu filho, de 12 anos, quebrar o dedo pé ao ser deixado sozinho em sala de aula pela professora. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em uma reportagem anterior de A Tribuna, uma outra mãe, que não quis se identificar, também havia alegado outro problema com a escola. O filho dela, de 6 anos, foi agredido ao ser arrastado pelo chão dentro da unidade em 28 de maio deste ano. Na data, a criança chegou em casa relatando que sentia fortes dores nas costas. Ao levantar a camisa, a mãe viu que ele estava com marcas de arranhado. Até agora, ninguém sabe o culpado pelo que aconteceu. Aluno deixado sozinho Simone contou que, no dia 7 de fevereiro deste ano, seu filho foi para o projeto no período da manhã e à tarde ia para Unidade Escolar Municipal (UME) José Bonifácio. “Durante uma das oficinas, meu filho tropeçou em algo embaixo do carpete (caixas do tipo plug de tomada), na mesma hora, ele começou a chorar de dor e pediu para me ligar”, conta a mãe. A mãe disse que a criança contou que a professora só falou para ele sentar e esperar, mesmo estando com dor durante a manhã toda. Ela explicou que a criança não conseguia apoiar o pé no chão e que não ligaram para avisá-la. “Na mochila, há três números de telefone, eu sou uma mãe presente na escola. Inclusive faço parte do conselho. Então a minha revolta é enorme”. Por conta do ocorrido, a mãe passou mal de tanto nervoso, porque, segundo ela, além do menino não ter tido socorrido, ele teve que ir caminhando do projeto até a escola. Mesmo tendo quebrado um dos dedos, nenhum dos monitores o socorreu. De acordo com a mãe, o Núcleo Vila Nova não fez nada para ajudar seu filho. “Foram outros dois alunos menores que seguraram meu filho e ajudaram. Só chegando na escola (UME José Bonifácio) que a inspetora da escola viu e me ligou imediatamente”, explicou Simone. Apesar disso, a funcionária da escola não sabia explicar o que havia acontecido, até porque o acidente teria ocorrido no programa de Jornada Ampliada. “Ele tem 12 anos e chorava de nervoso. Também não sabia me dizer (o que havia acontecido), então peguei ele e vim para casa”, explica a mãe. Ela notou o pé do menino muito inchado e por isso o levou ao Pronto-Socorro da Zona Leste. Lá foi constatado que ele quebrou o dedo do pé. “Ouvi do próprio ortopedista que foi uma lesão grave e ele não podia, de forma alguma, colocar o pé no chão, e ele permaneceu com gesso por um mês”, explica a mãe. Segundo Simone, ela foi até a associação cobrar uma resposta. “Eu estava muito nervosa e ouvi da mulher da portaria a seguinte frase: resolva na escola porque não temos nada com isso. Ela não perguntou nem mesmo se meu filho estava bem, não me deu contato de ninguém”. A mãe disse que, quando uma criança se machuca, é feita uma intercorrência ou comunicado. Porém, segundo ela, nada foi feito. “Apenas dias depois do acidente me disseram que eu tinha que assinar (um documento) sobre o acidente e eu me recusei, porque isso deveria ser feito no ato e não dias depois”, criticou Simone. Ela fez o boletim de ocorrência e entrou com uma ação contra a associação. Funcionário também reclama Um funcionário, que não quis se identificar, contou que a organização social vem causando muitos problemas e dor de cabeça tanto para pais de alunos como para os próprios trabalhadores dela. Ele conta que são várias ocorrências dentro das unidades administradas pela Associação de Amor à Criança Arcanjo Rafael. Entre os problemas estão crianças sendo maltratadas e a prática de bullying. Isso, de acordo com funcionário, acontece porque a maioria dos colaboradores não tem qualificação, sem haver um setor pedagógico dentro do núcleo. O funcionário diz que relatórios e e-mails da insatisfação dos pais já foram enviados à Secretaria de Educação (Seduc) diversas. Mas até agora, nada foi feito. Ele também alega que os alunos dessa unidade são obrigados a fazer jornada ampliada, o que pela lei é proibido, já que só é obrigatório no ensino regular. Processo A mãe entrou com um processo com pedido de danos morais contra Associação de Amor à Criança Arcanjo Rafael, em virtude do seu filho no Projeto Arcanjo Gabriel. No documento, o requerente coloca que, quando a professora se ausentou da sala de aula, deixou os alunos sozinhos no 5º andar. O menor veio a tropeçar em um ferro escondido embaixo do carpete, sendo que ele relatou que estava com dor e não foi atendido na escola. A mãe alega ter sido constatado que o menor quebrou o dedo do pé, devendo ficar afastado da escola por, no mínimo, 30 dias. Prefeitura A Secretaria de Educação de Santos (Seduc) informou que o acidente com o referido aluno ocorreu no Núcleo Vila Nova de Jornada Ampliada, sob responsabilidade da entidade Associação de Amor à Criança Arcanjo Rafael, no período da manhã, no início das aulas, em fevereiro deste ano. Segundo a Seduc, o aluno chegou com dores na UME José Bonifácio, no início da tarde, quando a família foi informada do ocorrido pela equipe gestora da unidade. Logo que foi informada sobre o acidente com o menino, a escola "tomou todas as providências cabíveis". A administração pública ainda ressaltou que os educadores da entidade que presta serviço no contraturno escolar recebem orientação por escrito sobre condutas para atendimento de qualidade dos alunos da Rede Municipal de Educação. A Seduc, atenta a esses casos, já está acompanhando e apurando as ocorrências neste núcleo. Defesa da associação A Tribuna tentou entrar em contato com a defesa da associação e o proprietário dela, mas até a publicação desta matéria, ambos não foram localizados.