Familiar de estudante alega não ter ido a local de prova por conta dos alagamentos da última terça-feira (4) (Alexsander Ferraz/AT) As fortes chuvas da manhã da última terça-feira (4) em Santos teriam impedido um estudante de 16 anos de fazer o exame da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Pública (Obmep), criada em 2005 para estimular o estudo da matemática e identificar talentos na área. Porém, a família do estudante tem uma série de queixas a respeito de uma suposta pressão da ETEC Escolástica Rosa, em Santos, com punições, para que os alunos fizessem o exame, que não é obrigatório. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “A prova, em si, não é o mais importante. O que mexeu com ele e com todos foi a punição que a escola elaborou se não fossem fazer a prova. Era uma prova facultativa que se tornou obrigatória e com peso altíssimo diante das penalidades previstas a quem não estivesse presente”, afirma a mãe do estudante, a bacharel em Direito Luciana de Abreu Torres, de 48 anos. Um print distribuído em um grupo de pais, o qual A Tribuna teve acesso, diz que a Obmep “(...) Valerá como instrumento de avaliação para todos os componentes; faltou, são seis faltas e NA (sem avaliação)”. “Em um Conselho de Classe, isso tem um peso enorme. Depois do meu escândalo, eles tiraram a questão da menção e do não-avaliado, mas mantiveram as faltas. Fizeram terrorismo, meu filho teve crise de ansiedade à noite. A questão é que impediram quem não chegou de manhã fazer à tarde”, relata. Sem aviso Ela se queixa que o horário de início da prova era às 8 horas, conforme regulamento da Obmep. Mas que, para alguns estudantes, o acesso às 8h30 foi liberado. A bacharel em direito insiste que não havia condições de que o estudante chegasse nesse horário, além de que a mudança não teria sido comunicada nos grupos de pais. O pedido de prova à tarde também foi negado pela direção da ETEC. “Se eu soubesse antes que tinha alterado o horário, conseguiria chegar à ETEC, pois foi justamente na hora em que a chuva parou. Não houve aviso para todos os pais. Decidiram na porta deixar entrar quem estava lá”, alega. Organizadora De acordo com o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), responsável pela prova, ele “não se responsabiliza por quaisquer impedimentos na aplicação ou na correção das provas de Primeira Fase pelas escolas participantes, tais como greves, ocupações ou outras intempéries de qualquer natureza, inclusive em circunstâncias de caso fortuito e força maior". A informação consta do item 4.4.15 do edital. Em nota, o Impa acrescenta que “(...) Trata-se de um evento em escala nacional, com 18,5 milhões de participantes em mais de 50 mil escolas em todo o país. O papel da organização é o de distribuição do material e supervisão. A responsabilidade pela aplicação na primeira fase é das escolas participantes, que se comprometem a observar o regulamento da competição”. Centro Paula Souza Em nota, o Centro Paula Souza afirma que “lamenta os transtornos causados pelas chuvas desta terça-feira (4) aos alunos da Etec Dona Escolástica Rosa e informa que o acesso à unidade foi permitido até as 8h. O exame da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) foi aplicado a 431 estudantes, seguindo o calendário dos organizadores da competição. A participação na prova é facultativa e não haverá prejuízos acadêmicos aos estudantes que se ausentaram do exame”.