[[legacy_image_149102]] Há mais de cinco décadas vendendo frutas no Mercado Municipal de Santos, dona Odete Ferreira, de 83 anos, já foi personagem de muitas reportagens. Mas, pelo menos nos últimos 10 anos, o assunto costuma ser negativo: a degradação do local. A permissionária do boxe 20 conta que, hoje, somente amigos aparecem para alguma compra. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Acompanhei a fartura do Mercado. Antigamente isso aqui era cheio, para encontrar um espaço era a coisa mais difícil. Agora acompanho a miséria, não tem mais cliente, só alguns amigos. Tem dia que eu não vendo um centavo, mas continuo pagando meus impostos”, diz Odete. A situação é fácil de explicar. Dentro e fora do Mercado Municipal, na Vila Nova, o estado é de abandono, cenário que espanta qualquer visitante. Ao redor os usuários de drogas tomam conta, e dentro só restaram dois boxes de frutas abertos. Dona Odete, porém, não perde a esperança de ver o espaço revitalizado. “Estou esperando que reformem, porque o Mercado é a minha vida, são 53 anos aqui. Essa reforma já está atrasada há 20 anos. Agora já falaram (que começaria) em agosto (de 2021), que ficou para janeiro (de 2022) e agora sei lá que ano. Mas eu acredito muito que vai sair, tenho fé em Deus. E aí vai ficar maravilhoso, vai valorizar e os clientes vão voltar”, se alegra ela. [[legacy_image_149103]] O sonho da comerciante vai ao encontro de uma promessa feita pela Prefeitura: a reforma total do prédio, ao custo de R\$ 10 milhões. A Administração Municipal promete que a primeira licitação pública para fazer a obra, que será em duas etapas, sai até março. Depois de iniciado o serviço, a previsão é de que tudo seja concluído em até 20 meses, o que deve se arrastar até 2024. O prazo dado agora é diferente do anunciado em maio de 2021, quando o projeto foi apresentado. Na época, a Prefeitura prometeu concluir os trabalhos até o final de 2022. Em nota, a Administração justifica o atraso afirmando que “foi uma estimativa inicial” e que o trâmite contempla várias etapas. Projeto De acordo com o projeto, o local será remodelado e revitalizado, atraindo investimentos e maior interesse comercial e turístico para a região central da Cidade. Inaugurado em 1902 e com arquitetura atual de 1947, o chamado Novo Mercado Municipal vai reunir um mix de negócios focados no comércio tradicional e na economia criativa, diz a Prefeitura. O espaço deve contar, na parte térrea, com restaurantes e 18 boxes, com peixaria, hortifrúti, açougue, diversos, temperos, bebidas, laticínios e padaria. Já na parte superior (mezanino), a previsão é ter um café, uma varanda e 18 boxes, com exposições, salão de beleza, venda de joias e artesanato, estúdios de tatuagens e piercing, além de espaços para co-working, atelier, antiquário e suvenires. ExecuçãoA Prefeitura explica que processo burocrático para a realização das obras está em andamento. O projeto executivo já foi entregue pelo Grupo Comunitas, parceiro do projeto, e inclui a parte estrutural, elétrica e hidráulica. O documento está sendo analisado pela Secretaria de Infraestrutura e Edificações (Siedi). O dinheiro para a execução é do Fundo de Desenvolvimento Urbano de Santos (Fundurb). Durante a primeira etapa dos serviços será lançada a licitação para a segunda fase. Desta forma, terminando uma etapa começa a outra. “Destacamos que o projeto executivo inclui melhorias do entorno, entre elas uma estação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e uma nova estação das catraias. Vale frisar que a área das embarcações é tombada, por isso é necessário um estudo mais cauteloso”. Permissionária do box 6 há duas décadas, Marilene Santos, de 55 anos, também acredita na reforma. “Estou empolgada, já tem muita gente procurando espaço aqui. Agora é ter paciência”. Fábrica de cervejas funciona, mas não atende público Uma das novidades previstas para o Mercado Municipal já está funcionando: a primeira fábrica de cerveja artesanal instalada no Município. A Prefeitura diz que o empreendimento, de 420 metros quadrados, da companhia Everbrew, integra o projeto de revitalização e começou a funcionar em dezembro de 2021. Porém, a fábrica não atende ao público. A expectativa dos proprietários é conseguir um box dentro do Mercado, após a reforma, para vender a cerveja. “Atualmente ainda não é possível fazer atendimento ao público por conta da questão social do entorno. Hoje vendemos nossa cerveja apenas no nosso Pub (bar), no Canal 4. Mas queremos ter um ponto aqui, para trazer turistas e melhorar a região da Vila Nova”, diz um dos donos da fábrica, Célio Ongaro Júnior, de 38 anos. [[legacy_image_149104]] Antes da revitalização, a empresa está planejando eventos aos sábados, a cada 15 dias, na fábrica. “Eu, como cervejeiro, e meu sócio vamos fazer um tour guiado com as pessoas pela fábrica, mostrar o processo produtivo e fazer um serviço de degustação”, explica ele. Aluguel Os donos da Everbrew venceram concorrência pública com o maior lance para a locação da área, que fica ao lado da entrada principal do Mercado, em espaço separado. O acordo de R\$ 7,1 mil por mês tem validade de cinco anos, prorrogáveis por mais cinco. Célio afirma que a produção está a todo vapor, com cervejas enviadas para todo o Brasil e previsão de exportação para China e Holanda. “Temos todas as licenças que precisávamos e vamos contratar mais funcionários, passando de oito para doze”, completa o proprietário.