[[legacy_image_254979]] Prestes a completar 80 anos, em 18 de abril, o Lar das Moças Cegas, na Vila Mathias, em Santos, quer ser ainda mais conhecido pela comunidade. Parece uma ironia, levando-se em conta a tradição e a fama da instituição também longe da Cidade. Afinal, são mais de 120 funcionários e 380 pessoas atendidas gratuitamente por mês, sendo 220 na Educação e o restante distribuída na Saúde e no Serviço Social. Mas não é. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “É o melhor presente que podemos receber. Todo mundo sabe que ficamos na esquina da Avenida Ana Costa com a Rua Carvalho de Mendonça. Mas conhecer aqui dentro... Não tem uma pessoa que, quando entra, não se impressione com tudo o que fazemos aqui”, afirma o presidente Carlos Antonio Gomes, o Calucho, no cargo há 38 anos. O pai, Carlos Inocêncio Gomes, ficou 25. Embora a programação para o aniversário ainda seja mantida em sigilo por Calucho, em razão da data mais do que especial, algo ele não esconde: a entidade está pequena para os serviços oferecidos. “Cada dia é necessário fazer um puxadinho ou cortar alguma sala para transformá-la em duas. Estamos ficando sufocados”, conta Calucho. Um prédio de cinco andares na Rua Pará em um terreno do próprio Lar e atrás da atual sede foi planejado em reuniões constantes envolvendo as necessidades dos coordenadores de cada área. Não se trata, no entanto, de algo com prazo definido para se transformar em realidade. “O mercado imobiliário está aquecendo. E estou preparado para que, daqui a algum tempo, precise fazer negócio com o local onde estamos. Não vou vender para ninguém que não seja construtor, para que possa oferecer a contrapartida, que seria erguer esse prédio à entidade. Aguardamos sem estarmos apavorados. Sem querer, dá mais certo”, explica o presidente. Despesa e receita Apesar do tamanho físico da sede necessitar de ampliações, o Lar das Moças Cegas foi crescendo de outras formas para manter e ampliar os serviços. A despesa mensal é de R\$ 1 milhão, que consegue ser quitada com sobra. Eventos, parcerias, projetos (18 aprovados nos últimos cinco anos) e recursos de pessoas físicas, jurídicas e governamentais, além das parcerias com apenas as prefeituras de Santos - esta última considerada fundamental por Calucho - e de Guarujá - as outras cidades da Baixada Santista também são atendidas. “Não aceito dinheiro de nenhuma pessoa enquanto ela não conhecer totalmente a entidade. Sabe por quê? Porque, se ela conhecer, vai dar o dobro que havia pensado. Se ela passar apenas no caixa e deixar a quantia, não vai haver sentimento”, justifica o presidente. [[legacy_image_254980]] Equipe multidisciplinar garante assistência em várias áreas O Centro Especializado em Deficiência Visual, responsável pelos atendimentos de Saúde no Lar das Moças Cegas, inicia a triagem dos pacientes que entram na entidade e dispõe de equipamentos modernos de diagnóstico. O setor conta com equipe multidisciplinar e oferece os seguintes serviços: oftalmologia, ortóptica, fisioterapia, psicologia infantil e adulto, terapia ocupacional, fonoaudiologia, orientação e mobilidade, enfermagem, estúdio de pilates e sala de exames. Para dar entrada, são necessários laudo médico e encaminhamento. Depois de avaliar o tratamento mais adequado ao paciente, cada uma das profissionais analisa as condições dele e se existe a necessidade de atendimento pedagógico vinculado. Educação Já o Centro de Educação e Reabilitação para Pessoas com Deficiência Visual, responsável pela área da Educação, trabalha mais de 40 atividades, individuais ou em grupos, com pedagogos especializados nas seguintes áreas do conhecimento: música, linguagem, matemática, educação física, ciências humanas, ciências da natureza e intervenções pedagógica e educativa. Dessas, três atividades são essenciais para iniciar o desenvolvimento: alfabetização e aprendizado no Sistema Braille (leitura e escrita), orientação e mobilidade (locomoção com independência e segurança), e atividades da vida autônoma e social (autonomia para executar atividades cotidianas). Neste setor, os alunos têm acesso a três capacitações profissionais: culinária, informática e telefonia. Serviço Social Por fim, o atendimento da equipe de Serviço Social trabalha na melhoria da qualidade de vida do assistido com base nas políticas públicas sociais. É responsável por realizar parte da triagem inicial, quando é feita a análise socioeconômica dos pacientes e familiares. O setor trabalha com: acolhimento, escuta qualificada, acesso ao mundo do trabalho, atendimento aos colaboradores, acesso à concessão de benefícios, apoio à família na função protetiva, encaminhamentos à rede de serviços públicos, visitas domiciliares, hospitalares e institucionais, e promoção de acesso aos direitos socioassistenciais. A intenção é proporcionar atividades necessárias para o desenvolvimento do assistido, de modo a obter o aproveitamento de habilidades, evitar o isolamento social, fortalecer a construção da autonomia, proporcionar equidade, excluir violações de direitos e fortalecer o papel protetivo da família. Leia também:Valéria e Elisângela, exemplos de superação do Lar das Moças Cegas, em Santos