Não há pressa para quem quer contemplar a paisagem e descansar da correria de outros pontos de Santos (Vanessa Rodrigues/AT) Em um dia ensolarado de férias escolares, bastou atravessar a entrada da Lagoa da Saudade, no Morro Nova Cintra, para perceber que ali o tempo corre em outro compasso. Crianças ocupavam o playground e se refrescavam nas fontes interativas, tutores passeavam com seus cães e aposentados caminhavam sem pressa ao redor da água. Patos deixavam a água para passear tranquilamente entre os visitantes, sob o voo de mergulhões e outras aves que transformam o cenário em um dos recantos mais verdes de Santos. Com cerca de 20,5 mil metros quadrados, a lagoa reúne equipamentos para atividades físicas, bancos para descanso, espaço para pesca, uma ponte que leva a um trecho preservado de Mata Atlântica e a Gruta de Santa Sara Kali, considerada a primeira do Brasil dedicada à padroeira do povo cigano. Mas, atenção: placas alertam para a presença de piranhas e jacarés na lagoa. Há também quiosques com churrasqueiras e mesas de alvenaria, que podem ser utilizados gratuitamente mediante reserva antecipada na Administração Regional dos Morros, e fazem do espaço um ponto de encontro frequente para famílias nos fins de semana. No alto do morro, a Lagoa da Saudade atrai frequentadores de diferentes bairros — e até de outros países. O alemão Nikolas Volkmir, de 32 anos, mora em Nova Cintra e conheceu o espaço com a mulher. Atualmente, a filha Beatriz, de 5 anos, faz da lagoa uma extensão de casa. “Ela adora. Nós passamos aqui todos os dias e ela fica brincando. Nesta quarta-feira (22) mesmo eu vim fazer churrasco”, comenta. Para ele, que está há 3 anos na Baixada Santista, o local oferece algo cada vez mais raro nas cidades. “É um lugar bacana para conhecer, principalmente com crianças, se gosta de fazer algum esporte, andar de skate ou fazer um churrasco com a família.” A metros dali, a moradora do Saboó Viviane Valero do Nascimento, de 40 anos, aguardava a filha Manuella, de 10, na aula gratuita de skate na Vila Criativa Radical. Ela já morou ali e faz questão de voltar com frequência. Segundo ela, a filha participa das aulas há quase um ano e criou vínculo com o espaço. “Ela está de férias. Aí, tem bastante aluno. Para tirar ela daqui é bem difícil”, conta. Refresco nas fontes interativas é um dos divertimentos de crianças que frequentam os 20,5 mil m² do local (Vanessa Rodrigues/AT) A técnica de enfermagem Rubia Basso, de 52 anos, conhece bem essa sensação. Moradora de Nova Cintra há 13 anos, ela transformou a caminhada diária com a cadela Sophia em um ritual. Entre um passeio e outro, aproveita a academia ao ar livre, pratica ioga, medita, conversa com vizinhos e observa o movimento da lagoa. Há quem carregue uma relação ainda mais antiga com o lugar. O aposentado Ronaldo Pereira da Silva, de 60 anos, e a companheira, Terezinha Correa, de 74, frequentam a lagoa desde o namoro, há mais de três décadas. Moradores da Pompeia, fazem questão de incluir o passeio na rotina semanal. “Isso aqui é sagrado, é toda semana. A gente dá uma volta, faz alguma coisa, senta no banco e antes do almoço dá uma passada por aqui. O ar é diferente”, resume Silva.