[[legacy_image_338649]] O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo determinou que a Companhia Piratininga de Força e Luz (CPFL) restabelecesse com urgência a energia de um prédio localizado na Rua Pindorama, no bairro Boqueirão, em Santos. O caso aconteceu após a concessionária se recusar a realizar a substituição medidor e deixar todo o condomínio sem eletricidade. Nesta quinta-feira (29), alguns moradores conversaram com a reportagem de A Tribuna e contaram que, por conta do problema, chegaram a ficar mais de 8h sem energia em todo o edifício, com paralisação de elevadores e bombas de água. A decisão foi proferida pelo juiz Frederico dos Santos Messias da 4ª Vara Cível de Santos. Nela, foi determinado que em até 24 horas o fornecimento de energia fosse reestabelecido, bem como a substituição do relógio, sob pena diária de R\$ 3 mil até o limite de R\$ 9 mil em caso de descumprimento. A Justiça ainda determinou que a concessionária preservasse o medidor retirado, em caixa própria, devidamente lacrada na presença do síndico do condomínio, para eventual e futura perícia. A determinação foi expedida na última segunda-feira (26). ContextoDe acordo com a petição protocolada pela advogada do condomínio, o local havia contratado uma empresa para realizar a troca das instalações elétricas do condomínio, desde a entrada do poste onde ficam os relógios marcadores, fios e cabos, até a entrada dos apartamentos e fiação dos elevadores. Para isso, foi elaborado um projeto elétrico para instalação do novo centro de medição, novas prumadas dos apartamentos, construção de uma nova caixa de entrada, quadro administrativo, quadro de disjuntores hall e quadro de bombas, bem como quadro do elevador. O documento afirma que a empresa contratada para tal serviço, elaborou o projeto e o enviou para aprovação da CPFL. Diante disso, a concessionária teria realizado uma vistoria e aprovado o projeto no dia 19 de fevereiro, viabilizando o seguimento dos trabalhos. No entanto, no dia 23 de fevereiro, durante uma manutenção no prédio, foi verificado que um dos medidores estava com defeito. Com isso, a CFPL foi acionada e compareceu ao local e efetuou uma ação emergencial para reestabelecer a energia da área comum do prédio, que seria imprescindível para o uso de elevadores, bombas de água e internet. No entanto, ao trocar o medidor, a agentes da concessionaria alegaram que não seria possível, pois os parafusos estavam muito apertados e não teriam parafusadeira para realizar o trabalho. Conforme detalhado na petição, na última segunda-feira (26), logo pela manhã, a empresa contratada para realizar o projeto foi até o condomínio e afrouxou os parafusos citados. Após isso, novamente a CPFL foi acionada para realizar o serviço solicitado anteriormente, mas se recusou a fazer a troca do medidor, pois alegou os serviços realizados eram irregulares, as instalações eram inadequadas e que não havia nenhum projeto aprovado. O síndico do prédio teria tentado resolver a situação de forma amigável, visto que no local residem idosos e pessoas que trabalham em home office e necessitam da energia para passar o dia, por isso a religação do medidor seria de extrema importância. No entanto, os agentes não aceitaram as alegações e foram embora, suspendendo o fornecimento de energia do edifício. ImpactosPor conta do problema, o prédio teria ficado cerca de 8h sem energia, que só foi reestabelecida após o cumprimento da determinação judicial por parte da concessionária. Durante esse tempo, o edifício ficou com os elevadores parados, assim como as bombas de água, além de toda a energia e internet do prédio. A advogada, Marilia Martins Madeira, de 41 anos, trabalha no modelo home office e conta que que teve problemas por ficar sem a sua principal ferramenta para trabalhar. “É desgastante, pois sofremos pressão do ambiente de trabalho, quando esses imprevistos acontecem. O descaso ficou evidente e percebemos que a equipe foi despreparada para a solução do problema e atendimento do chamado”, comenta. Quem também teve que ficar incomunicável, foi a aposentada Marina Fonseca Augusto, de 78 anos. Ela relata que mora sozinha e durante o período que ficou sem energia, não conseguiu pedir ajuda para ninguém, pois nem o interfone funcionava. “Estou saindo de uma gripe e precisava, mas não tive coragem, pois não tinha elevador. Estava deprimente a situação de incerteza. O que nos salvou foi essa medida judicial”, avalia. O aposentando Zurval, mora no 3º andar do prédio e por conta de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) que sofreu em 2016, necessita do elevador para subir ao apartamento. Neste dia da falta de energia, ele tinha chegado de São Paulo e precisou subir as escadas para chegar ao imóvel. “O bom é que estão sendo feitas melhorias no prédio, mas foi bem difícil. Uma situação complicada, pois moro sozinho, então também não tinha ninguém para me ajudar em casa”, afirma. A reportagem de A Tribuna procurou a CPFL para se posicionar sobre o caso. Em resposta por meio de nota, a concessionária apenas informou que irá cumprir com as determinações judiciais.