O depoimento de João e os documentos sobre o episódio estão preservados no acervo sobre OVNIs do Arquivo Nacional (Reprodução/ Memória Santista) Durante décadas, o advogado e professor João de Freitas Guimarães caminhou pelas ruas de Santos, no litoral de São Paulo, levando consigo uma história que atravessou gerações. Respeitado na cidade da Baixada Santista, onde viveu boa parte da vida, lecionou Direito e atuou na Justiça do Trabalho, e ganhou projeção nacional ao afirmar que, em uma noite de 1956, embarcou em um disco voador em uma praia de São Sebastião, no litoral de São Paulo. Setenta anos depois, o episódio continua cercado de mistério e permanece preservado nos arquivos oficiais do país. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso voltou a despertar curiosidade recentemente depois que um influenciador gravou luzes consideradas incomuns sobre uma área de mata no Paraná. As imagens, registradas da varanda de sua casa, viralizaram nas redes sociais e reacenderam as discussões sobre possíveis Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs). Em meio à repercussão, um dos relatos mais conhecidos da ufologia brasileira voltou a ser lembrado. Embora a suposta viagem nunca tenha sido comprovada, o depoimento de João e os documentos produzidos sobre o episódio seguem preservados no acervo sobre OVNIs do Arquivo Nacional. Os registros foram publicados em 1975 no Boletim Especial da Sociedade Brasileira de Estudos de Discos Voadores (SBEDV) e hoje podem ser consultados no órgão, vinculado ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. João morreu aos 87 anos em Santos, cidade onde viveu com a família durante boa parte da vida. Além de advogado, foi professor do curso de Direito da Universidade Católica de Santos (UniSantos) e exerceu a função de juiz presidente da Junta de Conciliação e Julgamento da Justiça do Trabalho de Santos. Viagem de trabalho virou relato extraordinário Era 16 de junho de 1956 quando João deixou Santos com destino ao Fórum de São Sebastião, para cumprir compromissos profissionais. A viagem, porém, não saiu como planejado. Ao chegar após o horário previsto, precisou adiar os compromissos para o dia seguinte. Sem ter o que fazer naquela noite, hospedou-se em um hotel. Depois do jantar, resolveu caminhar pela praia, sem imaginar que aquele passeio entraria para a história da ufologia brasileira. Por volta das 19h15, enquanto observava o mar, conforme relatou, viu um enorme jato d'água. Pouco depois, segundo seu relato, um equipamento coberto por esferas emergiu das águas e começou a se aproximar. O objeto pousou e, de acordo com os documentos, dois homens saíram por uma abertura da estrutura. João os descreveu como "altos, claros, louros, tinham olhos claros e serenos" e vestidos com uma espécie de macacão verde. Segundo seu relato, eles pareciam humanos. Tentando entender a situação, João perguntou se havia acontecido algum acidente com o equipamento ou se procuravam alguém. Como não recebeu resposta, repetiu as perguntas em francês, inglês e italiano. Ainda assim, ninguém falou uma única palavra. João afirmou que os homens pareciam se comunicar por telepatia e que foi dessa forma que entendeu estar sendo convidado a entrar no objeto voador. De acordo com ele, havia um terceiro tripulante no interior da nave. A viagem Depois de entrar no equipamento, o professor e advogado, conforme relatou, sentiu um ligeiro mal-estar. Pouco tempo depois, percebeu água do lado de fora da janela e perguntou se estava chovendo. Segundo seu depoimento, recebeu telepaticamente a resposta de que não. Ainda de acordo com o relato, os tripulantes passaram a explicar como funcionava o equipamento, falando sobre gravidade, rotação e direção da nave. Em determinado momento, o veículo começou a sacudir com força. Os seres teriam explicado que aquele movimento acontecia porque a nave acabara de deixar a atmosfera da Terra. João disse que, durante todo o percurso, tentou descobrir de onde os tripulantes vinham. Apesar de perguntar diversas vezes, conforme ele contou, nunca obteve qualquer resposta. Ao retornar ao solo, percebeu que seu relógio havia permanecido parado durante toda a experiência. Pela própria percepção do tempo, calculou que permaneceu entre 30 e 40 minutos dentro do equipamento voador. Mais abaixo, há o relato original registrado pelo advogado e preservado no Arquivo Nacional, documento que detalha a experiência narrada por ele. Reencontro para o ano seguinte Segundo os documentos históricos, antes do fim da viagem, João teria combinado um novo encontro com as criaturas. A data escolhida seria 12 de agosto de 1957, no mesmo local e horário. Conforme seu relato, o compromisso foi definido por meio de 12 constelações. Uma roda indicaria o ano, enquanto o número 8 lhe deu a ideia de que o encontro aconteceria no mês de agosto. Apesar do combinado, o reencontro nunca aconteceu. Com a enorme repercussão que o caso alcançou, João decidiu não comparecer ao local marcado. Na época, curiosos e ufólogos organizaram caravanas para tentar encontrar os supostos extraterrestres. Alguns chegaram a relatar ter visto a nave passando por São Sebastião. Poucos dias antes da data prevista, o professor também afirmou ter recebido um contato de um coronel da Aeronáutica Brasileira. Segundo ele, o militar fez um alerta: "Eu, se fosse você, não iria a esse encontro. Terei lá dois esquadrões de caça a jato para receber o disco voador". Confira o relato detalhado do que o advogado afirma ter visto durante o passeio na suposta nave: DENTRO DO DISCO VOADOR O indivíduo que ia à frente alcançou a parte inferior da nave e nela subiu facilmente, segurando-se à escada com uma de suas mãos, enquanto que ele, o advogado, precisou o auxílio de ambas as mãos. Reentrado do disco, aguardando-os, estava um terceiro tripulante. Fechada a porta, o engenho decolou. Nesse momento, mesmo sentindo um ligeiro mal-estar, o professor notou que havia água nas vigias. "Está chovendo?" — perguntou. Sempre telepaticamente foi-lhe dito que não se tratava de chuva. Aquela água era proveniente da rotação em sentido contrário das peças que compunham a nave. Explicaram-lhe que, contornando a cosmonave, havia um dispositivo de filtração de raios, o qual tinha a propriedade de fazer o semivácuo em qualquer uma das suas partes. Observou o causídico que, durante toda a viagem eles só permaneceram num único compartimento, não notou que havia outros, e também iluminados. Através da vigia, viu o Dr. Guimarães que passavam por uma zona intensamente escura, onde os astros brilhavam de maneira extraordinária. Sucediam-se regiões enzameadas de estrelas, que cintilavam com incomparável fulgor. Seguiam-se novas zonas escuras. Atravessaram depois uma camada violeta fulgurante e, nessa ocasião, sentiu que o aparelho se sacudia fortemente. Como demonstrasse receio, disseram-lhe "que a nave acabara de deixar a atmosfera da Terra". Durante a viagem, o advogado perguntou, várias vezes, de onde eles eram originários, mas não obteve resposta. Não sabe por que razão não desejavam identificar-se. Reparou que havia no compartimento onde se encontrava um painel de forma circular, no qual oscilavam três agulhas, muito sensíveis. Segundo foi-lhe explicado por um dos tripulantes, o aparelho "era conduzido no sentido da resultante da composição das forças magnéticas naquele lugar". Ao regressarem, notou que seu relógio estava parado, mas calculou em 30 ou 40 minutos o tempo em que estiveram em vôo.