[[legacy_image_167636]] O esporte é um aliado emocional e físico capaz de tirar pessoas de situações precárias e transformar a vida financeira e social de alguém. Foi isso que aconteceu com Lucas Barbosa, de 24 anos, que logo na infância se viu praticamente órfão e sem esperanças na vida. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! À Reportagem de A Tribuna, o jovem de Santos contou que sua trajetória não foi fácil, já que nasceu em uma família sem privilégios financeiros. Ele, o pai e a mãe viviam em um quarto na Área Continental de São Vicente com muitas adversidades, mas o jovem afirma que a família passava por elas com leveza e cabeça erguida.Na época, com 9 anos de idade, sua infância era divertida e agitada na região em que morava. "O 'Lucas criança' se divertiu muito. Eu jogava bola, basquete e ria bastante com meus amigos do bairro. Sempre me movimentei e amei esportes", conta. Porém, aos 10 anos, a vida ficou sem brilho para o jovem. Barbosa perdeu a mãe para o suicídio, após complicações emocionais e psicológicas. Ele afirma que, neste momento, ficou sem estruturas, já que seu pai acabou virando alcoólatra após a morte da esposa. O rapaz dizque ficou 'no fogo cruzado' em meio da trágica situação e se viu entre a rua e a marginalidade. Embora seu emocional estivesse abalado, Lucas seguiu os ensinamentos de sua mãe e não se deixou levar pelo momento vulnerável e frágil em que se encontrava. Ele começou a trabalhar logo cedo entregando panfletos, sempre priorizando a humildade, caráter e bondade que sua progenitora o ensinou. "Eu passava fome, já não tinha mais uma assistência dentro de casa. Comecei a me virar sozinho. Vim de um lugar periférico, mas tinha integridade. Não tive espaço para trabalhos registrados, então fui para os empregos informais" Após terminar a escola e se ver ainda sem estruturas para se manter em uma vida confortável, Barbosa decidiu ir para rodoviárias e pedágios da capital paulista para vender balas, biscoitos e pipocas."Eu tinha consciência que era uma coisa ilegal, mas precisava fazer aquilo. Cheguei a apanhar de policiais, que pegavam minhas mercadorias. Eu ficava debaixo de sol e chuva todos os dias, às vezes precisava comer as coisas que vendia para saciar minha fome". O esporte como fator transformadorApesar dos problemas financeiros e pessoais, Lucas não deixou de praticar atividades físicas, entre elas natação, corrida e musculação. O rapaz afirma que sente o esporte parecido com sua história: aguentar a dor e superar logo depois. "Minha vida foi isso. Dor, superação e viver o outro dia. É um ciclo". A história de Lucas começou a se transformar quando uma foto dele viralizou por meio de uma publicação em rede social. O post destacava a educação e amor por esportes do rapaz enquanto vendia as comidas na rua. [[legacy_image_167637]] A foto teve uma grande repercussão e chegou até Cláudio Miler, um atleta da região. Ele entrou em contato com Lucas o chamando para nadar no mar, já que é um lugar democrático para treinos. "No dia que ele fez o convite, eu fiquei bem envergonhado. Não tinha sunga, óculos e os objetos para mergulho. Ele me deu esses equipamentos e me ajudou", relembrou.Pela fome que passava, Lucas estava fraco e raquítico - condição causada pela falta de vitaminas -, Claudio passou a acompanhá-lo durante os dias para auxiliar seu desenvolvimento físico. A rotina começava às 4h30 da manhã, indo à praia de Santos e nadando sem parar, tanto no sol, quanto na chuva. Após estar preparado, Barbosa foi informado que iria para sua primeira competição e viu a necessidade de uma piscina para os treinos. Uma academia se sensibilizou pela história do jovem e abriu as portas para ele praticar. Por tamanha dedicação, o rapaz participou de suas primeiras competições e conquistou seus primeiros pódios. O arco-íris depois da tempestadeHoje, Lucas é nadador profissional da modalidade águas abertas, que é praticada em lugares sem bordas, como o mar. Orapaz afirma que o esporte mudou sua vida mental e emocional. "Sou muito grato. Continuo carregando minha bondade dentro de mim. O esporte é minha identificação, pois é duro e competitivo como minha história. Está no meu sangue", diz.Lucas teve sua história contada para diversos lugares do mundo. Ele teve o prazer de ter sua trajetória estampada na maior revista de natação da América Latina. A Fundação Pró-Esporte de Santos (Fupes), órgão responsável pelo gerenciamento do esporte de alto rendimento na Cidade, estava acompanhando o desenvolvimento do atleta - que, há duas semanas, obteve o melhor resultado da carreira, com o prêmio de primeiro lugar em uma competição de 10 km.O jovem vai receber auxílio financeiro para suporte ao esporte, além de poder usufruir de atendimentos psicológicos, nutricionais e fisioterápico. Ele também pode realizar mais uma conquista através de parcerias com universidades da região: fazer sua primeira faculdade. Consideração mútuaOs grandes apoiadores e auxiliadores de Lucas, Cláudio Miler e Márcio Latuf, salientam a admiração que sentem pelo jovem atleta. Hoje, eles cultivam uma relação de amizade e parceria, tanto no esporte, quanto fora dele."A demonstração de amor pela natação, a disciplina, o foco e a resiliência de Lucas me chamaram a atenção. Isso é muito importante no esporte de alto-rendimento, não tenho dúvida que irá evoluir muito mais. Ele tem tudo que um grande nadador deve ter", disse Márcio.Latuf conheceu Barbosa através de reportagens sobre 'o garoto que batalhava o dia todo vendendo balas para ajudar nas despesas diárias e que, por outro lado, amava o esporte e, principalmente, a modalidade águas abertas'. Atualmente, Márcio é treinador oficial de Lucas e afirma que é uma 'parceria que deu muito certo'. O 'padrinho' de Barbosa na natação, Cláudio Miler, aponta que o esporte fez nascer um 'novo Lucas'. Ele diz que o rapaz manteve a disciplina durante toda a jornada inicial e criou relações com um ótimo núcleo de pessoas que o ajudaram a evoluir."Hoje, o Lucas possui uma nova perspectiva de vida, graças ao esporte", conclui. [[legacy_image_167998]]