[[legacy_image_220935]] Vencedor do Prêmio Esso de 1985 por uma série de reportagens em A Tribuna sobre o desmatamento e o risco geológico na Serra do Mar, o jornalista Lane Valiengo, de 69 anos, morreu nesta terça-feira (8) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Leste, no Estuário em Santos. Ainda não há informações sobre causa da morte, velório e funeral. Nascido em São Paulo em 5 de janeiro de 1953, Luiz Augusto Lane Valiengo mudou-se para Santos com a família em 1967 e formou-se jornalista pela atual Universidade Católica de Santos (UniSantos) dez anos depois. [[legacy_image_220936]] Valiengo trabalhou em A Tribuna entre meados da década de 1970 e 1989. Notabilizou-se pelo caráter social de suas reportagens, nas quais evidenciava, com base em leituras, estudos e entrevistas com especialistas, ocorrências ambientais na Baixada Santista, a evolução na ocupação do território, a situação presente e perspectivas. Em 1985, juntamente com os jornalistas Leda Mondim e Manuel Alves Fernandes, venceu o Prêmio Esso com a série de reportagens cujo título principal era Catástrofe na Serra do Mar em 86. Essas matérias tinham por base um relatório confidencial, produzido cinco anos antes por técnicos da atual Companhia Ambiental do Estado (Cetesb), que mencionava a possibilidade, como dizia reportagem de 29 de maio de 1985, do “maior desastre ambiental de todos os tempos”, que poderia ocorrer já em 1986: o despencamento de rochas da serra, com danos ao Polo Industrial e as consequentes liberação de produtos tóxicos e corrosivos e mortes em potencial. Após deixar o jornal, Valiengo se dedicou à assessoria parlamentar. Por mais de 25 anos, atuou no gabinete dos então vereadores Adelino Rodrigues, Braz Antunes Mattos Neto e Evaldo Stanislau. Foi por iniciativa deste último que, em 2014, Lane Valiengo recebeu da Câmara de Santos o título de Cidadão Santista. No Legislativo, cuidou da redação de projetos de lei, requerimentos e discursos, mas se notabilizou por duas qualidades pessoais: por ser afável, solícito e torcedor do Juventus, time de futebol com o qual vibrava e sofria. Valiengo também foi professor universitário e trabalhou nos extintos jornais Diário Popular e Jacaré, foi produtor na Rede Globo, criou e produziu um programa de rock na extinta rádio 95 FM. O jornalista deixa três filhos e netos.