A Lagoa do Sapo Engraçado conta a história inusitada de um sapo cantante (Reprodução) Se o mundo é uma bola, futebol é verbo: por ele há criação – nos gramados e na Literatura. É onde Vladir Lemos, colunista esportivo de A Tribuna, se equilibra desde que optou por ‘jogar’ no Jornalismo – “fiz o curso porque gostava de escrever”, confessa. Com sete livros publicados, vai lançar o mais recente deles neste sábado (15), às 16 horas, na Livraria Realejo (Av. Marechal Deodoro, 2, Gonzaga, Santos). Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mas esqueça o futebol, por ora: Vladir vai lançar a primeira obra infantil de sua carreira, A Lagoa do Sapo Engraçado (EditoRia, R\$ 69,90). “Quando minha filha mais velha era pequena, gostava de criar histórias pra ela”, recorda Vladir. “Era um exercício bacana de imaginação pra mim e achava que aquilo ao mesmo tempo estimulava a imaginação dela, pois nem eu sabia muitas vezes onde essas histórias iriam dar”. Agora, uma delas deu em livro. Que, aliás, é ilustrado por um colega de Vladir na TV Cultura, Júlio Bento. “Ilustrar livro infantil é o desafio de revisitar a própria infância, ao mesmo tempo confrontar-se com as expectativas das novas gerações. E de pensar, ‘De que maneira podemos aprender com os livros?”, comenta Júlio. A Lagoa do Sapo Engraçado conta a história inusitada de um sapo cantante que agrada alguns animais da lagoa. Porém, há outros bichos que não gostam do seu canto. A pergunta: o personagem vai conquistar a todos com sua voz? “A narração do livro tentou ser simples. E o simples sempre é um desafio imenso. Também tive a preocupação de contar uma história que, mesmo fantasiosa, tivesse uma base real”, conta Vladir. A complexidade de uma pelada A quem se voltou ao Jornalismo na ânsia da escrita, é quase uma ironia ter construído uma bem-sucedida carreira na telinha, onde a forma do texto é bem específica e direcionada à imagem. Mesmo assim, após começar há mais de 30 anos na TV Tribuna e hoje ser diretor de esportes na TV Cultura, onde apresenta o programa esportivo Cartão Verde, a Literatura sempre esteve em seu caminho, ainda que atrelada ao futebol. De seus sete livros, quatro são sobre o ‘esporte bretão’ – como diziam os locutores de outras eras. Mas esqueça as táticas e sistemas de jogo: o futebol de Vladir é lírico, além das quatro linhas. “O Xico Sá dizia que não se interessava pela partida, mas pelo ser humano que está por trás. E é isso o que trago comigo: o espaço que o futebol ocupa na vida das pessoas”. Afinal, como dizia Nelson Rodrigues, “em futebol, o pior cego é o que só vê a bola. A mais sórdida pelada é de uma complexidade shakesperiana”. Na bola, na letra ou no humano, é essa complexidade o que fascina Vladir. “Por mais tática que haja, o futebol é cheio de acasos. É o retrato da vida”.