[[legacy_image_321318]] Santos, 10 de dezembro de 1966. A Praia do Gonzaga estava repleta de crianças entusiasmadas, como mostram as fotos do Acervo A Tribuna que ilustram esta página. Elas guardavam com grande expectativa a chegada da figura mais emblemática do Natal: o Papai Noel. Programada para as 17h30, a espera ainda se prolongou por cerca de 10 minutos, até que finalmente o simpático velhinho surgiu nos céus da Cidade, a bordo de um helicóptero do Primeiro Esquadrão de Instrução da Marinha de Guerra, equipamento vinculado à base de São Pedro, da Guanabara. O comando da aeronave estava a cargo do capitão-tenente Paulo César Souza Nogueira, que tinha como copiloto o capitão-tenente Antônio Hélio Setta. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! [[legacy_image_321319]] O evento transcorreu praticamente sem atrasos, notando-se, inclusive, uma generosa extensão de tempo em que o helicóptero sobrevoou outras áreas santistas, a baixa altitude, por cerca de 15 minutos. Tal manobra visava proporcionar às crianças dos bairros periféricos e dos morros, que não puderam comparecer ao Gonzaga, a oportunidade de avistar e admirar a figura do Papai Noel, que trajando roupas luxuosas, de cor similar ao couro, acenava efusivamente a partir do helicóptero da Marinha de Guerra. Enquanto o helicóptero que transportava o Papai Noel dava voltas emocionantes pela Cidade, outra aeronave semelhante procedia com o reconhecimento do local de pouso na Praia do Gonzaga. Um perímetro de mil metros quadrados ao redor do local foi garantido para a segurança tanto das aeronaves quanto da multidão entusiasmada que ocupava as proximidades. No entanto, assim que o helicóptero da Marinha pousou, um fato inesperado ocorreu: a empolgada criançada, tomada por um estado de êxtase, rompeu os cordões de isolamento e cercou o querido velhinho, dando início a uma confusão animada. Algumas crianças seguravam suas mãos com entusiasmo, enquanto outras, mais ousadas e curiosas, puxavam gentilmente sua barba para confirmar se era real. Com extrema dificuldade, o Papai Noel fez sua caminhada em direção a uma espécie de “iate ornamental”, denominado Tremendão, de onde partiria para um desfile pelas ruas da orla praiana. A Guarda Civil se esforçava para proporcionar a melhor cobertura ao astro do dia, garantindo sua segurança e o sucesso do desfile festivo. O desfileÀs 18h, teve início o desfile natalino ao longo da pista marítima da Avenida Vicente de Carvalho. A primeira atração a se movimentar foi a banda do 2º Batalhão de Caçadores do Exército, seguida pelo 6º Batalhão Policial da Força Pública. Em seguida, a imponente banda infantil da Refinaria Presidente Bernardes, ostentando seu suntuoso uniforme, cativou a atenção do público. A Fanfarra Mista do Ginásio Santa Cecília juntou-se ao desfile na altura do Canal 3 e, para encerrar com chave de ouro, a Fanfarra do Colégio Cruzeiro do Sul desfilou em grande estilo, proporcionando um espetáculo musical incrível. [[legacy_image_321320]] Notavelmente, o desfile foi concebido sem um cordão de isolamento na pista da praia, permitindo que as crianças se movimentassem livremente em direção ao seu querido amigo. Durante todo o percurso, foram atirados chicletes de bola pingue-pongue às crianças e adultos, numa generosa oferta da Kibon, resultando na distribuição de dezenas de milhares de tabletes. Chave da CidadeApós as performances das fanfarras do Santa Cecília e do Cruzeiro do Sul, que encantaram a todos, surgiu o esperado momento com a chegada do iate noelino. O grande protagonista do dia, descendo de uma carruagem alegórica, dirigiu-se ao palanque onde o prefeito Sílvio Fernandes Lopes lhe entregou simbolicamente a chave da cidade. Após saudar as crianças de Santos, Papai Noel transmitiu uma mensagem repleta de aplausos e reconhecimento em nome da população infantil. Luzes de NatalAo encerramento do desfile, pouco antes das 20 horas, o prefeito acionou a chave elétrica, dando vida a uma monumental vela instalada sobre a pérgula da fonte do Boqueirão. Em seguida, mais de cem árvores de Natal estilizadas e 220 estrelas suspensas ao longo da avenida da orla, da Ponta da Praia ao José Menino, foram iluminadas, transformando aquela parte da cidade em um espetáculo de luzes festivas. No Gonzaga, para marcar o ponto final do dia, um presépio foi inaugurado na Fonte Luminosa 9 de Julho, encerrando assim a cerimônia que marcou o início das festividades natalinas de 1966. Este evento ficou gravado na memória de muitas pessoas, por muitos anos, deixando uma lembrança duradoura e mágica do Natal na comunidade santista. Momentos triunfais por quase três décadasPor 27 anos, o Natal em Santos teve uma apoteótica entrada do Papai Noel, que abria as comemorações de final de ano chegando de aeronaves nas areias da Praia do Gonzaga. No primeiro ano, no entanto, o monomotor que seria utilizado para a grande aparição deu pane e Papai Noel e sua comitiva tiveram de ir por terra desde a Base Aérea até Santos. Nos anos seguintes, o Bom Velhinho chegou de avião até que, em 1960, os helicópteros passaram a ser utilizados, para a alegria da criançada. Esse transporte “mágico” foi utilizado até 1982, mas não de maneira ininterrupta. Em 1978, a Prefeitura chegou a suspender as descidas do Papai Noel de helicóptero na Praia do Gonzaga, por conta da segurança dos banhistas, cada vez em maior número nas praias santistas. Naquele ano, a chegada aérea do Bom Velhinho aconteceu no campo da Sociedade Esportiva do Nova Cintra, no morro. No ano seguinte, em 1979, o campo de pouso foi transferido para o Estádio Ulrico Mursa, da Portuguesa Santista. Contudo, em 1980, o Gonzaga voltou a ser o ponto de pouso do Noel, e assim foi até 1982, quando a desorganização do evento frustrou os santistas, fazendo com que já no ano seguinte, o Papai Noel oficial ficasse sem o transporte aéreo que tanta alegria proporcionou à garotada.