Luiz Eduardo morreu aos 23 anos (Reprodução/Memorial da Resistência e Divulgação/USP Imagens) Morto aos 23 anos durante a ditadura militar, o jornalista santista Luiz Eduardo da Rocha Merlino será homenageado e diplomado nesta segunda-feira (26) pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP). Outros 14 alunos, que também foram mortos, serão diplomados. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a USP, o evento faz parte do projeto Diplomação da Resistência e terá transmissão on-line às 15 horas de segunda (26). A cerimônia entregará diplomas honoríficos de graduação no Auditório Nicolau Sevcenko, que fica no Edifício Eurípedes Simões de Paula, dos Departamentos de Geografia e História da FFLCH, no bairro do Butantã, em São Paulo. Ainda conforme a universidade, a iniciativa faz parte de um projeto que visa homenagear ao todo 31 estudantes da USP e é fruto de uma parceria entre a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), Pró-Reitoria de Graduação (PRG), Gabinete da vereadora e ex-aluna da USP Luna Zarattini e o coletivo de estudantes Vermelhecer. História Com base no material do Memorial da Resistência, Luiz Eduardo da Rocha Merlino nasceu em Santos e desde cedo se envolveu em atividades políticas. Aos 17 anos, mudou-se para São Paulo e, um ano depois, integrou a primeira equipe de jornalistas do Jornal da Tarde. A partir desse momento, Merlino desenvolveu uma intensa carreira jornalística. Em 1969, envolveu-se em ações clandestinas contra a ditadura militar, continuando seu trabalho jornalístico sob o pseudônimo Nicolau. No início da década de 1970, participou do 2º Congresso da Liga Comunista em Rouen, na França. Durante sua estadia na França, colaborou com os jornalistas Bernardo Kucinski e Ítalo Tronca na organização de um dos primeiros livros que denunciavam a tortura de prisioneiros políticos no Brasil, intitulado "Pau de arara – La violence militaire au Brésil", que teve grande repercussão internacional. No dia 15 de julho de 1971, poucos dias após retornar ao Brasil, Merlino foi preso em Santos por agentes do Departamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI/SP) na casa de sua mãe. Mesmo diante da agressividade dos agentes, ele tentou acalmar sua mãe, Iracema, e sua irmã, Regina Merlino, dizendo que logo voltaria. Luiz Eduardo morreu em 19 de julho de 1971, mas a família só foi informada na noite seguinte. As autoridades alegaram que ele teria sido vítima de um atropelamento durante uma tentativa de fuga enquanto era transportado para o Rio Grande do Sul. Contudo, há evidências que contradizem essa versão oficial. Diversos presos políticos testemunharam que Merlino foi levado ao DOI-CODI/SP e submetido a uma sessão de tortura que durou cerca de 24 horas. Mesmo queixando-se de fortes dores nas pernas, consequência do tempo que passou no pau de arara (forma de tortura em que a pessoa tinha pés e mãos amarrados e ficava pendurada), Merlino foi deixado sem atendimento médico em uma cela. Leane Ferreira de Almeida relatou à Comissão Estadual da Verdade de São Paulo (CEV-SP) que viu Merlino sendo colocado no porta-malas de um carro, sem saber se ele ainda estava vivo. Acredita-se que Merlino foi levado ao Hospital Geral do Exército entre os dias 18 e 19 de julho, onde faleceu. Na década de 1990, a pedido da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, o laudo de necropsia de Merlino foi analisado pelo médico Antenor Chicarino. Ele constatou a presença de manchas roxas compatíveis com instrumentos de tortura, as quais não foram mencionadas no laudo original. Além disso, observou que as marcas de pneus, supostamente causadas pelo atropelamento, estavam localizadas em partes do corpo que deveriam estar protegidas por botas de couro, indicando a falsidade da versão oficial. Outro médico, Dolmevil, destacou inchaços e marcas compatíveis com tortura.