[[legacy_image_108456]] O procedimento inovador de implante de carapaça em um Jabuti, batizado de Freddy Krugger, garantiu a uma equipe composta por veterinários, um dentista e um designer 3D, uma menção no Guinness World Records de 2022, o livro dos recordes. O reconhecimento, coordenado por um veterinário de Santos, se deve ao ineditismo do trabalho, que permitiu a sobrevivência do animal, que teve 70% do corpo queimado, em 2016, após um incêndio no cerrado, em Brasília. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A operação de Freddy Krueger ocorreu em uma clínica na Ponta da Praia, em Santos, em 2016. Ah! Antes de continuar, é importante explicar que o nome dado ao jabuti é uma referência ao vilão do filme de terror A Hora do Pesadelo - a personagem também teve o corpo queimado. O médico veterinário de Santos, Roberto Fecchio, coordenou a equipe responsável pela cirurgia de Freddy. Ele conta que o animal chegou a ficar um ano em reabilitação, antes do procedimento de reconstrução da carapaça. Ele lembra que o jabuti foi resgatado em condições críticas, pois teve o casco destruído pelas chamas. A princípio, havia perdido 85% do casco, mas, depois, constatou-se que demais 15% também tinham sido comprometidos. [[legacy_image_108457]] Importância da CarapaçaFecchio ressalta que a carapaça é tão fundamental para o jabuti, quanto a pele é para os seres humanos. "É um órgão importante, que serve de proteção e dá sensibilidade. Não tê-la pode aumentar as chances de infecções e fazer com que ele (jabuti) tenha dificuldade para manter temperatura corpórea". Durante a recuperação, Freddy sofreu duas crises de pneumonia e ficou 45 dias sem comer. IneditismoA carapaça construída em uma impressora 3D e a técnica de implante do casco, em um animal que havia sido consumido pelas chamas, tudo isso referendou a equipe envolvida no projeto e na cirurgia ao livro dos recordes. "Foi o primeiro caso desse tipo e, por isso, o reconhecimento do Guinness", contou Fecchio à A Tribuna. O médico veterinário destacou, ainda, o desafio de "fazer uma grande prótese". Esta pesa 600 gramas e demorou 250 horas (o equivalente a mais de 10 dias) para sair da impressora. Os especialistas também se preocuparam com os elementos que seriam usados para confeccionar a carapaça, que, neste caso, é composta por materiais biodegradáveis e derivados de vegetais. Ela impede o desenvolvimento de alergia nos animais, segundo Fecchio. [[legacy_image_108458]] RemovívelUm outro desafio era desenvolver uma proteção removível ao animal, pois a equipe precisa "fazer manutenção" e "avaliar (a pele) embaixo do casco". "É como se fosse um Lego [brinquedo de encaixar]. A seleção do material para fazer isso foi complexa. A desvantagem do ineditismo era não ter em que se basear. Não tínhamos arquivos ou casos anteriores para podermos nos espelhar. Era muita dúvida", disse o veterinário. Apesar de toda a complexidade e das dúvidas naturais do ineditismo, a equipe obteve sucesso. Prova disso é que Freddy, há tempos, já voltou a Brasília, onde vive em uma chácara. À distância, o médico responsável pelo procedimento se mantém informado sobre Freddy. Fecchio planeja construir um novo casco para substituir o atual "Será necessário para examinar a pele do animal novamente", finaliza. [[legacy_youtube_tgDs2HfvzCM]] A equipe que recebeu o reconhecido no Guinness Book é composta pelos veterinários Roberto Fecchio, Rodrigo Rabello e Matheus Rabello, pelo designer 3D Cícero Moraes e pelo dentista Paulo Miamoto. Na lista de outros animais ajudados pela mesma técnica, estão um tucano que teve o bico reconstruído e uma arara que ganhou um bico feito de titânio, também impresso em 3D. [[legacy_image_108459]]