[[legacy_image_247358]] O intérprete de samba-enredo Ito Melodia tem vivido uma semana especial. A poucos dias de empunhar o microfone da tradicional escola Império Serrano na Marquês de Sapucaí, que homenageará Arlindo Cruz, ele pôde comemorar o bicampeonato da Unidos dos Morros, onde integrou o time de canto. Para ele, o momento é de celebrar. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O título da Morros abre uma semana especial, onde, no domingo, a Império Serrano abrir´ o Grupo Especial na noite de domingo. O enredo falará sobre o cantor e compositor, uma referência no samba e que sofreu um AVC em 2017. "É muita alegria junta. Além do bicampeonato, poder falar de um mestre como Arlindo Cruz é especial demais", resume. "Foi um desfile fantástico, um ajudando o outro. Todos numa humildade. Me deixam à vontade. Já tinha uma expetativa desde a pandemia. Quando escolhemos o enredo, sabíamos que iria emocionar muita gente, pela figura que é o Armênio Mendes. Já criou uma expectativa, mas superou todas", diz o intérprete. A relação de Ito Melodia com a Unidos dos Morros começou há quatro anos, quando a escola homenageou seu pai, Aroldo Melodia, um dos principais nomes da história do Carnaval carioca. Dali para passar a fazer parte do time de canto da escola foi um pulo, numa relação que se fortaleceu ao longo dos anos. "Viraram parte da família. O Chitinha (Fábio Fernandes Carvalho, presidente da escola) veio à minha casa e disse que queriam homenagear meu pai. Dali pra frente, fui várias vezes a Santos para shows e vi o quanto essa comunidade é integrada. A escola tem um "chão" forte demais. Quando terminou o desfile, tinha a impressão de que o título era muito provável, apesar de ter que esperar a apuração. Mas sabia quem era difícil irem melhor que nós", acrescenta Ito. LegadoAroldo Melodia, que morreu em 2008, é responsável por refrãos famosos da União da Ilha do Governador, como "Hoje, vou tomar um porre/Não me socorre/Que eu tô feliz", do enredo De Bar em Bar, Didi, um poeta, de 1991, e "É hoje o dia/da alegria/E a tristeza/nem pode pensa em chegar", de É hoje (1982). Ito se diz um privilegiado de levar o legado do autor do bordão "Segura a marimba". "Não tem lugar onde eu vá que não fale da história do meu pai. Tudo que aprendi devo a ele. O legado é uma cosia fantástica, tanto que levo o grito de guerra dele junto com o meu. É uma das maiores histórias do Carnaval brasileiro. Acho que estou no caminho certo", complementa o intérprete.