Outeirinhos (na foto, um trecho) é região adjacente ao local de nascimento de José Bonifácio, diz instituto (Vanessa Rodrigues/AT) Para preservar a história do santista José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, o Instituto de Cultura e Pesquisas José Bonifácio busca um espaço no Porto de Santos para a construção de um novo memorial. Na quinta-feira, a entidade enviou um ofício à Autoridade Portuária de Santos (APS) solicitando a cessão de um local na região de Outeirinhos, adjacente ao local de nascimento de Bonifácio. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O presidente do instituto, José Geraldo Gomes Barbosa, afirma que a proposta é construir o que chama de Memorial José Bonifácio em áreas desativadas e sem possibilidade de uso portuário. “Todo apaixonado por história em Santos tem curiosidade pela figura de José Bonifácio”, diz. Barbosa relata já ter havido conversas entre o membros do instituto e o presidente da APS, Anderson Pomini, que teria feito sinalização favorável à iniciativa. “Ele demonstrou entusiasmo”, ressalta o dirigente do instituto. Há um espaço dedicado a José Bonifácio na Casa das Culturas, situada na Vila Nova (Vanessa Rodrigues/AT) Há um memorial mantido na Casa das Culturas de Santos, na Vila Nova. O espaço reúne itens relacionados a José Bonifácio, como livros e fotos. No entanto, na visão do presidente do instituto, “é algo simples, muito aquém do que ele representa para a Cidade”. “Temos um personagem da nossa Cidade reverenciado em Portugal, na França, na Alemanha, na Suíça e nos Estados Unidos, onde há uma estátua dele no Bryant Park, em Nova Iorque, e aqui não temos nada à altura. Temos o Panteão (dos Andradas, no Centro, onde estão os restos mortais de Bonifácio), mas ele não representa um memorial.” Barbosa considera que deveria haver um espaço mais representativo dedicado ao Patriarca. A estátua em frente ao Panteão não cumpre esse papel, e a Cidade carece de um memorial que contextualize a importância histórica de Bonifácio, pensa ele. Monumento na Praça Independência, no Gonzaga, alude aos Andradas (Alexsander Ferraz/AT) Para o presidente do instituto, esse vazio impede, inclusive, a valorização de episódios marcantes, como a chegada de Bonifácio a Santos, em 1819, quando, segundo Barbosa, o primeiro ato dele foi libertar 200 escravizados. Esse gesto, na avaliação de Barbosa, simboliza o início de um processo mais amplo de defesa da liberdade. Ele também relaciona esse episódio à identidade do Município ao afirmar que “Santos tem no brasão a ideia de liberdade e caridade”, com a liberdade associada à ação de José Bonifácio, e a caridade, à fundação da Santa Casa, em 1543. “Esse espírito precisa ser ressaltado.” A Autoridade Portuária de Santos (APS) disse à Reportagem, em nota, que “não tem registro de ofício enviado pelo Instituto Cultural e de Pesquisas José Bonifácio (ICPJB) e (pelo) Movimento Pró-Memória de José Bonifácio. Assim que for recebido, o pleito será analisado”. Estátua no Centro é de 2022; Graziela Ribeiro de Andrada (à esq.), tetraneta de Bonifácio (Alexsander Ferraz/AT)