[[legacy_image_326017]] Em uma denúncia recebida por A Tribuna,uma moradora da Avenida Conselheiro Nébias, no bairro Boqueirão, em Santos, afirma que o local está sofrendo uma ‘infestação' de saruês. A terapeuta Regiane Nascimento da Luz explicou que o primeiro animal apareceu dentro de sua máquina de lavar roupas, no Natal. (Veja no vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Posteriormente, segundo ela, no Ano Novo, outro saruê apareceu no mesmo local - não se sabe se era o mesmo. “Eles estão muito acostumados com as pessoas já, os filhotes estão muito acostumados”, diz. Na segunda-feira (8), Regiane ainda diz que outro animal entrou dentro da sua casa, desta vez, na cozinha. “Eu não consegui gravar ele dentro de casa, mas sim o barulho dele dentro do fogão”, lembra. Por esse motivo, a terapeuta decidiu colocar telas provisórias no apartamento, que fica no térreo e pretende ainda colocar telas fixas. “Eu estou insegura, né?”. Os moradores da região acreditam que os animais têm se reproduzido em uma casa desocupada, na esquina da avenida com a rua Alexandre Herculano. Regiane, inclusive, diz que entrou em contato com a Prefeitura e outros órgãos da Cidade, mas não obteve respostas. A Tribuna procurou a Prefeitura para tratar da ocorrência, que informou, em nota, que “por se tratar de animal silvestre, o manejo/captura e orientações são de competência do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e da Polícia Militar Ambiental”. Ao questionar o Ibama, foi informado que a demanda é tratada com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) que, por sua vez, informou que a demanda é tratada com a PM Ambiental, por meio da Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP). Entretanto, a SSP não encontrou registros de ocorrência no local. Para segurança, controle e registro do aparecimento desses animais em áreas residenciais, é muito importante que os moradores entrem em contato com autoridades responsáveis pelo resgate. ExplicaçãoO médico veterinário do Orquidário Municipal de Santos, José Heitzmann Fontenelle explicou os motivos pelos quais os animais têm sido encontrados mais comumente em áreas urbanas. Os saruês, também conhecidos como gambás de orelhas pretas, são animais sinantrópicos, ou seja, que vivem próximos a ocupações humanas como em morros de Santos, terrenos baldios e imóveis abandonados. “Mas no período reprodutivo (outubro e novembro) se deslocam mais à procura de alimentos, deixando seus esconderijos e podendo aparecer em toda a cidade”, explica. Além disso, os animais são uma espécie da fauna silvestre brasileira, não acostumados a interagir com humanos Por isso, deve-se ter muito cuidado ao encontrar um deles. Não se deve tentar contê-lo, capturá-lo ou tratá-los, para evitar possíveis acidentes. Ainda, segundo Heitzmann, em Santos há uma equipe da Guarda Civil Municipal (GCM) ambiental especializada para a captura e remoção desses gambás nas áreas urbanas. Quem encontrar um desses animais pode acioná-la pelo telefone 153. O veterinário também destaca que, caso haja ataques vindos por parte dos gambás, é preciso procurar orientação médica o mais rápido possível. “Muitos gambás são mortos ou feridos por ataques de cães. Mas, eles também podem transmitir doenças para os animais domésticos, caso estejam contaminados com ectoparasitas, protozoários ou endoparasitas”, explica. AliadosHeitzmann ainda diz que os gambás (ou saruês) ajudam no controle biológico de jararacas, serpentes peçonhentas -muito comuns nos morros de Santos (e em cidades da Baixada Santista)-. “As jararacas são predadas e consumidas pelos saruês, que são resistentes ao potente veneno que por ventura seja inoculado neles durante a caçada”. ReincidenteEssa não é a primeira denúncia recebida do local onde mora a terapeuta Regiane. Em 2023, outros moradores também apontaram o aparecimento dos animais. Clique aqui e leia a matéria.