Maria José, de 71 anos (à esquerda), passou 44 dias internada e fez seis cirurgias após acidente na Avenida Conselheiro Nébias (à direita), em Santos (Arquivo pessoal e Alexsander Ferraz/AT/Imagem ilustrativa) Uma idosa de 71 anos aguarda por uma prótese ortopédica após perder a perna direita em um acidente. Maria José Porto foi atropelada por um ônibus na Avenida Conselheiro Nébias, em Santos, no litoral de São Paulo. O acidente aconteceu no dia 15 de novembro de 2025 e deixou a idosa entre a vida e a morte na Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para A Tribuna, a professora de pilates Rafaela Porto, filha de Maria José, relatou que a mãe passou 26 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 44 dias internada. “Foi realmente uma luta pela vida”, afirma. Segundo a filha, a mãe atravessava a rua quando foi atingida por um veículo da Viação Piracicabana. A empresa foi responsabilizada, por meio de uma liminar judicial, a pagar uma prótese ortopédica no valor de R\$ 32 mil. O acidente “Minha mãe estava saindo do Carrefour da Conselheiro Nébias, em direção à praia. Ela seguia pela calçada e atravessava sobre a faixa de pedestres, quando um ônibus da Piracicabana ultrapassou, pela esquerda, outro ônibus que estava parado no ponto. Em seguida, fez uma conversão à direita para acessar a rua para retorno à Avenida Epitácio Pessoa”, conta Rafaela. A instrutora de pilates disse que a mãe estava apenas a dois passos da calçada quando foi atingida. “Acreditamos que, por conta de um ponto cego ou de um momento de distração, o motorista não viu minha mãe. Ao ultrapassar outro ônibus pela esquerda, naturalmente existem pontos cegos. Ela (minha mãe) estava a apenas dois passos da calçada, conforme vimos depois pelas câmeras de segurança. Foi uma cena muito triste e lamentável”, observa a filha. Depois do acidente, a vida da família mudou completamente. Maria José teve politraumatismo craniano, fraturas na escápula, nas costelas e em uma vértebra lombar. Também sofreu desluvamento no braço direito e na perna direita. Além disso, ela passou por duas cirurgias em menos de 24 horas para limpeza da região lesionada, mas a infecção não foi contida. "Pelo contrário, ela continuou avançando”, afirma a filha. As duas cirurgias foram apenas o início de uma série de procedimentos pelos quais Maria José passou. Ao todo, a idosa fez seis cirurgias, ficou 19 dias entubada e ainda passará por mais dois procedimentos médicos. De acordo com a filha, um deles será para fechar um dos dedos, onde o osso ficou exposto, enquanto outro será para a correção de uma hérnia do lado direito, que "tem aproximadamente o tamanho de uma manga", de acordo com Rafaela. A idosa passou por duas cirurgias em menos de 24 horas para limpeza da região lesionada, mas a infecção não foi contida (Arquivo pessoal) Recuperação Após a alta hospitalar, no dia 29 de dezembro, as filhas da idosa se dividem para os cuidados com a mãe. Maria José passou a viver em Campinas, com a outra filha, e volta frequentemente a Santos para acompanhamento médico. “Como eu trabalho, tenho filho e minha irmã mora em Campinas, ela acabou assumindo grande parte dos cuidados com a nossa mãe, que continua dependente para muitas atividades. Nós damos banho, preparamos tudo para ela, porque ela ainda não consegue realizar essas tarefas sozinha. Foi um processo muito longo até que todos os ferimentos cicatrizassem”, conta Rafaela Porto. A professora de pilates ressalta que a mãe sempre foi uma pessoa muito ativa e que gosta de se exercitar. “Ela fazia musculação, pilates, natação e ginástica, participando de diversos projetos da cidade. Nosso objetivo é proporcionar o máximo de conforto para que ela possa recuperar o maior nível possível de autonomia”. Maria José também é um símbolo de força para as filhas. “Apesar de tudo, ela está com a cabeça muito boa, graças a Deus. Isso nos fortalece demais, porque ela mesma nos dá forças para continuar e focar no que precisa ser feito”. Ação de danos A família ajuizou uma ação de danos materiais, morais e estéticos com tutela de urgência contra a Viação Piracicaba. O juiz decidiu que a empresa deve efetuar um depósito judicial no valor de R\$ 32 mil para a aquisição de uma prótese ortopédica no prazo de 15 dias, além de o pagamento mensal de um salário mínimo, equivalente a R\$ 1.621, com vencimento até o dia 10 de cada mês. A determinação aconteceu no dia 1º de junho. Segundo a filha, a idosa ainda não recebeu assistência da empresa. “Em nenhum momento tivemos qualquer respaldo da empresa. Por isso, fomos obrigadas a entrar com um processo judicial para conseguir o mínimo de assistência. Já foi concedida uma decisão liminar favorável para ajudar com os custos da prótese, mas seguimos tendo muitos outros gastos. O processo é longo”. Posicionamentos Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) informou que o caso foi registrado no 7º Distrito Policial (DP) de Santos como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. Já a Viação Piracicabana informou que possui protocolos rigorosos para a apuração de acidentes e que os procedimentos internos foram seguidos na ocasião. Além disso, afirmou que a empresa não comenta processos em andamento.