[[legacy_image_284307]] Uma idosa, de 69 anos, morreu enquanto aguardava uma vaga de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Santos. Segundo a família de Rita Vieria de Albuquerque, a mulher tinha procurado a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Zona Noroeste devido a uma inflamação nos dentes, mas chegou a ser internada e foi incluída na Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross) para uma vaga de UTI, no entanto ela não resistiu. Em entrevista para A Tribuna,a sobrinha da paciente, a técnica de enfermagem Vera Lúcia Alves Gomes, disse que houve uma série de erros desde o primeiro atendimento à tia. “No primeiro dia (18 de julho) só deram glicose, porque ela é diabética, e mandaram ela para casa. No dia seguinte ela voltou na UPA porque ela ficou ruim, pois já estava há alguns dias sem conseguir se alimentar”, explica. Vera afirma que nesse dia internaram sua tia e no dia seguinte a levaram para o Hospital Frei Galvão, para passar por um médico especialista em buco-maxilo (profissional da odontologia especializado em cirurgias na região da boca). Mas que ela voltou ainda sem um diagnóstico. “O médico a atendeu no corredor, nem se quer olhou direito a boca dela e a mandou de volta (para a UPA). Depois disso o quadro dela se agravou e eles avisaram que ela ia entrar na fila do Cross, pois ela precisava de uma vaga de UTI”, conta a sobrinha. Ainda na UPA, a sobrinha contou que a tia ficou na emergência aguardando a vaga. E durante uma visita à tia, no último sábado (22) se assustou ao ver a maneira que ela estava: amarrada e desorientada. “Eles falaram que ela estava com quadro de confusão por causa da infecção. Uma enfermeira chegou a falar que ela não estava se alimentando, mas como ela ia comer se ela estava amarrada e com a boca toda infecionada. Perguntei para o médico se tinha como colocarem uma sonda nela para se alimentar, porque já tinha uns 10 dias que ela estava sem se alimentar, mas ele disse que faziam esse procedimento ali, que tinha que aguardar a vaga de UTI. Eu falei ‘ela vai morrer assim, ela não está comendo e não está bebendo’ e nada foi feito”, desabafa. E, neste mesmo dia, o pior aconteceu. Era madrugada quando ela recebeu a informação que a Rita não havia resistido. Para a família foi informado que a causa da morte foi uma embolia pulmonar seguido de um infarto. “Foi um total desprezo com a família. Nós estamos muito abalados, minha prima (filha da Rita) teve um AVC no velório da mãe e está internada. A gente só espera que isso mude, que não aconteça com mais pessoas, quantos mais vão ter que morrer que algo seja resolvido na saúde pública?”, indaga Vera. RespostasSegundo a Prefeitura de Santos, a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), organização social responsável pela gestão da UPA da Zona Noroeste diz que “a paciente permaneceu em observação e recebeu toda a assistência necessária ao seu caso”. Informou que ela passou por um especialista em bucomaxilofacial que evidenciou o quadro infeccioso da paciente e que logo começou um tratamento com antibióticos, que foi realizado paralelamente à busca por leito hospitalar. A Secretaria de Saúde (SMS) afirma que assim que a idosa deu entrada na UPA, no dia 19 de julho, foi solicitada uma vaga de enfermaria para ela pelo sistema de regulamentação de vagas do município, mas que com a piora no quadro, no dia 20 de julho, foi solicitado um leito de UTI, tanto pelo sistema municipal, quanto pelo Cross, que é gerido pelo estado. A Administração Municipal disse ainda que a Comissão de óbito da UPA Zona Noroeste irá averiguar o caso e apurar a denúncia da família. Já a Cross afirma que a paciente só foi inserida no sistema na tarde de sábado (22) e que lamenta o falecimento. Informou também que a CROSS não cria leitos, mas que auxilia na identificação de vagas em unidades aptas a atender as necessidades clínicas dos pacientes.