[[legacy_image_7922]] Pacientes em tratamento contra câncer que deveriam tomar medicamentos fornecidos pelo Governo do Estado estão sem seguir as orientações médicas por falta de remédio. É o caso da doméstica Cleuza Gracia de Moura, que tenta, desde o fim do mês passado, retirar no Hospital Guilherme Álvaro (HGA), em Santos, o Anastrozol 1mg. “Há três anos, todo dia 26 pego o medicamento que preciso tomar diariamente para garantir que as células do câncer não se ativem novamente. Para estar curada definitivamente, tenho que fazer isso por cinco anos”, conta ela, que teme a volta do câncer de mama. A única informação que Cleuza tem no Hospital Guilherme Álvaro é de que o medicamento pode demorar ainda cerca de 30 dias para estar disponível, pois há necessidade de se passar por licitação para sua compra. De acordo com ela, outras pacientes estariam na mesma situação. “Não podia ficar um dia sem tomar e já estou sem o remédio desde 27 de junho. Corri para ver o preço para comprar, mas a cartela que dura um mês custa R\$ 700. Com meu marido e filho desempregados, eu, com 72 anos e me tratando do câncer, tenho que sustentar a casa. Não sobra dinheiro nem para parcelar um remédio deste valor”. Por nota, a Secretaria de Estado da Saúde informa que o Anastrozol não faz parte da relação de medicamentos oncológicos do Sistema Único de Saúde (SUS), definidas pelo Ministério da Saúde. A aquisição é feita pelo próprio HGA, por indicação médica, a cada caso. Mas a pasta não informa qual o motivo do atraso da compra, que deixou os pacientes sem o remédio, nem quantas pessoas foram afetadas por isso. De acordo com o Estado, o hospital realizou a compra e o remédio deverá estar disponível para Cleuza até a próxima semana.