[[legacy_image_70799]] O Hospital dos Estivadores, em Santos, terá o primeiro centro de referência para tratamento da endometriose na região. O convênio deve ser assinado na próxima semana. Ontem, mulheres fizeram uma caminhada para chamar a atenção para a doença, ainda pouco conhecida. “Está tudo muito bem encaminhado para, já nos próximos dias, assinarmos um convênio com o Estado. Aí teríamos condições de criar um centro de referência para a endometriose”, revela o secretário de Saúde de Santos, Fábio Ferraz. Estima-se que 10% das mulheres sofram de algum nível de endometriose. A doença tem tratamento para dois terços delas. O restante, entretanto, precisa de cirurgia. Muitos procedimentos são realizados apenas em São Paulo. Outra dificuldade é encontrar profissionais capacitados para diagnosticar a doença. Tanto na rede pública, quanto na privada. O que é a endometriose? Endometriose é uma condição na qual o endométrio, mucosa que reveste a parede interna do útero, cresce em outras regiões do corpo. Essa formação de tecido ocorre na região pélvica, fora do útero, nos ovários, no intestino, no reto, na bexiga e no peritônio. Alguns sintomas são: dores no período menstrual, infertilidade e dores nas relações sexuais com penetração Diagnóstico difícil Flávia Marcelino da Silva passou por isso. Ela tinha dores tão absurdas que desmaiava. Embora lembre do problema desde os 11 anos de idade, só descobriu a endometriose recentemente. “Fui em busca de especialistas. Achei ginecologistas, mas não eram especialistas. Cheguei a ir para centro cirúrgico, ser aberta e o médico fechava, porque precisava de uma equipe multidisciplinar, mas não tinha. Fiquei muito decepcionada, mas não parei”, conta. Ela percebeu, então, que muitas outras mulheres sofriam com o problema sem saber. A partir daí, se engajou na causa, se juntou a outra paciente e criou o grupo EndoMulheres Baixada Santista, que já tem mais de 300 integrantes. “Ainda falta qualificação médica. Endometriose não é só ginecologista. Envolve muitos profissionais. Na rede pública há ainda mais dificuldade. Temos uma mulher no nosso grupo que fez um ultrassom há oito meses e ainda não saiu o resultado”, lamenta. Caminhada No último sábado (30), Flávia liderou um grupo com centenas de mulheres vestidas de amarelo para chamar a atenção para o problema. As participantes saíram da Avenida Conselheiro Nébias com a praia e foram até a concha acústica, no Canal 3. O movimento já existe em mais de 70 países, mas foi realizado pela primeira em Santos. Outras 22 cidades brasileiras também participaram do dia de luta. Vanessa Bernardo da Silva, de 39 anos, lembra de sofrer com dores intensas desde a primeira menstruação. “Tinha náuseas, não levantava da cama, perdi a 5ª série por isso”, diz. Na vida adulta, não conseguia trabalhar por causa das cólicas. A doença só foi diagnosticada aos 32 anos, depois de fazer laqueadura. “As pessoas pensam que é frescura, a família acha que você reclama demais. Aí você começa a achar que você está causando aquela doença”, lamenta. Paciente do SUS, a dona de casa reclama que muitos profissionais da área da saúde da rede pública ainda têm dificuldade em lidar com a endometriose, mas se empolga ao imaginar que Santos terá um centro especializado. “A gente tem muita dificuldade de diagnóstico. No meu caso, foram quatro anos. Dificuldade para encontrar um médico especialista. Eu ainda preciso de uma cirurgia por vídeo e o SUS não cobre. Espero que as coisas melhorem”, diz.