Homem trans é impedido de entrar em banheiro masculino na segunda noite do Santos Jazz Festival, nos Arcos do Valongo (Reprodução) Luan Palermo, um homem trans, foi impedido de utilizar o banheiro masculino por um segurança durante o 12º Santos Jazz Festival. O fato ocorreu na noite de sexta-feira (26), nos Arcos do Valongo, no Centro Histórico de Santos. Luan pretendia comemorar o seu aniversário assistindo a um dos shows programados para a segunda noite do evento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A situação constrangedora foi filmada e Luan publicou o vídeo em sua conta no Instagram, neste sábado (27), relatando o ocorrido. “Ontem (sexta-feira), fui extremamente desrespeitado dentro do Santos Jazz Festival. Eu, como uma pessoa trans masculino, fui proibido de utilizar o banheiro masculino. Passei uma humilhação sem tamanho no dia em que estava comemorando a minha existência. Fui embora do festival no meio do show que fui para assistir. Uma cena lamentável, mas que fica um grande questionamento sobre o quanto os espaços estão preparados para acolher e receber pessoas trans independentemente da passeabilidade cis”, postou Luan. Em sua postagem, Luan fez ainda uma denúncia contra a secretária de Cultura de Santos, Conceição Calixto. “A secretária de Cultura foi quem ordenou e colocou um segurança no banheiro masculino para barrar mulheres que queiram se passar por homem, segundo a fala do próprio segurança”. Organização do evento se pronuncia A organização do Santos Jazz Festival publicou uma nota sobre o fato em suas redes sociais. “O Santos Jazz, atualmente em sua 12ª edição, é um festival que sempre prezou pelo respeito à diversidade, condenando todo e qualquer tipo de manifestação preconceituosa e discriminatória. Por isso, desde já, queremos pedir desculpas ao Luan Palermo por essa experiência. Não cabem justificativas: essa não é uma atitude que faz parte do DNA do evento. Estamos apurando todos os detalhes do ocorrido, visando reparar e reorientar nosso time para que situações como essa não ocorram novamente. Esperamos que o Luan possa voltar ao Santos Jazz e aproveitar o festival sendo tratado da maneira como todos merecem: com respeito, dignidade, alegria e acolhimento”. Em entrevista para A Tribuna, a diretora-executiva do Santos Jazz Festival, Denise Covas, disse que entrou em contato com Luan para prestar solidariedade. “A minha primeira atitude foi acolhê-lo, então, eu entrei em contato com o Luan para fazer esse acolhimento e conversei com ele que estamos tomando as providências para que isso não se repita mais até o encerramento do festival”. A diretora-executiva explicou que o segurança trabalha para uma empresa terceirizada, contratada para prestar serviço ao evento e que o responsável da empresa já foi acionado. Denise Covas disse também que, após o término do festival, pretende realizar um movimento de educação em prol de pessoas LGBTQIA+. “Nós pretendemos, em breve, fazer um movimento de educação, com todos os nossos produtores culturais, junto às pessoas envolvidas com bares e restaurantes, para que situações como a do Luan não se repitam”. Prefeitura de Santos Em nota, a Prefeitura de Santos informou que “repudia todo e qualquer ato de preconceito contra identidade de gênero e esclarece que não tem ingerência acerca da organização e contratação de seguranças para o festival, que é um evento privado e ocorre em local particular. A Secretaria de Cultura (Secult) apoia o evento, bem como o Poder Legislativo, por meio de emendas de vereadores, e a iniciativa privada”. "A Secult também destaca que, em nenhum momento, partiu qualquer ordem da secretária de Cultura que impedisse o uso dos sanitários, fato já esclarecido pelos organizadores do evento", arremata a nota da Administração Municipal.