[[legacy_image_247461]] Imagens de um homem tentando ‘enlaçar’ um jacaré tomou conta das redes sociais nesta semana. O caso aconteceu no último sábado (11) na lagoa da Alemoa, em Santos, quando o homem puxava uma corda que estava amarrada no corpo do animal, enquanto o bicho resistia. (Veja em vídeo mais abaixo) Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O jacaré faz parte do ecossistema do estuário. É comum ver a espécie em pontos em volta do Porto de Santos. A trabalhadora portuária Roselina Bispo da Cruz, de 59 anos, diz que está acostumada com a presença dos animais. “Um dia antes do vídeo, estava trabalhando ali do lado. Uma moça me chamou para dizer que tinham dois rapazes que enlaçaram um jacaré e estavam puxando. Fui até eles e impedi que continuassem puxando o animal com uma corda. Eles soltaram e foram para o outro lado da rua”, explica. Há dez anos, Roselina trabalha próximo à lagoa e conta que no dia do crime ambiental não foi trabalhar, o que facilitou que acontecesse o caso. O vídeo foi gravado por um conhecido dela que a enviou para mostrar a situação. “Ele sabe que eu não gosto que maltrate os jacarés”. Nas imagens, é possível ver o momento em que uma corda está ‘enlaçada’ no corpo do jacaré e um homem tenta puxar o animal fazendo força para fora d'água. O vídeo é encerrado sem mostrar se o homem conseguiu tirá-lo da lagoa. Roselina conta que os jacarés sempre estiveram ali, mas começaram a aparecer com mais frequência após um incêndio no porto. “Comecei a cuidar deles. Ficava com dó da fome que passavam, cheguei até alimentá-los, mas com o tempo o pessoal do porto começou a cuidar. Os jacarés se reproduziram muito, mas não tem uma cerca ou uma grade ali”. “Já peguei gente jogando pedra. Quando estou lá, não deixo (maltratar). Mas, às vezes, acontece. É uma área que fica exposta a acontecer qualquer coisa. Jogam até lixo. É uma imundice. Me preocupo com a segurança das pessoas e dos animais que ali vivem”, diz. Para a mulher, fica a sensação de impotência. Ela explica que, por não ficar ali o dia inteiro, sente que os animais ficam vulneráveis sem uma fiscalização ou cuidados. “Nunca vi um jacaré da lagoa atacando as pessoas, só presenciei as pessoas atacando eles. O animal só ataca com fome ou quando se sente ameaçado, mas o ser humano tem uma maldade gratuita”. Apesar dos momentos de chateação que a mulher cita que passou ao ver o vídeo, ela garante que o homem não levou o jacaré embora. Para Roselina, ele queria tirar o animal da lagoa para comer, mas ainda conseguiu encontrar o réptil no local quando foi trabalhar. “Pelo que deu para ver, ele queria brincar e se mostrar, mas o jacaré que ele fez isso continua na lagoa, porque conheço todos eles. Só que descobri hoje que ele já foi visto fazendo isso antes e que ele queria tirar um para comer”, conclui. A Santos Port Authority (SPA) informou, em nota, que na última revisão da poligonal do Porto de Santos a área foi excluída de sua jurisdição e voltou a ser responsabilidade da Secretaria de Patrimônio da União (SPU). Ainda, a SPA orientou que a população não tente capturar ou manejar o animal. “Qualquer avistamento de jacaré ou outra espécie animal que esteja em risco na área portuária deve ser avisada à Autoridade Portuária, pelo telefone 3202-6570, a qual irá acionar a Polícia Militar Ambiental, que tem os meios adequados para remoção do animal em caso de risco à sua integridade ou da população”.