[[legacy_image_326837]] “O Carnaval, na minha vida, eu posso falar que é quase tudo. Eu vivo o Carnaval o ano inteiro. Além dos ensaios e desfile, temos apresentações em shows, casamentos, aniversários, bodas. Minha alegria. É meu lazer, meu lado profissional”. Fábio Renato Pereira Aguiar tem 53 anos, é técnico hidráulico e no comando da Bateria Balanço Verde e Rosa é o Mestre Manguinha. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Ele contagia os componentes o tempo todo. Começou em 1987 tocando chocalho na Real Mocidade, onde ficou por mais quatro anos tocando outros instrumentos. Em 1991, ele foi para a União Imperial como ritmista. AIi iniciou uma longa e linda história de amor com a escola do Marapé. “O mestre Simonal sempre foi uma boa influência. Na questão afinação, aprendi muito com ele. E do encouramento de surdos também. Muita gente me ajudou”. Desde 1991, ele não saiu mais da União, mas também atuou em outras agremiações. Em Mongaguá, foi mestre de bateria da Águia de Ouro. Para ganhar mais conhecimento, Manguinha subiu a Serra e ingressou na famosa Vai-Vai. “Eu visitava muitas quadras e fui tentando absorver as coisas boas”. Manguinha está preparando quatro bossas para o desfile da União Imperial este ano. “São duas bossas reais e duas de virada. São bossas ousadas porque o samba pede. Tem batuque afro no meio e uma virada diferente no final”. O mestre aproveita todo o tempo para ensaiar. “Até no último dia. A gente concentra na Zona Noroeste, perto do sambódromo, e vai tocando até a catraca. É o teste final que eu sinto como está o sistema nervoso, a euforia e a adrenalina da bateria. Também é legal porque levamos alegria para quem fica na grade, fora das arquibancadas”. Hoje, Manguinha fala como a paixão verde e rosa foi crescendo. "Quando iniciei como ritmista em 1991, não almejava ser mestre. Eu só queria defender o pavilhão. Com o tempo, o amor cresceu. A bateria é minha família. Os ritmistas falam de tudo com a gente. Virei um paizão no meio desse povo todo”. Joãozinho Oliveira“O Carnaval representa tudo. Eu sou apaixonado pelo Carnaval. Eu amo cantar. É um amor incondicional.” Joãozinho Oliveira tem 56 anos e trabalha no laboratório de uma empresa de engenharia plástica. Antes de entrar no samba, ele gostava mesmo era de jogar futebol na praia e na várzea. Por curiosidade, foi nos jogos entre o time dele, o Vila Henedina, contra o Yale que o habilidoso ponta-esquerda Joãozinho enfrentou um zagueiro bravo e vigoroso que viria a se tornar o seu ídolo e amigo no mundo do samba. O zagueiro era Zinho, um dos grandes intérpretes do Carnaval santista. “O homem jogava duro e não dava moleza.” No mundo do samba, Joãozinho começou como ritmista na Real Mocidade. Nos ensaios, quando faltava um dos cantores, ele era chamado para pegar o microfone. “Mas sem largar a minha antiga caixa de guerra.” Dois anos depois da estreia na bateria, veio a surpresa: quando estava pronto para sair como ritmista, foi chamado para cantar o samba-enredo da escola: “Eu até chorei, de tanto que gostava de tocar. Me tiraram a fantasia bem na hora do desfile.” Joãozinho agradou na estreia e ficou como intérprete da Real. Depois, foi para a Brasil com o amigo Zinho e, em seguida, formou dupla com a experiente Pindá. Na sequência, Sangue Jovem, União Imperial, Vila Mathias, Império da Vila, Padre Paulo e o retorno à Brasil. Joãozinho também subiu a Serra, concorreu com vários sambas e desfilou em Peruche, X-9 Paulistana e Tucuruvi. Também foi um dos compositores do samba da Vila Maria em homenagem à cidade de Cubatão. Com uma longa carreira no Carnaval, o intérprete da Brasil gosta de enaltecer os seus ídolos. “Eu me inspiro no Royce do Cavaco, mas meu grande ídolo e professor é mesmo o Zinho. Eu o admiro e respeito. Como sambista, como amigo, como pai de família.” Quem diria, nas voltas que o futebol e o samba podem dar, que no duelo entre o arisco ponta-esquerda e o implacável marcador dos campos amadores surgiria uma das maiores amizades do nosso Carnaval. Rei MomoNa primeira coluna deste ano, nós havíamos apresentado o cidadão e a cidadã samba, Marcos de Brito Silva e Tereza Cristina Pereira Félix. Hoje é a vez de destacar um trio apaixonado pelo Carnaval e que vai comandar a folia santista ao lado de Tereza e De Brito. O Rei Momo é Fábio Sorriso, de 42 anos. Ele é psicólogo organizacional. Fábio já foi Rei Momo em 2010, em São Caetano, e em 2019, em São Paulo. Agora, concorreu pela Bandeirantes do Saboó. “Eu tenho muita gratidão pela oportunidade que a escola me deu”. Atualmente, ele se divide em três cidades. Trabalha em São Paulo, está sempre com a mãe em Itanhaém e tem todos os compromissos carnavalescos em Santos. Fábio Sorriso tem uma visão muito legal sobre a maior festa popular do Brasil: “Uma festa que dá oportunidade de trabalho para muita gente. Um cabide de oportunidades. O Carnaval abraça a todos”. A rainha eleita é Arlene Pereira. Ela tem 35 anos e é técnica em cabelos afro. Também estuda Nutrição. No concurso para rainha, ela representou a União Imperial. “É a maior emoção. No Carnaval, estava faltando isso. Já tinha sido rainha de bateria, mas ser coroada agora era um sonho de menina que foi realizado”. Arlene vive a expectativa de um grande desfile. “Vai ser muito especial. Incrível. Carnaval é alegria, felicidade, autoestima, saúde. É tudo isso.” A nova princesa é Priscila Mara, de 40 anos, professora de Educação Física. Ela representou o Bloco da Vila Belmiro. “Para mim, essa eleição é muito importante. Já participei de outros concursos e nunca desisti. O meu objetivo maior é me conectar com as pessoas através do dom da dança. Poder mostrar para as pessoas que eu estava feliz dançando e sambando”. Priscila revela a alegria por fazer parte da nova corte: “Já estamos indo até as escolas e sendo muito bem recebidos. Isso é muito legal.”