Hemonúcleo do Hospital Guilherme Álvaro terá, hoje, entre 7h30 e 13h, uma ação para incentivar a doação e suprir a demanda por bolsas de sangue (Sílvio Luiz/AT) Férias, sol, mar, temporada… e por que não doação de sangue? O Hemonúcleo do Hospital Guilherme Álvaro (HGA), em Santos, está com o estoque de bolsas de sangue baixo para enfrentar os próximos meses em que a população da Baixada Santista aumenta exponencialmente por causa da vinda dos turistas. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Nesta segunda-feira (25), data em que é comemorado o Dia Nacional do Doador de Sangue, o HGA realiza um mutirão especial para suprir a demanda que abastece, principalmente, pacientes com câncer. A ação ocorre das 7h30 às 13h, e o endereço é Rua Oswaldo Cruz, 197, Boqueirão. O HGA é responsável por fornecer sangue para toda a região da Baixada Santista e Vale do Ribeira e, justamente por isso, toda ajuda é mais que bem vinda. “É muito raro a gente desperdiçar recurso, mas é impossível fazer um estoque e falar: ‘não, agora não preciso mais de doação pelo ano inteiro’”, diz Elaine Mancilha, hematologista do hospital. Durante o verão, além do aumento da demanda por atendimento, o número de doações cai. É que quem está de férias dificilmente encaixa uma doação de sangue no cronograma. Além disso, os feriados da República e da Consciência Negra prejudicaram a coleta nos últimos dias. “Neste momento, o estoque está baixo e provavelmente não vamos conseguir recuperar em tão pouco tempo até começar realmente as festas de fim de ano”, diz Elaine. Mas ainda há tempo de reverter esse jogo, pelo menos em parte: as hemácias, por exemplo, podem ser conservadas por até 40 dias. “Quando uma pessoa doa sangue, ela não doa só hemácea, ela doa sangue total. E esse sangue vai ser processado e separado em diversos componentes, e um deles é a plaquetas”. E é justamente nas plaquetas que está o grande “gargalo” do estoque. Mais que necessárias As plaquetas são fragmentos de células responsáveis pela fase inicial da coagulação sanguínea. Quando a quantidade de plaquetas fica baixa, há o risco do paciente sofrer sangramentos espontâneos. O maior problema é que o concentrado de plaquetas proveniente de uma doação tem validade de apenas cinco dias, um deles para exames. Isso atinge, principalmente, os pacientes com câncer. Na quimioterapia, um dos principais tratamentos para a doença, a medula óssea é “zerada”: ela fica incapaz de produzir células sanguíneas por cerca de duas semanas. Por isso, quem sofre de quadros como leucemia, linfoma, câncer de mama, fígado, pâncreas, intestino, ovário e útero demanda bastante transfusões; e não há substituto sintético para as plaquetas. Além disso, acidentes, doenças como cirrose, cirurgias invasivas, e até mesmo gestantes podem precisar de doações de sangue. Ou seja, durante o ano todo, o HGA tenta algo impossível, que é se preparar para o imprevisível. “As maternidades, por exemplo, são um tipo de demanda que a gente não controla, porque o parto pode acontecer a qualquer momento. Então o hemonúcleo tem que manter os estoques também fora do HGA, na própria maternidade, porque na hora que eles precisarem não dá pra ficar esperando vir de Santos”, explica Elaine. Convite duplo O principal desafio de manter os estoques abastecidos é a fidelização dos doadores. O mais comum, no Brasil, é que as pessoas se mobilizem para doar quando há alguém querido precisando, o que não resolve o problema - até porque tem a questão da validade dos componentes sanguíneos. Isso gera um trânsito entre os hemonúcleos: é comum, por exemplo, que Santos e São Paulo troquem o material conforme a demanda. Está longe de ser o esquema ideal, mas é necessário para evitar desperdício. Quem quiser colaborar para mudar esse cenário só precisa seguir alguns pré-requisitos básicos: ter entre 16 e 69 anos (menores de idade precisam da autorização dos pais), pesar pelo menos 50kg, estar descansado e bem alimentado e apresentar um documento com foto recente. “Todos são bem-vindos a doar, independente do tipo sanguíneo”, afirma Elaine. A hematologista ainda estende o convite: no HGA também é possível se registrar como doador de medula óssea. Quem quiser, pode manifestar esse interesse no momento da doação de sangue e se cadastrar. Caso opte por isso, parte do sangue coletado será direcionado para o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e, caso haja compatibilidade com alguém que esteja precisando, o doador poderá fazer o bem duplamente. Hospitais têm situações distintas Embora a situação do Hemonúcleo do Hospital Guilherme Álvaro esteja longe da ideal, dois dos quatro hospitais da região relataram estar bem abastecidos, ao menos por enquanto. O Santo Amaro, no Guarujá, informou que está com uma ótima captação de doador com as cirurgias eletivas. A média é de 350 doações por mês, e o estoque é considerado bom. A Prefeitura de São Vicente, responsável pelo Hospital do Vicentino, disse que o consumo mensal é de 200 bolsas e há uma procura maior pelo tipo O+ e O-, considerado doador universal, mas que “há a necessidade de doação para todos os tipos de sangue”. A Administração ainda demonstrou preocupação com a chegada das festas de fim de ano e incentiva a doação de sangue no HGA. Já a Santa Casa de Santos disse que o estoque está em condições “confortáveis”, visto que o serviço atende, em média, de 50 a 60 dólares por dia - a média diária necessária é de 40. “Tendo como base os atendimentos realizados no último mês, graças a esses doadores, foram realizadas mais de 1,6 mil transfusões em pacientes internados, e sem contar os hemocomponentes enviados aos hospitais da região”, destacou. Além disso, destacou que embora as campanhas de incentivo sejam importantes, é necessário doar o ano inteiro. O Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, não respondeu até o fechamento desta edição. Principais impeditivos temporários: - Resfriado (aguardar 7 dias após desaparecimento dos sintomas) - Gravidez - Amamentação - Ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação - Situações nas quais há maior risco de adquirir doenças sexualmente transmissíveis - Exames endoscópicos, extração dentária e cirurgias com anestesia geral - Vacinas (após 48 horas da vacina da gripe e um mês após vacina da dengue. Para demais vacinas, consultar o hemonúcleo) - Ter entre 16 e 69 anos (desde que a primeira doação tenha sido feita antes dos 60 anos) - Pesar pelo menos 50kg - Estar descansado e bem alimentado - Apresentar um documento com foto recente Principais impedimentos definitivos: - Evidência clínica ou laboratorial de doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue, como hepatites B e C, HIV e doença de Chagas - Uso de drogas ilícitas injetáveis