Fotografia tirada em 1988. À esquerda, o Poço das Moças, à direita, Luis e seus amigos na trilha (Reprodução/Arquivo Pessoal) Após 19 anos de fechamento, a Trilha da Pedra Lisa, localizada no Parque Estadual da Serra do Mar, que liga Paranapiacaba a Santos, foi reaberta em janeiro, após obras de recuperação. O local estava fechado desde 2004, mas ao longo de sua história recebeu milhares de turistas que colecionam momentos alegres nos anos 80. Esse foi o caso de um guia turístico que se apaixonou pela região em 1988 e compartilhou sua experiência de chegar ao litoral de São Paulo a pé. Entre os entusiastas que aguardam ansiosos para reviver essa experiência está o arquiteto e guia turístico Luis Donizeti de Carvalho, de 37 anos, cuja relação com a trilha remonta à adolescência. Natural de São Bernardo do Campo, Luis criou uma relação profunda com o ecoturismo e iniciou sua paixão pela atividade ao fazer sua primeira trilha ao lado de seu irmão e alguns amigos em 1988: a Trilha da Pedra Lisa. Experiência “Foi a primeira vez em que estive em uma floresta. Foi uma grande aventura, preparamos mochilas, roupas e lanches. Fizemos esta trilha diversas vezes e cada vez levamos mais amigos”, relembrou o guia turístico. Luis recorda que a aventura começava antes mesmo de chegarem à trilha. O grupo saía de madrugada de São Bernardo do Campo, pegava um ônibus até Santo André e, em seguida, seguia de trem até Paranapiacaba. Na época, a cidade era conhecida como vila inglesa e era famosa por sua história ferroviária e arquitetura preservada. “Na época, conhecemos a história da antiga vila inglesa, ferrovia, estação de trem, torre do relógio e visitamos o antigo Casarão do Engenheiro que virou museu”. Ali, se encontrava o ponto de partida para a caminhada do grupo de amigos aventureiros. Trajeto O trajeto incluía a estrada de manutenção da antiga torre da TV Tupi, onde era possível contemplar uma vista privilegiada da Serra do Mar, da estrada de ferro e do litoral. A descida pela trilha levava até Santos, no Litoral paulista, onde se encontrava o Poço das Moças e passava pela icônica Pedra Lisa. A respeito de suas experiências no litoral de São Paulo, ele relembra. “Uma vez saímos de Paranapiacaba, passamos a Pedra Lisa, o Poço das Moças e continuamos acompanhando o rio. Acabamos em uma estrada de terra e seguimos até chegar na rodovia Cônego Domênico Rangoni, também conhecida como Piaçaguera-Guarujá. Para voltar tivemos que pegar um ônibus de viagem para São Paulo”. Segundo o arquiteto, o percurso era desafiador e rústico, com momentos em que caminhavam em mata fechada, em lugares que apenas uma pessoa por vez passava. O caminho exigia um forte preparo físico e resistência, já que a trilha durava um dia inteiro e mais de 7 horas de caminhada sem parar. Mas os jovens não sentiam o peso do cansaço, as paisagens deslumbrantes e momentos inesquecíveis recompensavam a todos. Fotografia A Trilha da Pedra Lisa não marcou somente a iniciação de Luis no mundo do ecoturismo, mas também despertou sua paixão por fotografia. A primeira vez que o rapaz utilizou uma câmera fotográfica foi há 37 anos, durante uma das vezes em que esteve no local. Ele aproveitou a oportunidade para registrar a vista da serra e da Baixada Santista ao lado da torre da TV Tupi. Reabertura Agora, 37 anos depois, Luis encara a reabertura da trilha como uma oportunidade de reviver memórias e emoções de sua juventude. “Vai ser muito bom relembrar minha adolescência neste lugar que faz parte da minha história”, afirma. Desde então, ele percorreu diversas trilhas pelo Brasil, transformando seu hobby em profissão como guia de turismo e monitor ambiental em Ilhabela. Além das lembranças, a Trilha da Pedra Lisa representa uma experiência única para quem busca contato com a natureza e um mergulho na história de Paranapiacaba, revela Luis. A caminhada passa por diversos pontos interessantes, como o Poço das Moças, a Pedra Lisa e diversas belezas naturais. Para o guia turístico, novos aventureiros poderão desfrutar da experiência de vivenciar a beleza e os desafios da histórica trilha, que permanece a encantar aqueles que se dispõem a explorá-la. “Ao fim do dia, após vencer a subida da serra, cansados e felizes, dávamos gargalhadas durante o retorno no trem, recordando toda a experiência da aventura com os amigos”, relembrou Luis.