[[legacy_image_312377]] “Se eu não comer, eu morro”. Esse é o relato de Manoel Onofre da Silva, de 66 anos. Ele serviu a cidade de Santos por 25 anos, como Guarda Civil Municipal (GCM), e hoje, aposentado e com o diagnóstico de câncer no esôfago, luta para sobreviver. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A batalha de Onofre começou há dois anos, quando foi diagnosticado com a doença. “Eu comecei a sentir dificuldade para comer e fui fazer os exames. Fui, então, diagnosticado com o câncer no esôfago, próximo ao estômago”, lembra. De lá para cá, muitas outras batalhas foram travadas, só que a mais atual é conseguir uma alimentação específica, para nutrir-se por meio de uma sonda, que usa desde agosto, quando foi internado por não conseguir mais se alimentar via oral. “Se eu não me alimentar, vou ter fraqueza e precisarei ser internado de novo. Eu cheguei ao hospital pesando 45 quilos”, conta. Entenda melhorApós um período de quimioterapia, Onofre não conseguia se alimentar e chegou a ficar uma semana sem comer. Por isso, no mês de agosto, foi levado por sua esposa até o hospital, onde foi internado por 15 dias e iniciou sua alimentação via sonda. O GCM aposentado recebeu alta no dia 25 e, desde então, precisa custear sua alimentação. Atualmente, Onofre faz uso da Nutrision Energy Multi Fiber 1,5 kcal/ml, que custa entre R\$ 30,00 e R\$ 55,00. A alimentação não é fornecida pelo convênio, que é o Capep Saúde, da Prefeitura de Santos. Onofre busca receber a fórmula via órgãos públicos. Mas, até o momento, não obteve respostas satisfatórias. “Me deram a documentação para correr atrás da alimentação via sonda. Eu levei a documentação no Ambulatório Médico Especialista (AME) Santos”, explica. No local, o GCM aposentado foi informado de que a solicitação deveria ser feita por e-mail. Posteriormente, ele foi até a Policlínica da Vila São Jorge, onde uma amiga o ajudou no envio do material. “Eles me responderam pedindo mais documentos e eu mandei”, diz. [[legacy_image_312378]] PosicionamentoA reportagem de A Tribuna teve acesso aos e-mails enviados ao órgão público. Um deles foi reencaminhado no dia 27 de outubro e respondido em 6 de novembro, com a mensagem: "A documentação foi recebida, por gentileza aguardar o envio do número de protocolo". A Tribuna solicitou um posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde e acompanha o caso, junto com a assessoria da pasta. No início da tarde da última segunda-feira (13), a secretaria informou que não havia nenhum registro de solicitação no nome de Manoel Onofre, bem como no número de registro da sua carteira do Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, no final do mesmo dia, Onofre recebeu uma resposta com o número do protocolo e a instrução de acompanhamento para o prazo de 30 a 40 dias, através do e-mail. Na tarde desta terça-feira (14), a secretaria enviou uma nota dizendo que “o Departamento Regional de Saúde (DRS) da Baixada Santista informa que o paciente M.O.S. deu entrada para recebimento da fórmula polimérica para adultos via e-mail. Ele foi notificado, também via e-mail, com o número do protocolo e com a informação de que o caso está em análise técnica, desde o dia 13 de novembro, pela Coordenadoria de Assistência Farmacêutica (CAF)”. A pasta ainda deu instruções para que Onofre solicitasse a fórmula em outro meio. O GCM aposentado também tentou buscar ajuda em outros meios de saúde, como a Seção de Atendimento Domiciliar (Seadomi), que informou que não poderia fornecer a alimentação, pois ele não era acamado. Ajuda de fardaPor não ter condições de arcar com as despesas da fórmula, Onofre conta com a ajuda de colegas de farda, da GCM de Santos. Ao falar sobre o auxílio que tem recebido, sua voz fica embargada pela emoção: “Na verdade, os únicos que me ajudam são da GCM. Eles ajudam como podem. Alguns me fizeram até Pix”. A Guarda Municipal chegou a levar Onofre de viatura até a cidade de São Paulo, para que pudesse tentar conseguir a fórmula em uma organização não governamental (ONG), mas ele não obteve sucesso. Onofre ressalta que os guardas têm feito vaquinha para ajudá-lo na alimentação. “Se não fosse isso, eu estaria passando fome, pois não tenho condições”, explica. A frustração de Onofre se dá pela falta de respostas. Ele tem criado expectativas toda vez que um órgão pede sua documentação. Afinal, estar bem nutrido o ajudará na quimioterapia e, futuramente, em uma cirurgia. PrefeituraA Tribuna questionou a Administração de Santos sobre o porquê de o funcionário público aposentado não receber a fórmula via convênio Capep e o motivo de o município não ajudar o GCM aposentado, uma vez que agentes da Guarda Municipal têm se mobilizado para isso. Em nota, a Prefeitura informou que “a Capep não fornece dietas, apenas para pacientes internados em hospital ou home care. No caso em questão, o mutuário não se enquadra em nenhuma das alternativas. Nenhum plano de saúde fornece dieta sem essas hipóteses”. A Administração Municipal ainda disse que a GCM “presta total apoio ao guarda municipal aposentado Manoel Onofre da Silva, colaborando no custeio da sua alimentação e compra de equipamentos médicos, com a arrecadação de valores entre os guardas da corporação, além de ajudar no seu deslocamento para tratamento médico em São Paulo”.