[[legacy_image_205480]] Por questão de horas, a Independência do Brasil poderia ter sido proclamada por dom Pedro, em Santos, e não nas margens do riacho do Ipiranga, em São Paulo, cuja imagem ficou imortalizada na pintura Independência ou Morte!, de Pedro Américo, feita em 1888. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! No dia 5 de setembro de 1822, o então príncipe regente do Brasil fez a primeira e única visita à terra natal de José Bonifácio. Dias antes, em 28 de agosto, veio uma ordem de Lisboa para que dom Pedro retornasse imediatamente ao país europeu e que o Brasil voltasse a ser uma colônia – naquele período, o Brasil tinha a condição de Reino Unido a Portugal e Algarves. Essa foi a gota d’água para que o santista e Maria Leopoldina (esposa do príncipe) – que já havia assinado a Independência, em 2 de setembro, por governar o País como regente interina – enviassem cartas para que dom Pedro I decretasse o rompimento com a nação ibérica. Conforme o historiador José Dionísio de Almeida, José Bonifácio estava no Rio de Janeiro e determinou o encaminhamento das correspondências para Santos, onde dom Pedro estaria, mas ele antecipou o retorno a São Paulo após uma indigestão. O príncipe regente já havia iniciado um diálogo com brasileiros e portugueses para convencê-los da importância de o País deixar de ser uma colônia da nação europeia. “Essa movimentação começara em Minas Gerais algumas semanas antes da Proclamação da Independência. Quando estava em São Paulo, José Bonifácio programou essa vinda a Santos para a comitiva vistoriar os fortes da região”, afirmou Almeida. [[legacy_image_205481]] Roteiro históricoCom uma população estimada entre 3 mil e 5 mil habitantes, a Vila de Santos ficava em uma área pequena, com pouco mais de 20 ruas, em uma área que tinha como limites o Outeiro de Santa Catarina, no Paquetá, a Igreja do Valongo e a encosta do Monte Serrat. A localidade era considerada estratégica por causa do porto e por ter um sistema de proteção para conter invasões, como os fortes Augusto (atual Museu de Pesca), da Vila (que ficava no Centro), São João (Bertioga), São Luiz (Guarujá) e Fortaleza da Barra Grande (Guarujá). Em Santos, também estava localizada a Casa do Trem Bélico, onde ficavam guardadas as armas. Trata-se da única edificação colonial-militar desse gênero no País. “Dom Pedro havia visitado a casa da família de José Bonifácio, que tinha muitas posses e era considerada uma das mais ricas da província (estado) de São Paulo)”. Almeida explicou que o príncipe regente foi recebido com muita festa pelos populares durante a passagem pelas ruas do Comércio, XV de Novembro e Frei Gaspar e os espaços onde hoje estão as praças Rui Barbosa e da República. Ele também participou de uma missa festiva na Igreja do Rosário dos Homens Brancos, que ficava na Praça da República (antigo Largo da Matriz), e esteve na Câmara Municipal, que era chamada na ocasião de Casa do Conselho. O presidente desse órgão tinha o papel de prefeito da Vila. “À noite, dom Pedro participou de um jantar na casa de José Bonifácio e dormiu no Colégio dos Jesuítas, onde hoje é a Alfândega. Na manhã de 7 de setembro, ele se desloca para São Paulo”, justificou Rota da IndependênciaEntre esta quarta (7) e domingo (11), às 11h e às 15, a Prefeitura realizará o passeio monitorado Rota da Independência. Os participantes farão o mesmo caminho realizado por dom Pedro em sua passagem pela Cidade. As saídas ocorrem a partir do Museu do Café (Rua XV de Novembro, 95, Centro).