[[legacy_image_205684]] O Sesc Santos está sob nova direção desde o início do ano e se prepara para dar início, nesta sexta-feira (9), ao Mirada - Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, uma das agendas mais expressivas do Sesc e que foi suspensa durante a pandemia. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Abaixo, trechos da entrevista com Simone Avancini, a nova gerente da unidade. Simone está nos quadros do Sesc-SP desde 1996, quando começou dando aulas de dança, e trilhou sua carreira toda na Capital. Formada em Educação Física em Santo André, migrou para a área da dança e, a partir dela, para o universo da cultura. Tem formação na área de gestão cultural pela Universidade de Girona (Espanha) e MBA em Gestão de Pessoas. Atuou no Sesc Ipiranga por nove anos, foi para a administração central coordenar a área de Dança por seis anos e, na sequência, assumiu como gerente adjunta. Em 2017, assumiu a unidade do Sesc Carmo. No final de 2021, foi convidada para ocupar o cargo de gerente na unidade Santos. “O Sesc Santos é um grande transatlântico, tem teatro, piscina, área de alimentação, quadras, ginásio, programação esportiva, estacionamento”, diz. Nos planos da nova gerente, estão conduzir a readequação dos espaços — processo que começa neste ano —, ampliar o número de entidades atendidas pelo Mesa Santos e continuar oferecendo acesso a cultura, lazer e entretenimento ao seu público, com preços acessíveis e produções de qualidade. Como você recebeu o convite para sair da Capital e assumir o Sesc Santos? A unidade Santos foi um desafio porque nunca imaginei sair da Capital, onde comecei em 96. E uma surpresa positiva, porque já vinha a Santos para acompanhar as bienais de Dança. Vinha como curadora desde 98, já era uma cidade com a qual eu tinha grande proximidade. Depois, com as edições do Mirada a partir de 2010, também fui tendo mais conhecimento sobre os espaços da Cidade, os prédios históricos... Agora que estou aqui todos os dias, vejo como Santos cresceu. Quantos colaboradores tem a unidade do Sesc de Santos? Tem 280, sem considerar os terceirizados, que somam outros 100. E quantas pessoas circulam pelo Sesc por mês? Por semana, são cerca de 18 mil pessoas circulando por aqui, o que dá uma média de 3 mil pessoas por dia. A unidade de Santos está completa, com oferta variada de lazer, cultura e entretenimento. O que você planeja fazer de novo na sua gestão? No Sesc, trabalhamos o planejamento de forma conjunta com várias gerências, pensando cada unidade com suas características. Essa unidade completa 36 anos em 2022. Vamos começar um pequeno retrofit (modernização) e temos previsão de readequar todos os espaços até 2030. Começaremos agora em setembro, mudando a Clínica Odontológica. Depois, seguiremos em 2023 com requalificação do palco do teatro, melhorar equipamentos, iluminação, cenografia. E depois as obras seguem para toda a unidade... Exato, em várias etapas, atingindo todos os espaços: área de alimentação, piscina, salas de ginástica, vestiários... vamos qualificar e melhorar essa estrutura. Em relação ao teatro, posso dizer que, para o Sesc, Santos tem condição de estar no circuito dos grandes espetáculos e peças, junto com as unidades do Sesc Pompeia, Vila Mariana, Sesc Pinheiros, Consolação... A ideia é colocar Santos nesse circuito da Capital com muito mais frequência. E você calcula que isso aconteça a partir de quando? Já começamos neste ano, com algumas produções, mas a ideia é estabelecer uma frequência maior. Temos que aproveitar a capacidade do teatro. Uma das marcas registradas do Sesc é dar acesso a cultura e arte de qualidade a todas as camadas sociais. Isso se mantém ou há alguma mudança de rota? Não, nenhuma mudança. Enquanto tivermos essa forma de financiamento, por meio da arrecadação do Sistema S, não há qualquer intenção de mudar a forma de trabalhar. Nosso público prioritário é formado pelo trabalhador das áreas de comércio, bens e serviços. Dar acesso a esse público é a nossa devolutiva do investimento feito, é a nossa missão, seja com ingressos gratuitos ou valores baixos. O público já voltou plenamente após a pandemia? O público foi voltando, sim, mas percebemos uma mudança grande de perfil. Como assim? Com a pandemia, muitas pessoas se mudaram, procuraram mais qualidade de vida, vieram morar em Santos, fazer da casa de temporada a moradia principal. E isso refletiu no público que está frequentando nossas atividades culturais, principalmente. O Mesa Santos é também um dos programas de destaque do Sesc e que foi bastante demandado na pandemia. Como estão hoje as doações? O Mesa foi o único programa do Sesc que não parou durante a pandemia. Foi muito imprescindível nesse momento, fazer chegar a colheita de alimentos junto às instituições. Não temos planos de ampliar o número de veículos para arrecadar os alimentos, mas o que vem crescendo é o total de entidades cadastradas. É a primeira vez que temos fila de entidades para serem atendidas. Temos instituições de toda a região. A pandemia fez aumentar o número de desempregados, a fome e, entre os parceiros doadores, houve uma redução, porque também eles precisaram fazer adequações de estoque e abastecimento. Hoje, recebemos doações não só de alimentos, mas de produtos de limpeza também. O Mirada começa amanhã e vai até dia 18. O que você destaca de novo na programação e como é resgatar esse evento depois de dois anos de pandemia? Este ano, o tema gira em torno de Portugal. Já era essa a proposta em 2020, antes da pandemia, e agora vem bem em sintonia com a comemoração do bicentenário da Independência. Foi uma coincidência oportuna. Há toda uma polêmica em torno da nossa Independência, e vamos trazer isso para os espetáculos, assim como as questões dos regimes, feminismo, racismo, meio ambiente. Já estamos com todas as ocupações preparadas na Cidade para fazer essa aproximação com o público. Teremos espetáculos para todos os públicos, para o infantil e para os jovens, e também os adaptados para o público autista, com sessões especiais. Queremos atingir os diversos públicos, que é o propósito do Mirada. E também queremos provocar a reflexão, o questionamento das pessoas, queremos que sejam críticas. E depois do Mirada? Teremos uma grande homenagem ao centenário do músico Gilberto Mendes, a partir de 8 de novembro e até abril de 2023. Vamos trabalhar a vida dele e todas as suas vertentes: cinema, música, Santos Futebol Clube, passando por todas as fases para mostrar sua grandiosidade, esse grande gênio da música. Percebemos que ele é bastante reconhecido lá fora, mas aqui ainda há muita gente que não sabe quem foi Gilberto Mendes.