[[legacy_image_105357]] O Ministério Público Estadual pediu o arquivamento do processo criminal referente à queda de um elevador que matou quatro pessoas da mesma família no dia 30 de dezembro de 2019, em um edifício residencial da Marinha na Rua Guararapes, na Vila Belmiro. em Santos. Enquanto isso, os familiares, que falaram com exclusividade com A Tribuna, pedem que o assunto não seja esquecido e que alguém pague pelo que aconteceu. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! “Dá uma saudade tão grande que a vontade é de gritar bem alto. É revoltante ver pessoas tão cheias de vida morrerem naquele elevador. Eu sempre disse para minha irmã que tinha medo de andar nele”, desabafa Jucelia de Souza Goes Santos, de 50 anos, gêmea de Jucelina Santos, que morreu no acidente. Morreram ainda Eric Miguel, de 19 anos, o pai, Edilson Donizete, de 45, e a mãe, Lucineide de Souza Goes, de 43, que moravam em Santo André, no ABC Paulista. A família tinha acabado de chegar ao prédio, onde passaria a virada do ano na casa de Jucelina, irmã de Lucineide. Ela desceu para buscá-los no térreo do edifício e, quando a família subia para o 9º andar, o elevador caiu. O prédio foi construído há 22 anos e serve de moradia para parentes e oficiais que trabalham na Capitania dos Portos de Santos. O edifício tem nove andares e 54 apartamentos. Moradora da Vila Áurea, em Vicente de Carvalho, Jucelia diz que sente muita falta de visitar a irmã Jucelina. “Não existe mais final de ano, Natal ou Ano-Novo. Para a minha mãe, que mora na Bahia, é uma tristeza muito grande tudo isso. A gente comemorava tudo juntos, estávamos sempre unidos”. [[legacy_image_105358]] A dona de casa ainda lembra da alegria que estava sua família minutos antes da tragédia. “A gente estava pensando na festa, em estar junto. Minha irmã estava animada com a festa de 15 anos da filha, que seria em janeiro. Agora, eu preciso ser forte para todos e é muito difícil. Hoje, minha sobrinha nem entra mais em elevador com trauma”. Jucelia lamenta que o processo criminal possa ser arquivado nos próximos dias e que o caso caia no esquecimento. “Estão tirando o corpo fora e quem ficou sem mãe e pai que se vire. A Justiça brasileira não funciona. Meu cunhado, que hoje paga um aluguel caríssimo, ainda se desdobra para preencher o vazio deixado pela mulher. Em São Paulo, tem ainda uma menina de 22 anos que ficou sozinha, depois de ter perdido pai, mãe e irmão nessa situação”. O filho mais velho de Jucelina, Luiz Gustavo Goes dos Santos, de 24 anos, conta que a queda do elevador e a morte de quatro pessoas da mesma família causou traumas para a vida toda. “Minha mãe fazia de tudo e é muito difícil lidar com a falta que ela faz. Minha esposa não anda de elevador até hoje. Essa coisa do arquivamento é notícia nova para mim. A gente queria que alguém pagasse pelo que aconteceu para que nenhuma outra família sentisse a nossa dor. Infelizmente, fomos o exemplo”. Luiz Gustavo acredita ainda que, caso o inquérito seja arquivado, poderá acontecer de novo. “Morrem quatro pessoas e vão jogar para baixo do tapete? Em que mundo estamos vivendo”, questiona ele.