[[legacy_image_291138]] Um momento de tristeza que se tornou uma rede de solidariedade. O jovem influenciador digital santista Raphael Gomes do Santos (@raphagomess), de 22 anos, que é estudante de Medicina Veterinária, iniciou uma campanha de conscientização contra uma doença felina "pouco conhecida". A iniciativa começou após sua querida gatinha, Maya, morrer em decorrência do vírus da Felv, ou leucemia felina, no último dia 10 de agosto. (Veja em vídeo mais abaixo) Com mais de 746 mil seguidores nas redes sociais, o influenciador compartilhou a notícia da morte da gata em um perfil secundário, chamado @mayacontrafelv, criado para acompanhar o tratamento dela contra a leucemia. Agora, Raphael transformou essa conta em um perfil em homenagem à Maya e em símbolo de uma campanha chamada de ‘Todos Contra a Felv’. Em entrevista para A Tribuna, Raphael afirma que a doença tem alta transmissibilidade, porém já possui vacina, conhecida como V5. A ideia da campanha é conscientizar tutores de gatos a realizarem a testagem da Fiv, conhecida como imunodeficiência felina, e da Felv para, caso o exame dê negativo, imunizar o felino contra o vírus da leucemia felina. “No começo do ano, fui fazer o teste de Fiv/Felv e ela deu positivo para a Felv. Como estudante de Medicina Veterinária, eu já sabia das consequências. Depois, pesquisei para saber mais. É uma doença muito traiçoeira e que pode ter um término muito ruim”, conta. A gata Maya lutou contra um câncer muito agressivo, que a Felv desencadeou. “É uma doença muito ruim para o gato. Descobri que ela tinha um linfoma de alto grau, a médica me encaminhou para um para uma oncologista veterinária e, a partir daí, a gente começou o protocolo quimioterápico, porque começou a ter sintomas”. Durante esse processo, o influenciador diz ter começado a pensar sobre como uma doença tão grave é pouco debatida. “Faço estágio em um hospital público e muitas pessoas sequer sabem o que é Felv, muitos gatos possuem e os tutores nem sabem do que se trata. Então, pensei em como poderia levar essa informação para o maior número de pessoas possível”. Foram meses de batalha pela vida da própria gata, quando a notícia ruim chegou. Agora, Rapha pretende espalhar informações sobre as dificuldades da doença, o que ela pode fazer no gato e como evitar. “Depois de chorar bastante, me deu um gás para botar adiante essa campanha pela Maya, porque senti na pele o que é um tutor perder um gato. É como se fosse perder um filho mesmo. O quanto eu puder evitar que as pessoas percam seus gatos por uma doença que pode ser prevenida, eu vou fazer”, relata. O estudante reforça que apenas gatos testados em negativo contra a Felv podem ser vacinados e os que testarem positivos precisam ser separados dos demais que não possuem o vírus. “Uma das piores coisas dessa doença também é a fácil transmissão”. “Se você pegar um gato da rua que tem Felv e botar junto com seus gatos de casa, eles vão pegar Felv pelo potinho de água, pelo mesmo brinquedo compartilhado, pelo pote de ração ou pela caixinha. Ela é transmitida por qualquer fluído, mas vai de cada gato desenvolvê-la e os sintomas”, explica. A campanha começou pela internet, com a disseminação das informações básicas sobre a doença, e posteriormente Rapha pretende fazer campanhas de testagem e vacinação para animais. Atualmente, o influenciador busca por parcerias e patrocinadores para realizar um mutirão, pois os valores não são acessíveis. Símbolo da campanhaO influenciador cita uma "dor insuportável" pelo fato de a gata ter morrido, afinal ela possuía apenas três anos. “Quero evitar que as pessoas passem pelo que passei, pois dói muito. Ela não viveu 19 ou 20 anos. Ela não aproveitou tudo que poderia, mas eu dei de tudo que ela gostava e a melhor vida que eu poderia ter dado”. Rapha começou a campanha no Congresso PetVet, um dos maiores sobre Veterinária em São Paulo, entre os dias 16 e 18 de agosto, com camisetas trazendo informações com "os mandamentos dos tutores" sobre como evitar a doença. Junto havia uma foto da Maya e a hashtag #TodosContraAFelv. Diversas pessoas utilizaram a camisa. O estudante também informou que, apesar de sua fácil transmissão, o vírus só contamina os gatos. “Não passa para humanos e para nenhuma outra espécie, é um vírus exclusivamente do felino”. Sobre os sintomas, o influenciador comenta que é necessário testar mesmo que não apresente nenhum sinal. “Às vezes, o gato com Felv não tem nenhum sintoma, mas a minha tinha uma gengivite que é muito comum e que não curava de jeito nenhum. Já resgatei ela da rua com a gengiva meio inflamada e passei vários remédios, mas nunca parei para pensar que seria uma característica”.