[[legacy_image_38152]] A fotógrafa santista Daura Menezes, de 42 anos, indagada com a falta de representatividade de mulheres negras no Brasil, criou o projeto de ensaios fotográficos “Eu Soul” para romper com a ideia de padrão de beleza eurocêntrico, baseado na valorização de características, como pele branca, cabelo liso e traços finos. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! [[legacy_youtube_vmPN4HIC-sQ]] A equipe de A Tribuna entrevistou a idealizadora sobre o caráter das fotos e motivações que a levou a fotografar mais de 30 mulheres desde o ano passado. De acordo com Daura, o projeto surgiu de forma despretensiosa ao perceber que mesmo sendo negra tinha poucos registros de mulheres com aparência semelhante a sua. Por isso, iniciou um trabalho de pesquisa, no qual notou que no mercado fotográfico tons de pele costumam ser distorcidos. “As fotografias que a gente vê nas redes sociais e publicidade são de mulheres negras esbranquiçadas”, explicou. Foi dessa percepção que nasceu o “Eu Soul”, justamente para mostrar as diferentes formas que compõem as belezas negras. “É uma convocação para que as mulheres negras se mostrem e possam se tornar a referência de beleza que não tiveram”. Neste sentido, Daura enxerga a série de fotos como uma possibilidade para que mulheres possam mudar o conceito que têm sobre o próprio reflexo. “Elas têm um olhar que foi muito alterado e pesado não por causa dela, mas por tudo que aprenderam durante a vida”, explicou ao dizer que cabelos crespos e lábios grossos, por exemplo, são considerados feios ou indesejáveis pela maioria da população. Até o momento, Daura já fotografou mais de 30 mulheres, lançou uma exposição virtual em parceria com a Prefeitura de Santos e já foi convidada para expor algumas fotografias do “Eu Soul” em uma exposição em Paris prevista para o final de 2021. Além disso, Daura explica que seu anseio é que o projeto tome conta das redes sociais, de modo que um grande volume de mulheres negras possa se sentir representada, bonita e desejável. “Seja a beleza que está faltando, vamos encher as redes sociais de beleza negra e mostrar que ela não é rara, pelo contrário, a maior parte da população é negra”, finalizou.