[[legacy_image_262133]] Santos recebeu 1.118 notificações sobre queda de fios e cabos de postes pela Cidade no ano passado — em média, três por dia. O problema é recorrente em bairros como Vila Mathias, Centro e Campo Grande. Devido às ocorrências e à eventual falta de reparos, a Prefeitura aplicou mais de R\$ 480 mil em multas a empresas em 2022. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Um dos pontos com queda de fios constatado pela Reportagem é o cruzamento das ruas Xavier Pinheiro e Campos Mello, na Vila Mathias. A Rua Lowndes, paralela à Xavier Pinheiro, também tem o problema. O aposentado Gileno dos Santos, de 65 anos, que mora na Campos Mello, conta que a situação é prejudicial e gera riscos, especialmente para pessoas com deficiência e dificuldade de locomoção. “Outro dia, quando eu descia os degraus de casa, vinha um deficiente visual. Eu disse para ele parar, porque na frente dele tinha um poste. Disse para ele ir para a esquerda. Esses cabos se soltaram porque tiraram os postes e colocaram novos. Ficaram pendurados e expostos. Causam medo, porque, de repente, dá um curto-circuito”, relata. O também aposentado José de Jesus, de 72 anos, que mantém um estabelecimento comercial no bairro, afirma ter observado queda de fios na área ao longo dos últimos meses. “Você chega em frente aos comércios e vê (fios e cabos caídos). Ninguém limpa um fio. Só instalam e deixam pendurados. Tinha um fio de telefone ali, o cara vinha de moto e se enrolou nele. Deu sorte que não estava ligado. Foi na semana passada”, lembra. Moradora da Rua da Constituição, a aposentada Celimar Conceição, de 62 anos, conta também ter notado queda de fios próximo de onde reside e também na Rua Dona Luísa Macuco. “Eu tenho medo, ainda mais quando está chovendo. A gente fica com receio de levar choque, se a gente não repara. Às vezes, o fio está pertinho do nosso pescoço”, comenta a moradora aposentada. Os motivos que provocam as quedas são variados: ventania, furto ou a tentativa não consumada de subtrair fios e cabos. Centro, cada vez piorA Zona Noroeste foi a região de Santos com mais notificações em 2022: 589. Neste ano, já soma 155, o equivalente a 26,3% do total do ano anterior. Em percentuais, as notificações no Centro já superaram a metade de todo o ano passado. Foram 167 reclamações sobre queda de cabos em 2022. Neste ano, por enquanto, há 94, o que representa 56,3%. A Zona da Orla e Intermediária (ZOI) teve 205 reclamações em 2022. Neste ano, o número está em 32 (15,6% do anterior). Os Morros tiveram 157 notificações no ano passado, e neste ano, acumulam 18, o que representa 11,46% dos registros em 2022. Em relação à Área Continental, a Prefeitura afirma que todas as demandas foram solucionadas por uma equipe técnica da Prefeitura Regional. Lei manda identificar e alinharPor meio da Lei Municipal 3.322, de 2016, a Prefeitura de Santos obriga que empresas estatais, concessionárias ou permissionárias de serviços públicos e prestadoras de serviço que operam com cabos os identifiquem e alinhem nos postes do Município. A Prefeitura informou que, no ano passado, a regional dos Morros enviou 16 multas à Companhia Piratininga de Força e Luz (CPFL), que totalizaram cerca de R\$ 450 mil, devido a cabos em situação irregular. “A empresa recorreu administrativamente, e todos os recursos foram acatados pela Justiça”, diz, em nota. Neste ano, a regional do Centro Histórico enviou uma intimação à empresa de telefonia Tim, no valor de R\$ 33.107,78. Um processo corre na Justiça. Em 2019, quatro multas foram enviadas à empresa de telefonia Vivo, e outra, à CPFL. Somadas, elas chegam a R\$ 86.869,40. Todas as autuações partiram da regional da Zona da Orla e Intermediária. Segundo a Administração, os bairros com maior incidência de ocorrências são Campo Grande, Centro, Embaré, Gonzaga, Ponta da Praia, Rádio Clube, Santa Maria, São Manoel e Vila Mathias.