[[legacy_image_279541]] Ela tinha três filhos biológicos, mas foi mãe de outros 25, criados com o mesmo carinho. Símbolo da luta dos moradores dos cortiços do Centro de Santos, Samara Margareth Conceição Faustino, que morreu aos 64 anos, na última quarta-feira (5), deixou um legado de amor.“Todos foram criados e educados por ela, como primos e afilhados, em família, com bastante gente em casa. Ela sempre teve esse hábito (de cuidar das pessoas). Passou essa essência de humanidade para todos”, conta um dos filhos, Weskley Faustino, de 35 anos. Segundo ele, há um ano e meio a mãe descobriu um câncer no fígado, que não foi o suficiente para parar a luta de Samara pelo que ela mais acreditava. Apenas no último mês de vida a doença se agravou e fez com que a mãe se afastasse da militância. Weskley conta que “religiosamente” acredita que a passagem de Samara tenha sido em paz e serena, “digna de uma pessoa espírito elevado”. E diz que os filhos pretendem continuar travando as batalhas de interesse da mãe. “Vamos ir com tudo. Sabemos a importância disso, a intenção da minha mãe não era só dar o ‘peixe pronto’, mas ensinar a pescar”. A repercussão da morte de Samara fez com que a família sentisse gratidão no momento de luto. O filho da ativista conta que está feliz pelo fato de entender como ela se sentiria com as homenagens que estão sendo feitas. “É uma passagem de aprendizado, de entender o quanto uma mulher como ela - preta, favelada, ‘corticeira’, ‘barraqueira’- está sendo importante para a história de pessoas como eu, da comunidade. Para ver que temos direitos e devemos correr atrás deles para a nossa felicidade. Minha mãe deixou uma lição de amor, amor até na briga”, diz.O sepultamento de Samara será nesta sexta-feira (7), no Cemitério do Paquetá, às 10 horas. HomenagemO prefeito de Santos, Rogério Santos (PSDB), anunciou uma homenagem em suas redes sociais: o conjunto habitacional tão sonhado pela ativista receberá o nome dela. O conjunto receberá 50 famílias moradoras da região central na Rua Amador Bueno e Samara, líder da Associação dos Cortiços do Centro (ACC), tinha como principal luta o direito de uma moradia digna para todos. Colocando a ativista como “referência dos movimentos de moradia na Cidade”, o prefeito divulgou que o espaço deverá ser inaugurado em junho de 2024. Além disso, Rogério aproveitou para anunciar a criação do Prêmio Samara Faustino para empresas e pessoas que apoiam ações sociais.