[[legacy_image_359440]] Padroeira do povo cigano e protetora das mulheres que desejam engravidar, Santa Sara Kali foi reverenciada neste sábado (25), com a volta de sua imagem à gruta em sua homenagem que fica ao lado da Lagoa da Saudade, no Morro Nova Cintra, em Santos. Foi um dos momentos mais marcantes de uma celebração à cultura e às tradições que atravessaram os séculos, mas ainda encontram certo preconceito e resistência. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! “Ainda estamos lutando pelo nosso estatuto. Somos muito invisíveis perante o Poder Público em geral. Um povo, uma cultura com tradição. Temos nosso dialeto próprio, a nossa bandeira. Santos nos dá visibilidade, mas ainda falta muito”, explica Imar Lopes Garcia, líder de um grupo de mulheres ciganas. Para ela, apenas a disposição em conhecer de perto a cultura cigana é capaz de quebrar barreiras. “O conhecimento é tudo. Essa festa é justamente para mostrar um pouco do que somos e representamos”. A festividade, na quadra da Unidos dos Morros, contou com venda de artesanato, doces, além de danças e música, a cargo do músico Roberto Petrovic. Os acordes das belas canções ciganas eram intercalados, nos alto-falantes, com músicas do grupo francês de origem cigana Gipsy Kings. Uma missa celebrada na Paróquia São João Batista reverenciou Santa Sara Kali. O mau tempo “acompanhou” a procissão que levou a imagem até a quadra da Unidos dos Morros. A entrada foi marcada por aplausos. Uma mesa repleta de frutos reforça os pedidos por saúde e prosperidade. “Muitos acham que ser cigano é seguir uma religião, mas não é isso. A quiromancia (avaliar a personalidade de uma pessoa pela leitura das mãos) ainda motiva preconceito, assim como a falsa lenda de que os ciganos roubavam crianças. Isso ajudou a reforçar um preconceito”, diz Imar. A fé na santa foi decisiva para a vida da artesã Valéria Uchoa. “Fiquei uma semana internada até que a vi aos pés do meu leito. Ela me libertou”, conta a vítima de um choque anafilático por alergia à dipirona. Amor ciganoO artesão Mauro Rodrigues da Motta, de 70 anos, e a esposa Dalva, de 76, vivem juntos na cultura cigana há décadas. Para ele, é como uma missão de vida. “Para mim é tudo, é liberdade, é respeito com as pessoas, sempre ajudando o próximo. Todos seguem juntos, ninguém fica pelo caminho. Mas, se entramos no supermercado, num banco, sempre vai ter um segurança olhando, para ver se vai roubar alguma coisa. Sara Kali é a representação da fé de um povo”. O evento teve a presença do prefeito Rogério Santos (Republicanos). “Santos é uma cidade que respeita várias culturas. Isso é o que temos de mais importante”, sintetiza.