Feirante Edna Maria contou que a adoção de novas formas de pagamento, como o Pix, não foi imediata (Alexsander Ferraz/AT) As tradicionais feiras livres de Santos estão cada vez mais conectadas. Em meio à concorrência de supermercados e hortifrútis, feirantes apostam em Pix, maquininhas de cartão, delivery e redes sociais para atrair clientes e manter os negócios funcionando. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na feira livre da Avenida Pedro Lessa, no Embaré, visitada pela Reportagem na última quinta-feira, o cenário é de adaptação constante. Enquanto os corredores seguem preservando o clima tradicional de conversa entre fregueses e comerciantes, as formas de venda acompanham as mudanças de comportamento dos consumidores. Administrador de uma barraca de frutas, Carlos Henrique Melo dos Santos, de 31 anos, afirma que o setor precisou se modernizar para continuar competitivo. “Hoje a gente procura manter um padrão de montagem, uniforme e uma forma mais acolhedora para o pessoal vir. Também fazemos bastante entrega e trabalhamos muito com Pix, débito e crédito”, conta. De acordo com ele, o delivery se tornou uma ferramenta importante nos últimos anos. Os clientes entram em contato por telefone ou WhatsApp, fazem os pedidos e recebem os produtos em casa ou passam posteriormente para retirar as compras já separadas. Muitos comerciantes já oferecem delivery e venda por WhatsApp. (Alexsander Ferraz/AT) Atendimento Para o feirante Omar Coutinho Mariano, de 33 anos, o segredo para fidelizar os clientes vai além do preço. Com cinco anos de experiência nas feiras e já trabalhou em hortifruti, ele acredita que o atendimento continua sendo uma das principais vantagens do comércio de rua. “A gente trata as pessoas bem para elas gostarem da gente e voltarem de novo na barraca. Se não tiver esse hábito de tratar o cliente bem, como é que ele volta?”, comenta. Segundo Omar, a digitalização dos pagamentos já é uma realidade consolidada. “Hoje em dia esse negócio de dinheiro praticamente não existe mais. É maquininha e Pix”. Assim como outros comerciantes, ele também utiliza cartões com telefone da barraca para oferecer entregas aos clientes. Resistência ficou no passado A feirante Edna Maria Araujo Pataro, de 64 anos, lembra que a adoção das novas formas de pagamento não foi imediata. Quando o Pix começou a ganhar popularidade, o marido resistia à ideia de abandonar os métodos tradicionais. “Ele não queria usar maquininha. A gente estava vendo todo mundo vender e nós só olhando. Aí minha filha comprou uma maquininha e ele acabou aceitando. Depois viu que era bom”, relembra. A feira do futuro Entre as barracas da Pedro Lessa, uma chama atenção pelo nome: Feira do Futuro. Um funcionário, Marcos Antônio Abreu do Nascimento, de 46 anos, instalou placas informando que aceita Pix, cartões e faz entregas em domicílio. “A gente está sempre acompanhando a modernização. WhatsApp, entrega em domicílio, tudo para melhorar a situação da feira”, comenta. Marcos também utiliza redes sociais para divulgar os produtos. “Posto vídeos da barraca no Instagram e no Facebook. As vendas aumentaram entre 40% e 50%”. Qualidade continua sendo atrativo Mesmo com as novidades tecnológicas, muitos consumidores continuam frequentando a feira pelos mesmos motivos de décadas atrás: qualidade, preço e proximidade com os comerciantes. Neusa frequenta a feira da Avenida Pedro Lessa há muitos anos (Alexsander Ferraz/AT) A aposentada Neusa Martins Fernandes, de 78 anos, frequenta a feira da Av. Pedro Lessa há muitos anos e prefere comprar ali em vez de recorrer aos hortifrútis. “Eu acho que os produtos são mais frescos. Além disso, a gente conversa com as pessoas, vira amiga. Minha mãe e meu pai já vinham aqui. É um costume”. Apesar das mudanças, ela continua fiel ao dinheiro em espécie. “Eu me sinto mais segura pagando com o dinheiro separado”. Por acaso, Neusa se encontrou com sua irmã na feira, Márcia Martins Fernandes, de 68 anos, que destacou a variedade e os preços como principais atrativos. “No hortifrúti é tudo por quilo. Aqui você consegue comprar melhor e escolher mais. Tem boa qualidade e bom preço.” Embora nunca tenha utilizado os serviços de entrega, ela vê a novidade com bons olhos. “Quando a gente não pode vir por causa da chuva ou por algum problema de saúde, pode ser uma facilidade muito grande”.