Paciente (à esquerda) deseja que seu tratamento seja desenvolvido em Santos (Arquivo Pessoal) A pedagoga aposentada Ana Rosa Nini Azzolini, de 65 anos, vive um drama pessoal entre duas cidades. Moradora de Santos, ela é obrigada a fazer um tratamento de câncer em Guarujá, enquanto deseja realizá-lo na cidade onde reside – ela está, atualmente, na UPA Zona Leste, no bairro Macuco. E o agravamento do estado de saúde faz a preocupação aumentar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “A primeira internação, que foi no Hospital Beneficência Portuguesa, só foi obtida porque tinha uma doença além do câncer, que era a pneumonia. Agora, ela não consegue mais vagas na cidade porque o sintoma é diretamente ligado ao câncer e não a aceitam pelo tratamento ser em Guarujá”, reforça a filha, a redatora Natália Nini Azzolini Suassuna, de 26 anos. “O quadro dela exige que ela fique de repouso, e as visitas, às vezes semanais, para o Guarujá exigem muito da saúde dela, quase sempre ela piora. Estamos desde abril tentando fazer a transferência dela para Santos, mas sem sucesso”, acrescenta a redatora. Natália reforça que a saúde da sua mãe, que enfrenta um câncer com metástase, piorou muito nos últimos meses, e constantemente ela vem precisando de internações. “A oncologia indica que, quando acontecer qualquer coisa, devemos dar entrada na UPA mais próxima da nossa casa, no caso a UPA Zona Leste. Acontece que, sendo em Santos, é muito complicado para eles mandarem minha mãe para o Guarujá. Até conseguem, mas é um processo de vaga zero (onde os serviços de saúde têm de receber pacientes, mesmo sem condições para tal, porque não há outra porta disponível para o encaminhamento). Além disso, é muito difícil para a família conseguir fazer o acompanhamento com ela lá”, explica. Percalços Natália lembra que a mãe teve câncer de mama quando ainda morava no Paraná em 2009, quando entrou em reemissão. Em 2017, ela se aposentou e veio morar em Santos. Já em 2021, ela teve um derrame pleural, onde foi descoberta a metástase dos ossos e na pleura. “Em dezembro de 2021, ela deu entrada no tratamento aqui na região. Minha mãe foi encaminhada para o Guarujá, porque seria o atendimento mais rápido. Em março desse ano, a saúde dela começa a piorar e, em abril, a primeira internação com uma junção de sintomas (pneumonia, derrame pleural e dificuldade de deglutição). Por conta dessa pneumonia, conseguiu uma vaga no Hospital Beneficência Portuguesa para internação, tendo entrado pela UPA. Em maio, pouco mais de uma semana depois da alta, a questão da deglutição retorna e ela é internada de novo na UPA. Porém, dessa vez, não conseguiu transferência para nenhum hospital “, narra. Não para por aí. Em junho último, Ana Rosa deu nova entrada na UPA com o problema de deglutição. Dessa vez, foi transferida para o Santo Amaro. Por fim, no último sábado, foi internada na UPA novamente. Essas idas e vindas aumentam o estresse da paciente e a apreensão dos familiares. “Na penúltima internação, eu cheguei ao ápice da exaustão. Acabei ficando 15 dias afastada do trabalho com um atestado psiquiátrico”, conta Natália. “A gente quer trocar todo o tratamento dela para fazer em Santos. Toda vez que ela precisa ir ao Guarujá, seja para fazer exames, a químio ou passar pela consulta, volta debilitada”, complementa. Outro lado Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informa que “a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) mostra que a paciente teve vaga liberada no Hospital Santo Amaro do Guarujá, de gestão municipal, onde faz tratamento oncológico. A paciente deve levar documento de identificação, exames laboratoriais e de imagens. Além disso, deve ir até a unidade com acompanhante e transporte seguro”.