[[legacy_image_305325]] O medo do crime tornou-se rotina para os alunos da Faculdade de Tecnologia (Fatec) Rubens Lara, localizada em um antigo prédio comercial na Avenida Senador Feijó, na Vila Mathias, região central de Santos, onde também se instalou a Escola Técnica (Etec) Dona Escolástica Rosa. Furtos, roubos, inclusive à mão armada, além de tentativas desses crimes, foram relatados à reportagem por estudantes do local. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Em seu primeiro semestre no curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, o estudante Kleverson Silva, de 22 anos, conta que foi vítima de um roubo a mão armada no último dia 3. Segundo o jovem, que vive em Cubatão, ele esperava o ônibus em um ponto na Rua Braz Cubas, próximo ao Albergue Noturno, por volta das 20h20, quando foi surpreendido por um homem que o rendeu com uma faca. O ladrão, relata Kleverson, se passava por alguém que também esperava a condução. Quando as outras pessoas que também estavam no ponto embarcaram, deixando o estudante e o criminoso sozinhos, o assalto aconteceu. “Normalmente fico atento ao meu redor, mas passaram pessoas e falaram com ele (criminoso), logo, nunca achei que ele poderia fazer algo comigo”, diz o estudante. Durante o assalto, o bandido chegou a encostar uma faca em Kleverson, e o levou até a Rua Conselheiro Saraiva. Ali, ele tomou o celular e a mochila do jovem, que continha documentos. “Não me sinto seguro em ir para a faculdade”, desabafa. Furtos de bicicletasAlunos que utilizam a bicicleta para irem à faculdade contam que têm sofrido com furtos. Segundo relatos ouvidos pela reportagem, ladrões têm furtado os veículos, ainda que esses fiquem presos em um bicicletário localizado na porta da unidade de ensino. Isso aconteceu com os estudantes André Rodrigues, de 29 anos, e Letícia Maso, de 28 anos, também do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e moradores de Santos, que tiveram suas bicicletas furtadas em um espaço de dois dias no último mês de agosto. André conta que, no dia 17 daquele mês, acorrentou sua bicicleta ao corrimão lateral à entrada da faculdade assim que chegou ao local, por volta das 19h30. Quando se preparava para voltar para casa, às 21h45, tomou um susto ao perceber o desaparecimento de seu veículo. Uma testemunha disse ao estudante ter visto um homem fugir apressado do local com a bicicleta. “Tenho pensado em trancar a faculdade. Além da sensação de insegurança que tem crescido entre os alunos devido aos assaltos e furtos nas redondezas do prédio, especialmente no período noturno, a falta geral de estrutura para atender os estudantes também é um fator de peso. Não temos bicicletário e o sistema de segurança está inativo”, afirma Rodrigues. Dois dias depois, em um sábado, o mesmo aconteceu com Letícia. Contudo, no caso dela, o furto aconteceu em plena luz do dia, visto que alunos do curso noturno têm aulas aos sábados de manhã. "Fiquei bem chateada. Era meu único meio de locomoção, e a faculdade não dá assistência nenhuma", reclama. Colega de classe de André e Letícia, Juliana Ribeiro do Nascimento, de 20 anos, moradora de Cubatão, também cogita o trancamento da matrícula devido à falta de segurança. “Eu moro longe e dependo de ônibus, a localidade da faculdade e o ponto de ônibus mais próximo não têm a mínima segurança. Por fazer um curso de tecnologia, frequentemente tenho que levar o notebook para a aula, e quem me garante que vou estar com ele no final do dia?”, protesta. O desânimo é compartilhado por Mariana Rodrigues, de 27 anos, estudante do curso de Gestão Portuária e moradora de São Vicente. “Tem dias que eu preciso sair mais cedo das aulas por conta do medo e da insegurança”, diz a estudante. “Com certeza essa situação acaba nos desmotivando da faculdade, porque até na porta da faculdade corremos o risco de sofrer algum assalto”, completa. [[legacy_image_305326]] SSP e PMEm nota, a Secretaria Estadual da Segurança Pública (SSP) informou que os casos mencionados foram registrados junto à Polícia Civil e estão sendo investigados. Ainda segundo a pasta, a Polícia Militar (PM) segue com o policiamento reforçado em toda a Baixada Santista através da Operação Impacto Litoral. A SSP reforça que, constantemente, o policiamento em cada região da cidade é reorientado conforme os índices de reincidência criminal. A PM, por sua vez, orienta que é de “extrema importância” o registro das ocorrências, pois são os registros que dão subsídios para a distribuição do policiamento e as ações de polícia na cidade. A população pode contribuir denunciando e fornecendo informações pelo telefone 190 ou do Disque Denúncia, pelo telefone 181. A SSP ainda acrescenta que, neste ano, o trabalho das forças de segurança resultou na queda no número de roubos e furtos em 8,9% e 3,5%, respectivamente, na área do 2º Distrito Policial (DP) de Santos, responsável pela região onde a faculdade fica localizada. Ao todo, 113 pessoas foram presas ou apreendidas na região. Reforço no monitoramentoA Prefeitura de Santos comunicou que a Guarda Civil Municipal (GCM) faz rondas diuturnas em todas as regiões da cidade e dá total apoio às forças de segurança, seja com o efetivo da GCM ou por meio das 1700 câmeras interligadas ao Centro de Controle Operacional (CCO). A Prefeitura garantiu, também, que a GCM irá reforçar o monitoramento da área citada, onde será inaugurada, ainda neste ano, a base do grupamento Rondas Ostensivas Municipais (ROMU). Em breve, a ROMU terá uma sede na esquina da Avenida Conselheiro Nébias com a Rua Sete de Setembro, na Vila Nova. A Administração Municipal lembra que a população pode acionar a GCM pelo telefone 153. Centro Paula SouzaProcurado pela reportagem, o Centro Paula Souza (CPS) lamentou as ocorrências na região próxima ao prédio da Fatec Rubens Lara. O CPS afirmou que o policiamento pela ronda escolar, que é recebido pela unidade diariamente e em três períodos (manhã, tarde e noite), será intensificado. A unidade se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, mas ressaltou que a área externa ao prédio, onde os alunos prendem as bicicletas, não é de responsabilidade da instituição. Além disso, o CPS informou que as câmeras de segurança do prédio pertenciam à empresa que ocupava o edifício antes de ele sediar a Fatec e a Etec e, por isso, estão desativadas. O Centro não disse se há planos para reativá-las.